description Artigo Cristãs groups Teologia e Pregações

Lucas 5:27-32: Segue-me: O Chamado de Levi e o Reino que Acolhe os Impuros" (Fp. 3:4-11)

  1. O chamado inesperado na coletoria — Jesus vê Levi, o publicano, e o convite "segue-me"
  2. O banquete e a murmuração dos religiosos — por que fariseus e escribas se incomodam
  3. Três eventos, uma mesma revelação — o leproso, o paralítico e o publicano: como Lucas organiza esses relatos para mostrar o coração do Reino
  4. Quem era o publicano — traição, corrupção e exclusão social no judaísmo do primeiro século
  5. Roma, poder e a tentação da fé que serve à carne — a crítica à religião que busca prosperidade e status
  6. "Considero tudo como lixo" — o testemunho de Paulo em Filipenses 3 e o que significa perder tudo por Cristo
  7. A mesa de Mateus — quem se sentou ali, e o que isso revela sobre o convite do Reino
  8. A religião como forma sutil de afastar o homem de Deus — o perigo dos rituais sem arrependimento
  9. As duas respostas de Jesus — uma para os que se acham justos, outra para os que se sentem pecadores
  10. Metanoia: o verdadeiro significado do arrependimento — mudança de mente, não apenas remorso
  11. Nem conservador, nem progressista — o Reino de Deus não se encaixa nas categorias ideológicas humanas
  12. O caminho estreito: morrer para nascer de novo — o chamado a negar-se a si mesmo
  13. Conclusão: uma oração pastoral — o pedido por intrepidez e fidelidade em meio à perseguição

O chamado inesperado na coletoria

Gostaria que você lesse comigo este trecho, mastigando cada palavra, com calma. Está escrito que, depois de curar o paralítico — tema da semana passada —, Jesus saiu e viu um publicano chamado Levi sentado na coletoria. E disse a ele: "Siga-me!" — ou "Segue-me", dependendo da tradução que você usa. E Levi se levantou e, deixando tudo, o seguiu.

"Depois disso, Jesus saiu e viu um publicano, chamado Levi, sentado na coletoria. E lhe disse: — Siga-me!"

Estamos seguindo o livro de Lucas, e como eu havia dito dois artigos atrás, encontramo-nos numa série de três eventos que Lucas coloca em sequência. Essas mesmas narrativas você pode encontrar em outros Evangelhos, mas não nessa mesma ordem. É muito interessante perceber que Marcos, Mateus, Lucas e João tinham cada um a sua própria maneira de apresentar Jesus aos seus ouvintes. Os eventos que sucederam na caminhada de Jesus na terra foram registrados por todos eles — fossem testemunhas oculares, como Mateus e João, fossem íntimos e amigos dos apóstolos, como foram Marcos e Lucas. Mas nem sempre os fatos aparecem na mesma sequência, porque cada evangelista queria contar algo sobre Jesus. É como se eu tivesse andado com Cristo e precisasse te contar: "Ele é generoso — teve uma vez que ele repartiu pães e peixes; teve uma outra em que abraçou um leproso." Pode ser que esses fatos não tenham acontecido exatamente nessa ordem, mas eu estou te contando nesta sequência porque é assim que quero que você compreenda quem é esse Rei e como se forma o seu Reino.

Por isso, esses três eventos têm a mesma característica. Relembro com você: há dois artigos atrás, falamos sobre um leproso. O leproso era tido como imundo — a lei dizia que ele não poderia estar no meio das pessoas, dentro do seu próprio clã, na sua tribo. Lembre-se de que Israel tinha uma organização tribal; estamos falando da Antiguidade, e naquela época não havia cura para a lepra. Os leprosos se sentiam impuros. Mas Jesus abraça esse impuro, porque ele pede: "Se o Senhor quiser, o Senhor pode purificar-me" — algo completamente antagônico à fé judaica daqueles dias, porque ninguém deveria sequer se aproximar de um leproso. Jesus não apenas se aproxima e abraça o leproso, como também o cura, e o insere de volta na sociedade, tornando-o puro. Já falei aqui há duas semanas que isso representa o nosso próprio pecado: Jesus não espera que estejamos limpos para nos abraçar. Ele nos abraça ainda que estejamos imundos, mas desejando a nossa purificação — porque quem clama "Senhor, eu quero ser purificado" já está sendo transformado.

Depois, ele fala sobre o paralítico, que igualmente, segundo a lei, tinha algum defeito e por isso não poderia oficiar ou tocar nas coisas sagradas do templo. Isso se tornou algo tão abrangente na sociedade a ponto de as pessoas perguntarem quem havia cometido o pecado para que ele nascesse assim. Há até o relato de um cego que Jesus encontra, e os discípulos perguntam: quem pecou, ele ou seus pais, para que nascesse cego? Então o leproso era um impuro; o paralítico, alguém supostamente culpado por ter nascido assim.

