2.2. Desvendando o Evangelho de Mateus: Características, Inclusividade e uma Proposta de Estrutura

1. Introdução: Uma Visão Geral do Primeiro Evangelho

O Evangelho de Mateus, posicionado como o primeiro livro do Novo Testamento, serve como uma ponte monumental entre as promessas do Antigo e a realidade do Novo Testamento. É um texto denso, repleto de ensinamentos, narrativas e profundidade teológica, que tem moldado o pensamento cristão ao longo dos séculos. Contudo, para apreender a totalidade de sua mensagem, é fundamental ir além de uma leitura superficial.

Este artigo propõe um mergulho nas características distintas que definem este evangelho, explorando desde sua perspectiva teológica e cultural até uma análise detalhada de sua engenhosa estrutura. O objetivo é fornecer ferramentas e insights que permitam uma compreensão mais clara e aprofundada, revelando a lógica e a beleza por trás da organização de um dos relatos mais influentes sobre a vida e o ministério de Jesus Cristo.


2. Características Fundamentais do Evangelho de Mateus

O Evangelho de Mateus possui características singulares que o distinguem e oferecem uma perspectiva teológica rica e bem definida. Uma das mais proeminentes é a apresentação de Cristo como o clímax e o cumprimento de todo o Antigo Testamento. Essa intenção é evidente desde o primeiro versículo, que introduz a genealogia de "Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão" (Mateus 1:1), conectando-o diretamente às figuras centrais da aliança de Deus com Israel.

Apesar de a maioria dos estudiosos contemporâneos acreditar que o texto foi originalmente escrito em grego, a cosmovisão do autor é profundamente hebraica. Essa mentalidade judaica molda a estrutura, a argumentação e as referências culturais do evangelho. O autor, embora escrevendo em grego, pensa com uma mente hebraica, criando camadas de significado que, por vezes, podem passar despercebidas ao leitor moderno desfamiliarizado com esse contexto.

Um pilar central na obra de Mateus é o espaço e o detalhamento dedicados ao Sermão da Montanha (capítulos 5 a 7). Nele, Jesus é retratado como o mestre por excelência, um pedagogo divino que ensina aos seus discípulos os princípios fundamentais do Reino dos Céus. Nenhum outro evangelho sinótico concede tanta proeminência e extensão a este bloco de ensinamentos.

Reforçando seu propósito principal, Mateus é o evangelista que mais recorre a citações do Antigo Testamento. Ele não apenas insere passagens, mas as utiliza de forma sistemática para demonstrar como os eventos da vida de Jesus — de seu nascimento à sua morte — são o cumprimento direto das Escrituras, validando sua identidade messiânica.

Essa abordagem resulta em um foco duplo que permeia todo o livro. Por um lado, o evangelho olha para o passado, estabelecendo a identidade de Jesus como o Messias prometido. Por outro, olha para o presente, instruindo a comunidade sobre como o evangelho deve ser vivido na prática. É uma obra que responde tanto à pergunta "Quem é Jesus?" quanto à pergunta "Como, então, devemos viver?".


3. A Genealogia Inclusiva: As Mulheres na Linhagem de Jesus (Mateus 1)

Uma das características mais surpreendentes e teologicamente ricas do Evangelho de Mateus se revela logo em seu capítulo de abertura: a genealogia de Jesus. No contexto do judaísmo do primeiro século, a inclusão de mulheres em um registro genealógico era, por si só, notável. Naquela cultura, o testemunho de uma mulher frequentemente não era considerado válido em um tribunal, sendo equiparado ao de uma criança. A estrutura social e legal relegava as mulheres a uma posição secundária.

No entanto, Mateus rompe com essa convenção ao destacar quatro mulheres específicas na linhagem messiânica, cada uma com uma história complexa e, em muitos casos, controversa, demonstrando desde o início a natureza radicalmente inclusiva da graça de Deus.

