2.10. O Chamado à Compaixão: Lições de Jesus sobre Inclusão, Poder e Missão em Mateus 9-10

1. Um Convite à Mesa: O Reino de Deus para Publicanos e Pecadores (Mateus 9:9-13)

A narrativa do Evangelho de Mateus, após demonstrar o poder de Jesus para perdoar pecados, apresenta uma cena que redefine radicalmente os contornos da comunidade da fé. O chamado de Mateus e o subsequente banquete em sua casa servem como um poderoso manifesto sobre a natureza inclusiva e misericordiosa do Reino de Deus.

O episódio se inicia com um convite direto e transformador. Jesus, ao passar, vê Mateus sentado na coletoria, o local onde os impostos eram recolhidos para o Império Romano. Para a sociedade judaica do primeiro século, um publicano como Mateus era mais do que um simples funcionário; era um símbolo de traição e corrupção. Eram vistos como demônios em forma de gente, agentes de um poder opressor que enriqueciam ilicitamente à custa de seu próprio povo. Em uma cultura que valorizava a pureza e a separação, Mateus era o retrato do impuro e do marginalizado. É justamente a este homem que Jesus dirige as palavras: "Segue-me". A resposta de Mateus é imediata: ele se levanta e o segue, abandonando sua fonte de riqueza e seu posto de poder local para se juntar a um mestre itinerante.

O impacto desse chamado reverbera no evento seguinte. Em sua casa, Mateus oferece um banquete, e a lista de convidados é reveladora: "muitos publicanos e pecadores vieram e tomaram lugares com Jesus e seus discípulos". A mesa, um lugar de intimidade e aceitação, torna-se o palco de um escândalo para os observadores religiosos da época, os fariseus. Indignados, eles não confrontam Jesus diretamente, mas questionam seus discípulos:

"Por que come o vosso mestre com publicanos e pecadores?"

A pergunta carrega o peso do juízo. Para os fariseus, a santidade se media pela separação. Comer com pecadores era contaminar-se, era validar um estilo de vida contrário à Lei. Eles operavam em uma lógica de exclusão, onde os "justos" (eles mesmos) não deveriam se misturar com a escória da sociedade. O "pecador", nesse contexto, era todo aquele que não seguia rigorosamente suas interpretações da Lei, tornando-se um rótulo aplicado a qualquer um que não se encaixasse em seu molde de retidão.

Jesus, ouvindo a acusação, responde com uma clareza que desmantela a teologia farisaica e estabelece o propósito de sua vinda. Sua primeira declaração é uma analogia médica: "Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes". Com essa frase, Jesus não apenas justifica sua ação, mas também diagnostica a condição espiritual tanto dos pecadores quanto dos fariseus. Ele se posiciona como o médico da alma, cuja missão é buscar e curar aqueles que reconhecem sua enfermidade espiritual. Os fariseus, em sua autossuficiência, não se viam como doentes e, portanto, não sentiam necessidade do médico divino.

Em seguida, Jesus aprofunda seu argumento, enviando-os de volta às Escrituras que eles tanto prezavam, mas tão pouco compreendiam em sua essência:

"Ide, porém, e aprendei o que significa misericórdia quero e não holocaustos, pois não vim chamar justos, sim pecadores ao arrependimento."

Ao citar o profeta Oseias, Jesus eleva a misericórdia acima do ritualismo. Ele revela que o coração de Deus se inclina muito mais para a compaixão, o perdão e a restauração do que para os sacrifícios e cerimônias religiosas vazias. Sua missão não era endossar um clube de justos auto-declarados, mas estender a mão àqueles que a sociedade e a religião haviam descartado. Essa passagem joga uma "água fria" na fervura do julgamento humano, lembrando-nos que todos, sem exceção, são carentes da graça e que a verdadeira espiritualidade não se encontra no ato de apontar o erro alheio, mas em sentar-se à mesa com o Médico das almas.


2. Vinho Novo em Odres Velhos: A Nova Aliança que Desafia a Religião (Mateus 9:14-17)

Logo após o confronto sobre com quem Jesus se associava, surge uma nova questão, desta vez sobre as práticas de devoção. Os discípulos de João Batista, juntamente com os fariseus, aproximam-se de Jesus com uma dúvida pertinente: por que eles jejuavam com frequência, como era o costume religioso, enquanto os discípulos de Jesus não o faziam? A pergunta expõe uma tensão fundamental entre a antiga e a nova ordem que Cristo estava inaugurando.