E o terceiro evento é justamente este: quando Jesus chama um publicano para ser seu discípulo e diz "segue-me". O publicano era um cobrador de impostos — um traidor da nação. Ainda que Roma tivesse seus próprios representantes dentro da região dominada, ela contratava cobradores locais para o serviço de recolhimento de impostos e taxas alfandegárias, inclusive quando as pessoas entravam e saíam do território do império. Na verdade, esses publicanos eram contratados da própria nação dominada — por isso eram tidos como traidores. Havia relatos da maneira truculenta como a cobrança era feita, e também da corrupção envolvida: dentro de uma região, segundo o censo, havia um valor a ser entregue a Roma, e tudo o que o publicano conseguisse cobrar a mais era o seu próprio lucro, além do que já recebia do império. Assim, o publicano era alguém que, entre aspas, roubava do judeu para entregar aos romanos. Por isso era tido como impuro, impróprio — não tinha lugar na sociedade no sentido de ser aceito como cidadão judeu, e tampouco poderia participar dos rituais religiosos ou da vida de fé como um irmão da mesma nação.

A diferença entre os três é notável: há um leproso, que nem sabemos como adquiriu sua enfermidade; há um paralítico, cuja condição alguém supostamente causou; e agora há um cobrador de impostos que, talvez, seja o pior dos três — porque escolheu ser um traidor. Você pode ser maldito pela escolha do seu próprio coração, pelo pecado alheio, ou por uma impureza que nem sabe explicar. A verdade é que esses três relatos, colocados juntos por Lucas, dizem a Teófilo algo essencial: o Reino de Deus é um reino que não faz a leitura dos impuros da mesma maneira que a religião faz. E isso é fascinante de se observar: o Reino de Deus é o lugar do leproso que diz "Senhor, eu quero ser purificado"; é o lugar daquele paralítico que todo mundo insiste em julgar buscando de quem é a culpa, mas Jesus mesmo toma essa culpa sobre si e o cura; e é o lugar daquele que escolheu ser traidor, e agora é convidado a seguir a Jesus Cristo.

Uma coisa interessante: se você procurar esse mesmo relato no Evangelho de Mateus, verá que esse cobrador de impostos é o próprio Mateus, também chamado Levi. Mateus era um cobrador de impostos chamado para ser discípulo de Jesus, e foi ele mesmo quem escreveu um dos Evangelhos. Lucas o chama de Levi, mas no texto paralelo o próprio Mateus diz, em essência: "Sou eu — eu é que estava lá, e ele me chamou." A coletoria era o local — algo como o escritório de arrecadação de impostos —, o lugar que todo judeu odiava frequentar, porque ali ele tinha que pagar o que não queria pagar, e ainda por cima diante de alguém da própria nação que ele sabia estar roubando-o em nome de um império estrangeiro que ele não desejava servir. Afinal, deveríamos ter nossa soberania como judeus, como nação de Deus — mas ali estavam aqueles que se aproveitavam da situação: herodianos, saduceus, e obviamente os publicanos, que lucravam com o conluio junto a Roma e por se curvarem a ela.

E preste atenção nisto: sempre haverá, nesta terra, uma oportunidade para que a sua fé abrace Roma — mesmo que Roma seja completamente antagônica ao Reino de Deus. Roma sempre oferecerá benefícios para que você faça vista grossa a todo o mal que ela causa ao Reino. E não importa qual "Roma" seja essa em sua época; todas funcionam da mesma maneira. Foi assim que os publicanos abraçaram essa grande oportunidade de enriquecer, porque, afinal, uma religião que prega apenas bem-estar, crescimento e prosperidade não tem por que rejeitar Roma — já que é exatamente isso que ela oferece. E digo isso pensando nos dias de hoje, não apenas naquele contexto: uma religião cujo foco não é o arrependimento e a purificação, mas sim o poder, a honra, o crescimento e os valores desta terra, rapidamente encontrará uma brecha nas Escrituras para abraçar tudo o que Roma prega, sem se sentir culpada — porque, no fundo, o que as pessoas querem através da fé não é um Deus que as transforme, mas um Deus que faça a sua própria vontade. E se encontraram em Roma um instrumento para essa vontade, já a consideram, com toda certeza, um instrumento de Deus.

Essa é a leitura do religioso: ele não está preocupado com a pessoa em si. Ele não sente a dor do leproso, indigno na sociedade, chamado de impuro e obrigado a viver numa caverna ou no meio do mato junto a outros leprosos, porque "eles não são dignos de estar em nosso meio". Ele não se importa com o que o leproso sente, muito menos com o paralítico — a Bíblia diz que ele não pode tocar nas coisas santas, então também não pode estar entre os que são santos. "Não sei se foi o pai dele quem pecou, só sei que há algo errado ali, então aqui você não pode ficar." E o publicano, que fez essa escolha? "Dane-se você também."