  • Tamar (Mateus 1:3): A Reivindicação da Justiça A história de Tamar é uma de injustiça e astúcia. Após a morte de seu marido, a tradição do levirato ditava que o irmão dele deveria se casar com ela para dar continuidade ao nome da família. Contudo, seu sogro, Judá, procrastinou e a negligenciou, negando-lhe esse direito. Vendo-se sem perspectivas, Tamar tomou uma atitude drástica. Disfarçando-se, ela se posicionou em um local onde sabia que seu sogro passaria. Judá, sem reconhecê-la, a procurou. Como não tinha pagamento imediato, ela pediu seu cajado como garantia. Meses depois, quando a gravidez de Tamar se tornou evidente e ela foi acusada de prostituição, ela apresentou o cajado e declarou que o dono do objeto era o pai de seu filho. Confrontado com a prova, Judá reconheceu sua própria falha em não prover um marido para ela. A inclusão de Tamar na genealogia valida sua busca por justiça, inserindo na linhagem do Messias uma mulher que se recusou a ser uma vítima passiva das circunstâncias.

  • Raabe (Mateus 1:5): A Fé de uma Estrangeira Mateus identifica Raabe como a mãe de Boaz. Sua história é notável por duas razões: ela era uma prostituta e uma gentia, habitante da cidade cananeia de Jericó. Quando os espias israelitas entraram na cidade para reconhecimento, Raabe os escondeu em sua casa, arriscando a própria vida. Seu ato não foi de mera conveniência, mas de fé declarada no Deus de Israel, a quem ela reconheceu como o Deus verdadeiro. Por causa dessa fé, ela e sua família foram poupadas durante a destruição de Jericó. Posteriormente, ela foi plenamente integrada ao povo da aliança, casou-se e se tornou uma ancestral direta do rei Davi e, consequentemente, de Jesus.

  • Rute (Mateus 1:5): A Lealdade que Transcende Fronteiras Também mencionada como ancestral de Davi, Rute era uma moabita, uma estrangeira de um povo frequentemente visto com hostilidade por Israel. Após a morte de seu marido, em vez de retornar ao seu povo, ela demonstrou uma lealdade inabalável à sua sogra, Noemi, e ao Deus de Israel. Sua integridade e caráter a levaram a encontrar favor na terra de Judá, casando-se com Boaz e se tornando a bisavó do rei Davi. Sua história é um poderoso testemunho de como a fidelidade e a devoção podem romper barreiras étnicas e culturais.

  • Bate-Seba, "aquela que tinha sido mulher de Urias" (Mateus 1:6): A Sombra do Escândalo O caso mais intrigante é o da mãe de Salomão. Em Mateus 1:6, o autor não a nomeia, referindo-se a ela apenas como "aquela que tinha sido mulher de Urias". A mulher em questão é Bate-Seba. A omissão deliberada de seu nome é um ponto que gera debate, mas parece enfatizar não a mulher em si, mas a gravidade do pecado cometido pelo rei Davi. A história é uma das mais sombrias do Antigo Testamento: enquanto suas tropas estavam na guerra, Davi permaneceu no palácio e, de seu terraço, viu Bate-Seba se banhando. Consumido pelo desejo, ele a mandou chamar e cometeu adultério com ela. Quando ela engravidou, Davi tentou encobrir seu pecado trazendo o marido dela, Urias, da batalha, na esperança de que ele dormisse com a esposa. Contudo, Urias, em um ato de extrema lealdade aos seus companheiros de armas, recusou-se a ir para casa. Vendo seu plano frustrado, Davi escreveu uma ordem para que Urias fosse colocado na linha de frente da batalha mais intensa e abandonado ali para morrer, entregando a sentença de morte nas mãos da própria vítima. Após a morte de Urias, Davi tomou Bate-Seba como esposa. Embora o filho nascido do adultério tenha morrido como juízo, eles mais tarde tiveram outro filho, Salomão, que se tornou o herdeiro do trono. Ao usar a frase "mulher de Urias", Mateus força o leitor a lembrar de todo o escândalo, sublinhando que até mesmo a linhagem do grande rei Davi foi marcada por pecado e intriga.

A presença dessas quatro figuras femininas não é acidental. Ao incluir uma mulher que sofreu injustiça, uma prostituta gentia, uma estrangeira leal e uma mulher envolvida em um escândalo de adultério e assassinato, Mateus estabelece um tema fundamental desde o início: a graça de Deus é radicalmente inclusiva. A linhagem do Messias não é feita de heróis perfeitos, mas de pessoas reais, falhas e, muitas vezes, marginalizadas. Essa genealogia funciona como um prefácio para toda a mensagem do evangelho, demonstrando que a mesa de Cristo tem espaço para qualquer pessoa que se volte para Ele em arrependimento e fé, antecipando a ordem final de levar as boas novas a todas as nações.