A resposta de Jesus começa com uma analogia cheia de significado para a cultura judaica. Ele compara sua presença entre os discípulos a uma festa de casamento:

"Podem acaso estar tristes os convidados para o casamento enquanto o noivo está com eles? Dias virão, contudo, em que lhes será tirado o noivo, e nesses dias hão de jejuar."

Ao se identificar como o "noivo", Jesus evoca uma rica imagem do Antigo Testamento, onde Deus é frequentemente descrito como o esposo de Israel. Ele estava declarando ser o Messias, cuja presença era motivo de celebração e alegria, não de contrição e luto, sentimentos associados ao jejum. O jejum teria seu lugar, mas somente quando o noivo fosse tirado, um prenúncio de sua morte e ascensão. Com isso, Jesus desloca o centro da espiritualidade: não se trata mais de cumprir um ritual, mas de responder à sua presença.

Para aprofundar a lição, Jesus utiliza duas parábolas curtas e poderosas que ilustram a incompatibilidade entre sua mensagem e as estruturas religiosas existentes. Primeiro, ele fala sobre o remendo: "Ninguém põe remendo de pano novo em veste velha, porque o remendo tira parte da veste e fica maior a rotura". Um tecido novo, ao ser lavado, encolhe e rasga a frágil roupa velha ao seu redor. Em seguida, a imagem do vinho: "Nem se põe vinho novo em odres velhos. Do contrário, rompem-se os odres, derrama-se o vinho, e os odres se perdem". O vinho novo fermenta, expandindo-se e liberando gases. Um odre de couro novo é flexível e pode se dilatar, mas um odre velho, já ressecado e rígido, não suporta a pressão e inevitavelmente estoura.

A mensagem é clara e disruptiva: o Evangelho, o "vinho novo" da graça, da liberdade e de um relacionamento vivo com Deus, não pode ser contido nas estruturas rígidas e legalistas da religião tradicional, os "odres velhos". Tentar forçar o dinamismo do Reino de Deus nas velhas formas de pensar, baseadas em rituais e exclusão, levaria à destruição de ambos. A nova aliança não é um simples reparo ou uma atualização da antiga; é uma realidade completamente nova que exige um "odre novo" — um coração e uma mente transformados, renovados pela fé. A religião engessada dos fariseus não podia suportar a liberdade expansiva de Cristo; era preciso escolher entre rejeitar o vinho ou permitir que os odres estourassem.


3. O Toque do Messias: Milagres que Revelam Poder sobre a Doença, a Morte e os Demônios (Mateus 9:18-34)

Após estabelecer os princípios teológicos de sua missão, Jesus passa a demonstrá-los através de uma série de milagres que revelam a extensão de sua autoridade. Mateus agrupa esses eventos de forma a construir um argumento irrefutável sobre a identidade messiânica de Cristo, mostrando-o como um Deus presente, acessível e soberano sobre as forças mais temidas pela humanidade: a doença, a morte e o domínio demoníaco.

A sequência se inicia com o pedido desesperado de Jairo, um chefe da sinagoga, cuja filha acabara de falecer. Enquanto Jesus se dirige à sua casa, ocorre um dos encontros mais comoventes do Evangelho. Uma mulher, que sofria há doze anos com uma hemorragia — uma condição que a tornava cerimonialmente impura e socialmente isolada —, aproxima-se por trás dele. Sua fé era simples e focada:

"Se eu apenas lhe tocar a veste, ficarei curada."

Ela o toca e é instantaneamente curada. Jesus, sentindo que poder saíra dele, para e a procura na multidão. Ao encontrá-la, Ele não a repreende por sua audácia, mas a afirma com ternura: "Tem bom ânimo, filha, a tua fé te salvou". Este milagre destaca um Messias que não apenas possui poder, mas que se permite ser tocado pela fé desesperada dos marginalizados.