O banquete e a murmuração dos religiosos

E o interessante é que os escribas e os fariseus que fizeram essa pergunta sobre Jesus se sentar com o publicano não estavam incomodados com o fato de o publicano ser rico — isso não era o problema. Os fariseus disputavam com os saduceus, como dois partidos político-religiosos da época, para dominar o templo e o Sinédrio. Eles queriam o que os saduceus tinham, porque, se os fariseus indicassem um sumo sacerdote, teriam o conluio com Roma e se tornariam aristocracia. Na verdade, talvez o problema não fosse puramente religioso — ainda que fizesse parte da crença religiosa —, mas sim uma questão de inveja: "você tem, eu não tenho, e na hora em que eu tiver a minha oportunidade, eu também terei." Porque aquele que anda com a sua espiritualidade governada pelo interesse da própria carne sempre vai arrumar um caminho para dizer que aquele que possui algo que ele não possui é impuro — porque, no dia em que ele estiver naquela mesma posição, de repente todos dão as mãos. Assim, herodianos, saduceus e publicanos viviam de mãos dadas no que diz respeito ao benefício recebido de Roma.

O que estou dizendo aqui é sobre o campo da hipocrisia, onde a religião consegue afirmar que aqueles que são espertos, mas que estão no poder religioso, são perfeitos, e que os impuros são os que conseguiram o que quer que seja por caminhos diferentes dos seus. Na verdade, é o pecado que reina, é a carne que reina. Mas o nosso convite de Cristo — "segue-me" — não é apenas o convite para abandonar uma condição religiosa e encontrar outra; é o convite para deixar todo esse universo para trás.

E aqui eu quero ler com você Filipenses 3, do versículo 4 ao 11, onde Paulo diz:

"É verdade que eu também poderia confiar na carne. Se alguém pensa que pode confiar na carne, eu ainda mais: fui circuncidado ao oitavo dia, sou da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; quanto à lei, fariseu; quanto ao zelo, perseguidor da igreja; quanto à justiça que há na lei, irrepreensível. Mas o que para mim era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo."

Voltando ao texto de Lucas: assim, Levi ofereceu um grande banquete em sua casa, e era grande o número de publicanos e outras pessoas que estavam com eles à mesa. E os fariseus e os escribas murmuravam contra os discípulos de Jesus, perguntando: por que vocês comem e bebem com os publicanos e pecadores?

"Os fariseus e seus escribas murmuravam contra os discípulos de Jesus, perguntando: — Por que vocês comem e bebem com os publicanos e pecadores?"

Eu sempre brinco com isso: o publicano tinha uma espécie de crachá. Ele era um funcionário público — todo mundo ia à coletoria e sabia quem era o publicano. E agora: pecador, quem é que diz? Quem coloca esse crachá em alguém e afirma "você é, e eu não sou"? A religião tem esse poder de se fechar e fazer o julgamento que ela mesma considera correto, segundo a sua própria lei, para dizer quem pode e quem não pode. Havia pessoas que caminhavam paralelamente às Escrituras e que, dentro da sinagoga, eram tidas como imundas e pecadoras, e por isso eram expulsas dali. Aliás, no Evangelho de João, quando Jesus cura um cego de nascença e os pais são chamados à sinagoga para explicar como o filho passou a enxergar, eles têm medo de dizer que foi Jesus, com receio de serem expulsos como hereges. Por isso respondem: "Perguntem a ele, que ele já tem idade, que ele responda." Eles tinham medo de ser expulsos, porque a sinagoga tinha suas próprias leis e regras, segundo a interpretação dos seus mandamentos pelos fariseus — que decidiam quem era digno e quem não era.

E se você transita pelas redes sociais, vai perceber que qualquer comentário que você faça sobre o Reino de Deus, colocando um versículo da Palavra, será sempre interpretado por alguns como defesa de um lado político, e por outros como ataque a outro lado — transformando tudo isso numa discussão religiosa e política segundo o domínio da carne, do pecado e da podridão em que se transformou a religião em nossa terra. E, aliás, tenho uma boa notícia para você: se todos os lados te odeiam, há uma grande chance de você estar certo — longe de todos eles.

Bom, e quando fazem essa pergunta aos discípulos, na verdade estão perguntando a Jesus. Jesus se antecipa — e eu acho que essa cena é sensacional: Jesus sabe exatamente o que aqueles homens estão pensando, e antes que perguntem, ele já responde:

"Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes. Não vim chamar justos, e sim pecadores, ao arrependimento."

E é isso que ele veio fazer: chamar doentes e pecadores ao arrependimento.


O convite "Segue-me" e o que Mateus deixou para trás

E aqui eu quero continuar a leitura de Paulo, porque ela se encaixa perfeitamente neste ponto:

"O que eu quero é conhecer Cristo e o poder da sua ressurreição, tomar parte nos seus sofrimentos e me tornar como ele na sua morte, para, de algum modo, alcançar a ressurreição dentre os mortos."

É incrível: Jesus passa na coletoria e dispara para Mateus: "Segue-me." E o texto que acabamos de ler diz que ele se levantou, deixou tudo e o seguiu. O convite do Reino de Deus é exatamente esse — não é "entre para o meu reino que eu vou te tornar chefe dos publicanos"; é "entre para o meu reino e esqueça isso". E a discussão de hoje, da religião evangélica, costuma ser sobre o quanto a mais eu ganho. Paulo está dizendo exatamente o oposto: o quanto eu perco. E aqui está um publicano que não estava satisfeito. Não sei se Mateus já tinha ouvido falar das coisas de Cristo — Lucas não nos dá esse detalhe. Nos Evangelhos, o próprio João já registra, lá no capítulo 2, as bodas de Caná e a chamada de outros discípulos em momentos diferentes. Nós não temos uma cronologia perfeita desses fatos, nem sabemos o quanto Mateus já carregava de agonia pela vida que levava.