4. Uma Proposta de Estrutura: Mateus em Cinco Livros

Além de suas ricas características temáticas, a própria arquitetura do Evangelho de Mateus revela uma organização cuidadosa e didática. Uma proposta de organização, destacada por estudiosos como D.A. Carson e Douglas J. Moo em sua obra "Introdução ao Novo Testamento", oferece uma visão fascinante sobre como o conteúdo foi arranjado. Segundo essa perspectiva, o evangelho pode ser dividido em cinco seções principais, ou "livros", que seguem um padrão consistente: um bloco de conteúdo narrativo, onde se relatam os acontecimentos, é sempre seguido por um longo discurso de Jesus.

Essa divisão em cinco partes levou alguns intérpretes, no passado, a supor que Mateus estaria intencionalmente criando um paralelo com o Pentateuco, os cinco livros de Moisés. A ideia era que Jesus estaria sendo apresentado como um novo e maior Moisés, entregando a nova lei do Reino. Contudo, essa teoria é amplamente considerada insustentável hoje, pois não há evidências textuais ou históricas suficientes para atribuir tal intenção específica ao autor do evangelho.

Ainda assim, a divisão baseada no padrão "narrativa seguida de discurso" permanece como uma ferramenta extremamente útil para a compreensão do fluxo do livro. Ela nos permite enxergar o evangelho não como uma coleção aleatória de histórias e ditos, mas como uma obra cuidadosamente estruturada. A organização geral, portanto, se apresenta da seguinte forma:

  • Preâmbulo (Introdução)
  • Livro 1 (Narrativa + Discurso)
  • Livro 2 (Narrativa + Discurso)
  • Livro 3 (Narrativa + Discurso)
  • Livro 4 (Narrativa + Discurso)
  • Livro 5 (Narrativa + Discurso)
  • Epílogo (Conclusão)

Essa estrutura oferece uma visão macro que facilita a navegação e a interpretação da progressão da mensagem de Mateus.


5. A Estrutura Detalhada do Evangelho de Mateus (Versão Revisada e Ampliada)

Seguindo a proposta de uma obra em cinco "livros", podemos percorrer o Evangelho de Mateus com uma nova clareza, observando como cada seção se constrói sobre a anterior, desenvolvendo temas cruciais de forma progressiva e didática.

  • Preâmbulo (Capítulos 1-2): A Apresentação de Jesus Estes dois capítulos iniciais funcionam como uma abertura formal. Eles estabelecem a identidade de Jesus através da genealogia, narram as circunstâncias de seu nascimento, a visita dos magos, a perseguição por Herodes com a consequente fuga para o Egito e, finalmente, seu estabelecimento em Nazaré. O preâmbulo responde à pergunta fundamental: "Quem é este Jesus?".

  • Livro 1 (Capítulos 3-7): O Discipulado

    • Narrativa (3-4): A ação começa com o ministério de João Batista, que prepara o caminho. Segue-se o batismo e a tentação de Jesus, eventos que marcam o início de seu ministério público. Jesus então começa a pregar e chama seus primeiros discípulos, formando o núcleo de sua comunidade. O tema central é a formação do discípulo.
    • Discurso (5-7): Este é o célebre Sermão da Montanha. Nele, Jesus ensina os padrões do Reino, e um ponto de virada se encontra em Mateus 5:17: "Não pensem que vim abolir a Lei ou os Profetas; não vim abolir, mas cumprir". A palavra grega para "abolir" (καταλῦσαι, katalysai) carrega a ideia de "destruir" ou "implodir". Jesus não veio para demolir a estrutura da Lei. Pelo contrário, Ele veio para "cumprir", do verbo grego pleróo, que significa "preencher até a plenitude", a mesma raiz da palavra pleroma (plenitude).
    • Para visualizar esse conceito, imagine um copo dentro de uma bacia. A Lei pode ser vista como o copo. Os ensinamentos de Jesus são como a água que não apenas enche o copo até a borda, mas transborda, enchendo também toda a bacia. Ele pega o mandamento "Não matarás" e o transborda, mostrando que o ódio no coração já é um assassinato espiritual. Ele pega o mandamento "Não cometerás adultério" e o leva à sua plenitude, revelando que o desejo impuro no pensamento já é uma violação da Lei em seu nível mais profundo. Jesus, portanto, não anula a Lei, mas a revela em sua intenção e profundidade máximas, movendo o foco do ato externo para a condição interna do coração.
  • Livro 2 (Capítulos 8-10): O Apostolado