Chegando à casa de Jairo, a cena é de luto formal, com tocadores de flauta e um povo em alvoroço. Jesus confronta a resignação da morte com uma declaração surpreendente: "a menina não está morta, ela só dorme". Sua afirmação é recebida com risos de escárnio, mas para Aquele que é a própria Vida, a morte é apenas um estado temporário. Ele entra, toma a menina pela mão, e ela se levanta. Jesus demonstra, assim, sua soberania absoluta sobre o último inimigo, a morte.

A jornada de cura continua com dois cegos que o seguem, clamando com um título messiânico: "Tem compaixão de nós, filho de Davi!". Dentro de casa, num ambiente mais íntimo, Jesus lhes faz uma pergunta crucial: "Credes que eu posso fazer isso?". Após a afirmação de fé ("Sim, Senhor"), Ele os toca e declara: "Faça-sevos conforme a vossa fé". A cura não é um espetáculo, mas uma resposta direta à fé que o reconhece como Senhor.

O clímax desta seção, no entanto, ocorre com a cura de um mudo endemoniado. Este milagre possuía um significado especial para o contexto judaico. A tradição rabínica da época sustentava que, para expelir um demônio, era necessário saber seu nome. Como um homem mudo não podia revelar o nome do espírito que o afligia, acreditava-se que apenas o Messias, com seu conhecimento divino e autoridade inerente, poderia realizar tal feito. Por isso, a reação da multidão é de assombro sem precedentes:

"Jamais se viu tal coisa em Israel."

Eles testemunharam um sinal que, em sua compreensão, era uma prerrogativa exclusiva do Messias. Contudo, os fariseus, diante da evidência que não podiam negar, recorrem à blasfêmia, atribuindo a obra de Deus ao príncipe dos demônios: "Pelo maioral dos demônios é que ele espele demônios". Eles preferem inverter a ordem espiritual a aceitar que Jesus é quem os sinais declaram ser. Esta série de milagres, portanto, não apenas alivia o sofrimento humano, mas força uma decisão: reconhecer Jesus como o Messias prometido ou rejeitá-lo, atribuindo seu poder divino a uma fonte maligna.


4. A Colheita é Grande: O Coração Compassivo de Jesus e o Chamado por Trabalhadores (Mateus 9:35-38)

No final do capítulo 9, Mateus sintetiza a essência do ministério de Jesus, revelando não apenas a extensão de suas obras, mas, fundamentalmente, a motivação por trás delas. Este trecho serve como uma ponte crucial, conectando as demonstrações de poder messiânico ao chamado e envio dos discípulos. Aqui, o foco se desloca do poder para a paixão, da autoridade para a compaixão.

O evangelista descreve a rotina de Jesus de forma abrangente: "E percorria Jesus todas as cidades e povoados". Seu ministério é apresentado em três dimensões distintas, representadas por três verbos gregos significativos. Ele estava ensinando (didaskon) nas sinagogas, oferecendo instrução e edificação. Ele estava pregando (kerysson) o evangelho do Reino, proclamando as boas-novas da chegada do governo de Deus. E ele estava curando (therapeuon) toda sorte de doenças e enfermidades, demonstrando um cuidado terapêutico que restaurava o ser humano em sua totalidade — física, mental e espiritual.

No entanto, o clímax do trecho não está no que Jesus fazia, mas no que Ele sentia ao ver as pessoas. O texto revela a profundidade de seu coração:

"Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor."

O verbo traduzido como "compadeceu-se" é o grego splagchnizomai, uma palavra intensa que se refere a uma comoção sentida nas entranhas, nas partes mais profundas do ser. Não era uma pena superficial, mas uma dor visceral que o movia por dentro. Ele não via apenas uma massa de gente; Ele via indivíduos degenerados pela queda, cansados pelo peso da vida, explorados por líderes religiosos (fariseus) e políticos (saduceus), e desorientados sem uma liderança espiritual genuína. Eram "ovelhas que não têm pastor", uma imagem poderosa que denunciava a falha dos sistemas religiosos e sociais da época.

Esta profunda compaixão é a chave para entender o Reino de Deus. O poder de Jesus não é um fim em si mesmo, mas uma ferramenta a serviço do amor. Uma pessoa com poder, mas sem amor, causa destruição. Uma pessoa com amor usa seu poder para o bem. O descanso e a segurança do povo de Deus não residem meramente em Sua onipotência, mas em Seu caráter amoroso, revelado plenamente na cruz.