Temos, por exemplo, o relato de um outro publicano, Zaqueu, que no meio de um encontro com Cristo se levanta e diz: "Se eu roubei alguém, vou devolver; se defraudei alguém, vou dar quatro vezes mais." E Jesus responde: "Hoje entrou salvação nesta casa." A salvação não entrou quando Zaqueu subiu na árvore, nem quando Jesus entrou naquela casa, nem quando Jesus se sentou à mesa. A salvação entrou quando Zaqueu disse: "A vida que eu vivo é uma porcaria, e eu vou considerá-la como lixo." Como diz Paulo: "Isso aqui, para mim, não serve. Eu que era hebreu dos hebreus, da tribo de Benjamim, fariseu, formado aos pés de Gamaliel, perseguidor da lei com toda a justiça da lei, ainda era cidadão romano" — o que ele nem cita nesse texto, mas eu acrescento — "e joguei tudo isso fora pela sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus." Ele não te chama para dar um jeitinho numa vida que já está mais ou menos boa. Ele está dizendo: "Negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e me siga."

Por isso, na companhia de Jesus você vai encontrar aquele que era leproso, aquela que era prostituta, aquele que era publicano — todos os que disseram não a este mundo. Quem olha para eles ainda enxerga a marca de quem foram: o leproso, o paralítico, a mulher prostituta, o zelote que era Simão, o Mateus que era publicano. E dirão: "Eles são indignos." Mas Jesus responde: "Eles deixaram tudo para me seguir. A religião de vocês é que diz que eles são indignos."

É muito bonito o texto quando diz que Mateus simplesmente se levantou. Fico imaginando a cena na coletoria: os amigos, os outros publicanos. "Onde foi o Mateus?" Alguém passa e diz: "Já é hora do almoço." A hora do almoço chega, e Mateus não volta. "Onde ele foi? Deixou tudo aqui — a gaveta aberta, o computador ligado — nem trocou a gaveta." Aposto que rolou um grupo de WhatsApp: "Mateus, onde você foi? Você não voltou depois do almoço. O chefe já passou na repartição perguntando pelo Mateus." "Deixou o cargo aqui na cadeira e saiu — para onde ele foi? Não sei se era parente, amigo, se foi pagar o almoço, se foi sequestrado..." E aí, no grupo, Mateus responde: "Eu não sou mais publicano. Pedi as contas." "Você não pode largar sua vida, o que você construiu! Pera aí, pois a bênção de Deus vem de Roma, ave César!" E ele diz: "Não é essa a minha vida. Aliás, estou preparando um jantar. Se estiverem a fim de saber por que eu saí dessa vida, vou estar em casa em tal dia" — e manda um convite para todo mundo.

E é isso que acontece no texto: ele faz um jantar com Jesus Cristo, e ali estavam muitos publicanos e outras pessoas. Lendo o texto original, quando fala sobre essas "outras pessoas", dá a entender — pela forma como Lucas está relatando sobre os indignos e os impuros — que ele estava convidando publicanos e outras pessoas que igualmente eram imundas como os publicanos: pessoas que também não eram aceitas dentro do domínio da religião, que para ela eram pecadoras e impróprias para estarem juntas dela. E não é apenas qualquer pessoa — pelo tipo de linguagem, pela preposição usada, pelas palavras empregadas, é isso que se percebe lendo o grego.


A mesa de Mateus e a religião que afasta o homem de Deus

E o interessante é que, nesse convite, esses fariseus e escribas — aliás, lendo o Novo Testamento, eles estão presentes o tempo todo, aparecendo aqui e ali, sempre prontos para encher a paciência e tentar pegar Jesus numa cilada, fazendo-lhe uma pergunta de duplo sentido para provar a todos que ele é um herege, que é indigno, que mente ao afirmar ser o Filho de Deus. A toda hora há alguém para dizer que o Reino de Deus não presta, que o Rei não presta, apresentando o seu próprio tipo de ideal, sempre casado com o poder vigente, para afirmar que aquilo é que é o verdadeiro Reino. As histórias não mudam — na verdade, são sempre as mesmas.

Naquele jantar, pessoas indignas aos olhos dos judeus estavam sentadas com Jesus, que ensinava como sendo o Filho de Deus. Todo jantar, naquela cultura, tinha uma particularidade — e não era sempre que isso acontecia: quando alguém organizava um jantar específico para um convidado, era porque queria que os demais o ouvissem. As mesas eram armadas rentes ao chão, e as pessoas se sentavam nele, geralmente formando um círculo aberto, onde o convidado principal ficava no lugar central. As pessoas daquele vilarejo — provavelmente Cafarnaum, embora não tenhamos certeza, mas sabemos que Jesus estava lá quando curou aquele leproso, e provavelmente no mesmo lugar onde esteve na sinagoga — podiam se aproximar. Elas não podiam comer, nem sentar à mesa, mas podiam ouvir o convidado.