    • Narrativa (8-9): Esta seção demonstra o poder e a autoridade de Jesus através de uma série de milagres: curas de leprosos, paralíticos e cegos, poder sobre demônios e até sobre a natureza, ao acalmar a tempestade. É aqui que ocorre o chamado de Mateus, o coletor de impostos. A narrativa culmina com Jesus observando as multidões "aflitas e desamparadas, como ovelhas sem pastor" e declarando: "A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Peçam, pois, ao Senhor da colheita que envie trabalhadores para a sua colheita" (Mateus 9:36-38).
    • Discurso (10): Em resposta direta à necessidade vista na narrativa, Jesus envia seus doze discípulos (agora apóstolos, "enviados"). Este capítulo contém as instruções detalhadas para a missão, preparando-os para o trabalho que devem realizar em seu nome.
  • Livro 3 (Capítulos 11-13): O Ocultar da Revelação

    • Narrativa (11-12): O tema aqui é o paradoxo de uma revelação que é, ao mesmo tempo, velada. João Batista, da prisão, envia mensageiros para perguntar se Jesus é de fato o Messias. A resposta de Jesus é indireta, apontando para suas obras. Quando pedem um sinal explícito, Jesus oferece apenas o "sinal de Jonas", uma referência velada à sua morte e ressurreição. A verdade é apresentada de uma forma que "fala, mas não fala", sendo clara para quem tem fé, mas oculta para o coração endurecido (Aprofunde no tema: Por que João Batista duvidou).
    • Discurso (13): Este discurso é composto inteiramente por parábolas (a do semeador, do joio, do grão de mostarda). As parábolas são o método de ensino perfeito para este tema: elas revelam a verdade aos que buscam, mas a escondem daqueles que são indiferentes ou hostis.
  • Livro 4 (Capítulos 14-18): A Igreja e sua Administração

    • Narrativa (14-17): O foco se volta para a comunidade de seguidores de Jesus. A narrativa mostra Jesus cuidando de seu povo: após a decapitação de João Batista, um evento ameaçador, Jesus alimenta a multidão no deserto. Ele anda sobre as águas, mostrando seu poder sobre aquilo que, na cultura judaica, representava o caos e o terror: o mar. É um ato que demonstra seu cuidado protetor. O clímax é a confissão de Pedro: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo" (Mateus 16:16), sobre a qual Jesus declara que edificará sua Igreja.
    • Discurso (18): Com a Igreja estabelecida sobre essa confissão, Jesus instrui sobre como a comunidade deve viver. Aborda temas como humildade (quem é o maior), o valor de cada indivíduo (a ovelha perdida) e a importância vital do perdão (o servo impiedoso).
  • Livro 5 (Capítulos 19-25): O Juízo

    • Narrativa (19-22): A atmosfera muda para uma de juízo iminente. Jesus entra em Jerusalém, purifica o templo de forma dramática e amaldiçoa a figueira estéril, atos que simbolizam o julgamento sobre a religiosidade infrutífera.
    • Discurso (23-25): Conhecido como o Discurso das Oliveiras, Jesus pronuncia uma série de condenações aos mestres da lei e fariseus ("ais"), profetiza a destruição do templo e fala abertamente sobre o fim dos tempos e o julgamento final das nações.
  • Epílogo (Capítulos 26-28): Paixão, Morte e Ressurreição A estrutura conclui com a narrativa culminante da conspiração, a unção em Betânia, a Última Ceia, a traição e prisão, o julgamento, a crucificação e, finalmente, o evento que fundamenta toda a fé cristã: sua ressurreição. O livro termina com a Grande Comissão, a ordem para levar esta mensagem a todo o mundo.