É bem provável, então, que Mateus tenha convidado todos os seus amigos pelo "grupo do WhatsApp" da época, e todos aqueles que se sentiam indignos, como ele mesmo se sentia antes de ser chamado por Cristo, para se sentarem à mesa. É como se Lucas estivesse dizendo a Teófilo que Mateus falou: "Galera, se vocês se sentem uma porcaria nesta terra, e todo mundo já disse que vocês não prestam, tem um homem que me chamou para segui-lo, e eu quero que vocês o ouçam." E assim se sentaram à mesa com Cristo — e provavelmente os fariseus e escribas se aproximaram da mesma forma que qualquer pessoa daquele vilarejo poderia se aproximar. Não temos informação de que Mateus os tenha convidado propositalmente, mas de qualquer maneira eles estavam ali. Aliás, estavam sempre perto de Jesus — porque a religião está sempre perto do Reino, e os religiosos estão sempre perseguindo o Reino de Deus, não para entrar nele, mas para destruí-lo.

A religião é a melhor ideia que o ser humano já teve para afastar o homem de Deus. Não há nada mais eficaz para isso do que a religião, porque ela cria os seus próprios rituais, e o homem se sente perto de Deus quando, na verdade, está completamente distante. Ele mantém o ódio, mantém a vingança, mantém o amor pelas coisas terrenas, os seus conluios e conchavos — tudo devidamente batizado e canonizado pelo ritual religioso, enquanto Deus permanece à margem. O homem se sente perfeitamente dentro de um reino, mas é um reino humano, terreno, carnal, paralelo ao verdadeiro. Não existe nada melhor para separar o homem de Deus do que a religião, porque quem está dentro dela jamais vai se sentir fora do Reino. E a melhor maneira de o diabo consumar a morte de alguém é mantê-lo bem longe de Deus, enquanto essa pessoa acredita piamente que está com Deus. Isso é ótimo para quem quer impedir uma conversão — porque, quando a religião já se apresenta como o próprio Deus, ninguém sente necessidade de se converter.

Espero que o que tenho dito até aqui não seja difícil de compreender. Mas quem tem ouvidos para ouvir, que ouça. Quando prego, não tenho a intenção de convencer ninguém — apenas de dizer o que acredito do evangelho, ponto. Não tenho a intenção de que ninguém concorde comigo. Mas a verdade é que o Reino de Deus nos chama para fora deste sistema.


As duas respostas de Jesus e o verdadeiro significado do arrependimento

E o texto diz que esses escribas e fariseus perguntaram aos discípulos — olha que interessante — "vocês comem com publicanos e com pecadores?" Eu sempre brinco: o publicano tinha um crachá. Ele era um funcionário público; todo mundo ia à coletoria e sabia quem era o publicano. Agora, "pecador" — quem é que diz "você é, e eu não sou"? Quem carrega esse crachá? A religião tem esse poder de se fechar e fazer o julgamento que ela mesma considera correto, segundo a sua própria lei, para dizer quem pode e quem não pode.

Quando eles fazem essa pergunta, na verdade estão perguntando a Jesus. E Jesus se antecipa — acho essa cena sensacional. Jesus sabe exatamente o que aqueles homens estão pensando, e antes mesmo de perguntarem, ele já responde: "Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes. Não vim chamar justos, e sim pecadores, ao arrependimento."

O arrependimento aqui é a palavra grega metanoia — ela significa mudança de cabeça, mudança de mentalidade. Foi exatamente o que fez Mateus quando Jesus disse "segue-me": ele abandonou a coletoria e o seu caminho de prosperidade como publicano para ser discípulo de Jesus Cristo. Arrependimento não é dizer "me desculpe pelo que eu fiz, mas eu vou continuar sendo quem eu sou". Não é "me desculpe porque dei um tapa no meu irmão, mas eu não quero deixar de ser uma pessoa que carrega ódio — só vou tomar cuidado para não dar o tapa na frente dos outros e ter que pedir perdão". Arrependimento é dizer: "Eu estou terrivelmente triste pelo que fiz, mas eu estou arrependido de quem eu sou. Eu não quero mais ser quem eu sou. Eu não quero mais estar onde eu estou."

Quando Jesus diz "os sãos não precisam de médico, só os doentes; não vim chamar justos, mas vim chamar pecadores ao arrependimento", ele está dizendo duas coisas fundamentais da nossa fé. Creio que a primeira ele disse com ironia: "vocês são sãos, não estão doentes, e vocês são justos" — obviamente aqueles escribas e fariseus não estavam sãos, nem tampouco eram justos, apesar de sua justiça ser pautada na lei, segundo uma interpretação moldada pela própria hipocrisia. Mas creio que Jesus está dizendo: "Se vocês acham que são perfeitos e justos, então eu não vim para vocês. Sigam o seu próprio rumo. Eu não quero convencer vocês."

Essa é a primeira resposta de Jesus — irônica, na minha opinião, porque ele não afirma que os fariseus e escribas eram sãos e justos; ele diz, em essência: "Se vocês se sentem justos, perfeitos e sãos, ótimo — eu não vim para vocês, podem ir embora se sentindo os mais perfeitos da terra." Que resposta sensacional! Quero dizer que isso tem sido uma cura para mim: estudar o livro de Lucas e perceber esse tipo de coisa tem curado o meu próprio coração. Quando encontro pessoas que querem debater ou discutir sobre o Reino, sobre a missão da igreja, sobre o que se deve ou não fazer, eu digo: "Se você acha que está certo, siga a sua vida. Eu não estou aqui para convencer ninguém de que está certo ou errado, se é são ou é doente, se é justo ou injusto — eu apenas leio o evangelho e sigo o meu caminho."

E se o movimento evangélico brasileiro é o padrão de justiça, de amor, de igualdade, o padrão de fé, o padrão de conduta, o padrão de moralidade e ética — tudo bem, continue. Eu acredito que, enquanto pisarmos esta terra como um país livre — e não sei até quando, mas acredito que vai chegar o momento em que teremos uma religião imposta goela abaixo —, por enquanto somos livres. E que bom: ao menos na minha geração eu tenho o direito de ler as Escrituras, fazer a minha hermenêutica, minha exegese, e seguir o meu caminho. Se você pensa diferente, vá ser feliz — que liberdade boa é essa!

Jesus disse: quem se julga justo, quem se julga são, tudo bem — essa é a primeira resposta, dirigida àqueles que se acham perfeitos, os ditadores da moral, da ética e da religião. "Ah, que bom, obrigado, Jesus, você me livrou desses caras — então vou andar longe deles." E esses mesmos vão dizer que a fé de Cristo é o lugar dos hereges, das prostitutas, dos publicanos, dos pecadores e dos carnais — "por isso não somos perfeitos."

A segunda resposta de Jesus é para aqueles que estavam com ele à mesa. Ele não respondeu apenas aos escribas e fariseus — respondeu também aos amigos de Mateus: "Eu vim para aqueles que se sentem doentes, para aqueles que se sentem pecadores" — como o próprio Mateus, que no dia em que foi chamado disse "eu vou te seguir" e abandonou tudo. Ele deixou de ser o que era; a vida que tinha morreu para nascer de novo.

Neste ponto, quero ler com você Tiago 4:1-4:

"De onde procedem as guerras e brigas que há entre vocês? Não é dos prazeres que estão em conflito dentro de vocês? Vocês cobiçam e nada têm; matam e sentem inveja, mas nada podem obter; vivem a lutar e a fazer guerras. Nada têm, porque não pedem; pedem e não recebem, porque pedem mal, para esbanjar em seus próprios prazeres. Vocês, infiéis, não sabem que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Aquele que quiser ser amigo do mundo se torna inimigo de Deus."

A segunda resposta é para publicanos e pecadores: "O fato de vocês se sentarem à minha mesa não significa que eu vou passar a mão na cabeça de vocês para que continuem sendo ladrões, pecadores, prostitutos ou infiéis." O porquê de nossa vida ter tanta guerra e tanta luta é que só queremos satisfazer nosso próprio prazer — por isso brigamos uns com os outros, por isso queremos cercar o nosso pedaço de terra e atirar em quem está ao redor, por isso buscamos satisfazer a carne na prostituição dos nossos valores, abraçando o pecado e os prazeres da carne, ao mesmo tempo em que procuramos alguém que diga "você é santo" e nos abrace sem nos confrontar. Isso é o mesmo que dizer "chega pra lá" a quem Jesus chamou. Ele confrontou tanto aqueles que ficam julgando os outros quanto aqueles que querem apenas um lugar à mesa, se sentindo abraçados por Cristo sem se transformar. "Eu vim para quem se sente doente, para quem se sente pecador — eu sou o médico."


Nem conservador, nem progressista: o Reino que não se encaixa nas categorias humanas

Acho que esses três textos vieram bem a calhar dentro do nosso estudo de Lucas, porque, como pastor desta casa, entendo que devo sempre ensinar as minhas ovelhas. E você que não é da igreja, que está aqui como alguém que assiste e caiu de paraquedas pelo YouTube — Deus te abençoe. Mas tenho a responsabilidade de dizer a você, que faz parte da nossa comunidade: eu não me encaixo entre os conservadores nem entre os progressistas. Não consigo achar nexo em nenhum dos dois lados.

O conservador é aquele que fecha as portas para dizer "só nós somos perfeitos, aqui ninguém entra" — acho isso horrível, porque Jesus convida a todos. Já os progressistas dizem "pode entrar todo mundo, do jeito que estiver, você é puro e Deus te ama do jeito que você é." E eu não consigo me encaixar em nenhum dos dois. Sinto-me como que prostituído na minha própria ideia de Reino de Deus, entre religiosos que se autodenominam puros e dizem que o mundo inteiro é pecador e que cabe a nós impor a nossa religião goela abaixo da nossa terra — não consigo viver nessa gaiola. Mas também não me sinto bem entre aqueles que pervertem o evangelho para dizer que aqui é o lugar onde tudo pode, fazendo da fé a farra da própria carne. Também não me encaixo nesse grupo.