6. Conclusão: A Relevância Contínua de Mateus

Ao desvendar o Evangelho de Mateus, percebemos que ele é muito mais do que uma simples biografia. É uma obra teológica e literária de imensa profundidade, construída com propósito e precisão. Suas características fundamentais — a apresentação de Jesus como o cumprimento das Escrituras, sua rica cosmovisão hebraica e a ênfase no discipulado prático — oferecem um retrato robusto do Messias e de seu Reino.

A inclusividade radical, demonstrada desde a genealogia, estabelece um tom de graça que ecoa por todo o texto, mostrando que o chamado de Cristo transcende barreiras culturais, sociais e morais. Além disso, a estrutura didática, organizada em um padrão de narrativas e discursos, não apenas facilita a compreensão, mas também revela uma progressão lógica na mensagem, guiando o leitor desde a identidade de Jesus até as implicações de segui-lo.

De sua abertura, que conecta Jesus à história de Israel, até sua conclusão, com a ordem universal da Grande Comissão, Mateus apresenta um evangelho que é ao mesmo tempo judaico em suas raízes e global em seu alcance. Estudar suas camadas é descobrir um manual para a fé, que continua a desafiar, instruir e inspirar a igreja a viver segundo os ensinamentos do Rei, séculos após ter sido escrito.


Resumo de Fixação: Desvendando o Evangelho de Mateus

Tópico Principal Resumo dos Pontos-Chave
Características Gerais Apresenta Cristo como o cumprimento do Antigo Testamento. Possui uma forte cosmovisão hebraica e é o evangelho que mais cita as Escrituras. Tem um foco duplo: olhar para o passado (identidade de Jesus) e para o presente (como viver o evangelho).
Genealogia Inclusiva (Mateus 1) Mateus rompe com as convenções ao incluir mulheres em sua genealogia, cada uma com uma história complexa: Tamar (buscou justiça), Raabe (prostituta gentia que demonstrou fé), Rute (estrangeira leal) e Bate-Seba (citada como "mulher de Urias", lembrando o pecado de Davi). Isso demonstra a graça inclusiva de Deus.
Estrutura Proposta O evangelho pode ser dividido em 5 "livros" principais, cada um seguindo o padrão de Narrativa + Discurso. Essa estrutura, popularizada por Carson e Moo, ajuda a entender a progressão lógica do texto, embora a teoria de um paralelo com o Pentateuco seja hoje descartada.
Livro 1: O Discipulado (Cap. 3-7) Narrativa: Batismo, tentação e chamado dos primeiros discípulos. Discurso: O Sermão da Montanha, onde Jesus ensina sobre a plenitude da Lei (pleróo), movendo o pecado da ação externa para a intenção do coração.
Livro 2: O Apostolado (Cap. 8-10) Narrativa: Jesus demonstra sua autoridade através de milagres (curas, poder sobre a natureza). Discurso: Jesus envia os doze apóstolos com instruções para a missão.
Livro 3: O Ocultar da Revelação (Cap. 11-13) Narrativa: A revelação de Jesus é velada (resposta a João Batista, o "sinal de Jonas"). Discurso: As parábolas do Reino, que revelam a verdade aos que buscam e a escondem dos indiferentes.
Livro 4: A Igreja e sua Administração (Cap. 14-18) Narrativa: Jesus cuida de sua comunidade (multiplicação dos pães, anda sobre as águas) e a estabelece sobre a confissão de Pedro. Discurso: Instruções sobre a vida na comunidade (perdão, humildade, cuidado mútuo).
Livro 5: O Juízo (Cap. 19-25) Narrativa: Atos simbólicos de juízo (purificação do templo, figueira amaldiçoada). Discurso: O Discurso das Oliveiras, com a condenação dos fariseus e profecias sobre o fim dos tempos e o julgamento.
Preâmbulo e Epílogo O Preâmbulo (Cap. 1-2) apresenta a identidade de Jesus (nascimento, magos). O Epílogo (Cap. 26-28) narra os eventos da Paixão, Morte e Ressurreição, culminando na Grande Comissão.

Questões de Verdadeiro ou Falso

Leia as afirmações abaixo e marque (V) para Verdadeiro ou (F) para Falso, com base no conteúdo do artigo.