Eu consigo me encaixar apenas no evangelho em que Jesus diz, em essência: "O portão da casa é grande, pode entrar quem quiser, e a mesa é grande, pode sentar quem quiser — mas agora eu vou trilhar o meu caminho, e ele é estreito. Você não é obrigado a vir." Eu não consigo caminhar com os maliciosos da religião, nem com aqueles que se julgam criancinhas demais para abandonar o que são. Não é o meu Reino que se adapta à sua religião ou à sua libertinagem — "olá, eu sou filho de Deus" — vocês têm que dizer, como Paulo, "eu estou crucificado com Cristo". Seja você escriba ou fariseu, sábio, herodiano, publicano, zelote ou sicário, se você quer me seguir, a porta está aberta para todos — ela é bem larga —, mas o caminho é estreito. Você vai ter que abandonar tudo isso. Por isso Mateus se levantou e disse: "Eu não quero mais ser publicano." "Vocês estão aqui na mesa comigo? Que legal, amigos! O Mateus convidou vocês, né? Que joia — tem publicano, tem pecador, tem prostituta, tem gente sem-vergonha. Olha só quanta gente — a igreja está cheia! Que legal, muito bom, vocês querem andar comigo?"

Mas estarmos aqui à mesa com Jesus não significa que somos perfeitos e que os religiosos estão errados — não, não, não. Eu sou apenas o eco de Cristo dizendo que, neste mundo, ninguém é perfeito. O meu convite é que vocês saiam de onde estão, saiam de si próprios, neguem a si mesmos. E note que Jesus nem sequer rejeitou que os escribas e fariseus estivessem naquela sala. Portanto, neste ambiente aqui, nesta comunidade que estamos formando na internet — quem pode sentar aqui? Quem pode fazer parte desta comunidade? Pode vir quem quiser, quem quiser. E se você diz que Deus te aceita do jeito que você é, minha pergunta é: você o aceita do jeito que ele é? Porque Jesus não está brincando de pega-pega.

Isso aqui não é um comércio onde você compra um espaço — e não estou falando de igreja nem de prédio, estou falando do Reino de Deus. O Reino de Deus é para aqueles que querem morrer. E, portanto, não importa se você é religioso, publicano, saduceu, fariseu, herodiano, sicário ou zelote — não importa que tipo de religião você carrega, você vai jogá-la fora de qualquer forma. Não importa que tipo de pecador você é, porque todos nós somos pecadores; você vai jogar a sua própria carne fora, vai jogar a sua vida fora, para seguir a Jesus Cristo. Porque o caminho dele é estreito — é o caminho onde existem pessoas prontas para lutar contra si mesmas. Os religiosos conservadores querem lutar contra os progressistas para ocupar o seu lugar na terra com a sua ideologia, e os progressistas querem lutar contra os conservadores para ocupar o seu lugar na terra com a ideologia deles. Mas os filhos do Reino são aqueles que não têm lugar nesta terra, porque estão seguindo o Filho de Deus rumo a um Reino que não tem a ver com este mundo. Por isso não brigamos por essas coisas — Jesus Cristo nos chamou para outro Reino, e esse Reino é para quem quer deixar para trás a si mesmo, os seus próprios conceitos e ideias sobre quem é, sem apego a esta terra, porque o Reino não é desta terra e não segue a lógica dela.

O Reino de Deus é para quem se entende como doente. Se você acha que já está perfeito e apenas quer um lugar que o aceite, você não precisa do Reino de Deus — você precisa é do seu próprio reino, porque você já tem a sua ideia de reino e não precisa se converter. É o Reino que se converte a você. Mas o Reino de Deus é para quem se sente pecador e doente, e quer jogar a si próprio no lixo — como diz o apóstolo Paulo no texto de Filipenses que lemos — para dizer: "Eu quero nascer de novo e ser um novo ser humano, não segundo o ideal humano desta terra, mas segundo o ideal divino do que é ser humano." Deus e o seu Reino não são customizáveis à sua ideologia nem ao seu bem-estar. Deus não é conservador, e Deus não é progressista — ele não se molda à satisfação da vida humana na terra. Ele quer que você morra para essa vida humana, para nascer outra vez segundo o novo ser humano: Jesus Cristo.

Ainda somos muito "Adão" — aquele que, no jardim do Éden, comeu do fruto para fazer a sua própria vontade, e ainda queremos que Deus faça a nossa vontade, porque conhecemos o bem e o mal. Mas ele nos chama a seguir o segundo Adão, que estava em outro jardim, chamado Getsêmani, e que, ao invés de querer a sua própria vontade, fez a vontade do Pai e foi para a cruz, dizendo: "Este é o meu destino — e o seu também." E se você está a fim de modificar quem você é, se quer jogar fora os seus ideais e padrões para ser abraçado pelo Rei que abraça publicanos, pecadores, aleijados e leprosos — todos que dizem "eu não quero mais ser quem eu sou" —, então venha comigo. E esses são os que se arrependeram, mudaram a cabeça e seguem a Cristo.