  1. ( ) Mateus inclui em sua genealogia as mulheres Tamar, Raabe, Rute e Bate-Seba, citando o nome de todas elas para honrá-las por suas histórias de fé.
  2. ( ) A estrutura de Mateus em cinco "livros" foi intencionalmente criada para ser um paralelo direto com o Pentateuco, apresentando Jesus como um novo Moisés, uma teoria amplamente aceita hoje.
  3. ( ) No Sermão da Montanha, Jesus afirma que veio para abolir a Lei do Antigo Testamento e substituí-la pela graça, tornando os mandamentos antigos inválidos.
  4. ( ) O Evangelho de Mateus é notável por ser o que menos utiliza citações do Antigo Testamento, focando-se exclusivamente nos novos ensinamentos de Jesus.
  5. ( ) A proposta de estrutura de Mateus em cinco partes segue um padrão consistente, no qual uma seção de discurso de Jesus é sempre seguida por um bloco de conteúdo narrativo.
  6. ( ) No Livro 3, o tema da "revelação oculta" é explorado através de respostas diretas de Jesus e milagres claros, sem o uso de parábolas ou linguagem velada.
  7. ( ) A confissão de Pedro, "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo", é o evento central da narrativa do Livro 4, que trata da administração da Igreja.
  8. ( ) A inclusão de mulheres com histórias controversas na genealogia de Jesus serve para demonstrar que a linhagem messiânica era composta apenas por pessoas perfeitas e de moral impecável.
  9. ( ) O Evangelho de Mateus termina com a narrativa da crucificação, sem mencionar a ressurreição ou dar uma ordem final aos discípulos.
  10. ( ) O Livro 5, que trata do tema do Juízo, inclui a entrada triunfal em Jerusalém, a purificação do templo e o discurso de Jesus sobre o fim dos tempos.

Gabarito Comentado

  1. (F) Falso. Embora Mateus inclua essas mulheres, ele não cita o nome de Bate-Seba, referindo-se a ela apenas como "aquela que tinha sido mulher de Urias". Essa omissão deliberada provavelmente serve para enfatizar a gravidade do pecado de Davi, em vez de honrar Bate-Seba diretamente naquele contexto.
  2. (F) Falso. O artigo menciona que a teoria de um paralelo com o Pentateuco, embora já tenha sido proposta, é hoje amplamente descartada pelos estudiosos por falta de evidências que sustentem essa intenção por parte do autor.
  3. (F) Falso. O artigo explica que Jesus, em Mateus 5:17, afirma que não veio "abolir", mas "cumprir" (do grego pleróo). Isso significa levar a Lei à sua plenitude, radicalizando-a ao aplicá-la às intenções do coração, e não invalidando-a.
  4. (F) Falso. O artigo afirma o exato oposto: Mateus é o evangelho que mais recorre a citações do Antigo Testamento para provar que Jesus é o Messias prometido.
  5. (F) Falso. O padrão é o inverso. Cada "livro" é composto por uma seção de narrativa que é seguida por um longo discurso de Jesus, e não o contrário.
  6. (F) Falso. O Livro 3 é caracterizado precisamente pelo uso de linguagem velada ("o sinal de Jonas") e pelo ensino através de parábolas, que revelam a verdade a alguns enquanto a ocultam de outros.
  7. (V) Verdadeiro. A confissão de Pedro é o evento culminante da narrativa do Livro 4, sobre o qual Jesus declara que edificará sua Igreja, sendo central para o tema da administração da comunidade de fé.
  8. (F) Falso. O propósito teológico da inclusão dessas mulheres é demonstrar o oposto: a graça radicalmente inclusiva de Deus, que age através de pessoas falhas, marginalizadas e com histórias complexas para cumprir seus propósitos.
  9. (F) Falso. O epílogo do Evangelho de Mateus (capítulos 26-28) narra a Paixão, mas culmina com a Ressurreição de Jesus e a Grande Comissão, a ordem final para levar o evangelho a todas as nações.
  10. (V) Verdadeiro. Conforme descrito na estrutura, o Livro 5 abrange os capítulos 19 a 25 e seu tema é o Juízo, contendo exatamente esses eventos narrativos e discursivos.

Avatar de diego
há 3 semanas
Matéria: Religião
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