Agora, se você quer trazer sua ideologia de direita, de esquerda ou de centro para encher o nosso saco, vá fazer outra coisa, porque nós temos mais o que fazer. Se você vem aqui achando que vou defender político, fazer passeata a favor deste ou daquele, chamar alguém de "preso" ou de "sem cérebro" — eu não tenho tempo para isso. Tenho tempo é para o Reino de Deus. E se você quiser achar que somos "tíbios" demais, tudo bem — quem se julga são não precisa de médico; deixe a gente em paz e não encha o nosso saco. Mas eu quero o Reino de Deus porque, como Paulo diz, "eu reputei tudo por perda e joguei tudo no lixo, e troquei o que eu era pela sublimidade do conhecimento do Filho de Deus, Jesus Cristo, aquele que me amou e por mim se entregou" — e quero me igualar a ele na sua morte, para ter parte com ele na sua ressurreição. Se isso aqui é vida, então eu estou no caminho certo: eu morri para este mundo e nasci de novo para Cristo. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça. Quem quiser o Reino, siga. Quem já o tem, continue seguindo. Só não encha a paciência, porque ainda vivemos num país livre.


Conclusão: uma oração pastoral

O Senhor nos abençoe e nos edifique, meus irmãos.

O Senhor nos colocou aqui como pastores de um rebanho, e eu te agradeço pelo fato de que, aqui em nossa comunidade, ninguém é obrigado a ficar. Não temos prisões, nem cobranças espirituais, nem amaldiçoamos quem sai, nem dizemos que tem mais bênção quem chega. Não somos melhores nem piores do que ninguém — só queremos te entender e trocar a vida na carne pela sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, nosso Senhor. Queremos morrer, estarmos crucificados com Cristo, e termos uma nova vida contigo.

Livra-nos, Senhor, da visita dos conservadores; livra-nos dos progressistas; e livra-nos daqueles que sempre querem nos cooptar, dizendo "agora você está comigo, tem que fazer o que eu digo que tem que fazer". Livra-nos das garras daqueles que sempre têm uma boa desculpa e um belo versículo para defender a vontade do seu próprio ventre. Ajuda-nos apenas a trilhar o caminho estreito da fé, e a falarmos do teu amor segundo o que nos alcançou. E ainda que os homens ao nosso redor venham tolher a nossa liberdade, sentimo-nos livres no Espírito, pelo teu Reino, pelo teu evangelho — para, a cada dia, tentarmos ser mais parecidos contigo, Jesus, na misericórdia, na graça, no amor, como inspiraste Paulo a escrever a Timóteo: para sermos o padrão dos fiéis no trato, na justiça, na fé, na prontidão, na generosidade.

Livra-nos, Senhor, de nos curvarmos diante da estátua de Nabucodonosor, de nos curvarmos e dizermos "ave César", seja ele qual for. Somente diante de ti dobraremos os nossos joelhos, e proclamaremos: Cristo é Senhor — porque, naquele dia, toda língua terá que confessar, todo joelho terá que se dobrar, ou para juízo, ou para vida eterna. E nós queremos estar entre aqueles que fazem isso para a vida eterna.

Abençoa a nossa igreja. Estamos distantes, Senhor; temos saudade dos nossos irmãos que, por algum tempo, não vêm. Guarda-os, protege-os, para que a cada domingo sejam edificados pela tua Palavra. E possamos ser uma comunidade de fé — gente que ama no metro quadrado que pisa, para que se veja o teu amor, a tua misericórdia, a tua graça, a tua justiça. Que possamos ser bênção para as pessoas que se aproximam de nós, independentemente do caos que existe nesta terra, e que possamos ser representantes do teu Reino, levando a tua mensagem de paz.

A tua Palavra diz que os inimigos são os da própria casa, e quero dizer, Senhor, que a maior oposição que temos enfrentado vem exatamente de dentro do próprio meio evangélico. Ajuda-nos, fortalece-nos, para seguirmos pregando o teu Reino e proclamando o teu nome, assim como foi em Atos capítulo 3, quando Pedro e João foram presos. Fortalece-nos e nos dá intrepidez para que continuemos a falar da tua Palavra, independentemente das ameaças daqueles que estão no poder — mesmo em meio à perseguição, sejamos luz e sal nesta terra. É o que te pedimos, em nome de Jesus. Amém.

Que Deus te abençoe, te dê um domingo maravilhoso de descanso e paz com a tua família. Não sabemos quando vamos voltar, mas será no dia que Deus quiser. Seguimos observando e orando até lá.


Fonte: A Casa da Rocha. 11 - O Reino para todos 3: Os Publicanos - Zé Bruno - Meu Caro Amigo. https://youtu.be/3FOUx7sJjLo

favorite_border 0 chat_bubble_outline 0 visibility 4

chat_bubble_outline Comentários (0)

lock Faça login para comentar.

chat

Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a comentar!

list

Sumário

smart_toy

Dúvidas sobre a Publicação

Pergunte ao assistente

Nenhum áudio