É a partir desse sentimento avassalador que Jesus se volta para seus discípulos, não para lhes dar poder, mas para compartilhar seu fardo e sua visão: "A seara, na verdade é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois ao Senhor da seara, que mande mais trabalhadores para a sua seara." Ele os convida a sentir o que Ele sente, a ver as multidões com os mesmos olhos de compaixão. A solução para o sofrimento humano não é um programa ou uma estratégia, mas pessoas — trabalhadores que, movidos pela mesma compaixão divina, se disponham a entrar no campo e cuidar da colheita. O chamado não é para espectadores do poder de Deus, mas para participantes de Sua missão compassiva.


5. Enviados como Ovelhas entre Lobos: O Custo e a Recompensa do Discipulado (Mateus 10)

O capítulo 10 de Mateus flui diretamente da compaixão de Jesus pelas multidões. A oração por mais trabalhadores é imediatamente respondida com a escolha e o comissionamento dos doze apóstolos. Este capítulo funciona como um manual de discipulado, detalhando a identidade dos enviados, a natureza de sua missão, os desafios inevitáveis que enfrentariam e a promessa final de recompensa.

A escolha dos doze revela um princípio fundamental do Reino: Deus usa pessoas comuns para uma missão extraordinária. A lista inclui pescadores como Pedro e André, um cobrador de impostos desprezado como Mateus, um nacionalista zelote como Simão e até mesmo Judas Iscariotes, "que o traiu". Não eram a elite religiosa ou intelectual, mas homens com corações moldáveis, escolhidos para serem os portadores da mensagem mais transformadora da história. A eles, Jesus confere autoridade "sobre espíritos imundos, para os expelir, e para curar toda sorte de doenças e enfermidades", capacitando-os a continuar o seu próprio ministério de pregação e cura.

As instruções para a missão são claras e radicais. Inicialmente, o foco é direcionado às "ovelhas perdidas da casa de Israel". A mensagem central é a proclamação de que "está próximo o reino dos céus". A prática deve ser marcada pela generosidade ("De graça recebestes, de graça dai") e pelo desapego material, confiando inteiramente na provisão divina. Eles são instruídos a não se preocuparem com ouro, prata, roupas extras ou mesmo sandálias, pois "digno é o trabalhador do seu alimento". Sua segurança não estaria em seus recursos, mas na soberania dAquele que os enviou.

Jesus, no entanto, não romantiza a missão. Ele os adverte sobre os perigos e desafios com uma honestidade brutal:

"Eis que eu vos envio como ovelhas no meio de lobos; sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas."

Ele prevê perseguição, traição familiar, ódio e oposição das autoridades religiosas e civis. Os discípulos seriam levados a tribunais e açoitados, mas mesmo nesses momentos, não estariam sozinhos; o Espírito do Pai falaria por meio deles. O custo do discipulado é apresentado sem rodeios: amar a Cristo acima dos laços familiares mais íntimos e tomar a própria cruz. A cruz, neste contexto, simboliza a disposição de morrer para si mesmo, para seus próprios interesses e ambições, a fim de seguir Jesus plenamente. "Quem acha a sua vida, perdê-la-á; quem, todavia, perde a vida por minha causa, achá-la-á."

Apesar do alto custo, a missão é revestida de uma promessa gloriosa. Jesus assegura que nenhuma hostilidade passará despercebida e que o valor deles excede em muito o dos pardais, cujas vidas já estão sob o cuidado do Pai. A fidelidade em confessá-lo diante dos homens resultará em serem confessados por Ele diante do Pai. E, finalmente, o capítulo se encerra com a promessa da recompensa, o "galardão". Aqueles que recebem os mensageiros de Cristo, na verdade, recebem o próprio Cristo e o Pai que o enviou. Até mesmo o menor ato de bondade, como oferecer um copo de água fria a um de seus seguidores, não perderá sua recompensa. O discipulado é, portanto, um caminho de sacrifício e perseguição, mas também de profunda intimidade com Deus, propósito divino e uma herança eterna garantida.


Síntese em Tabela

A seguir, apresento uma tabela de resumo executivo com os principais elementos abordados no artigo, extraídos dos capítulos 9 e 10 de Mateus.

Subtópico Pontos Principais Conceitos-Chave e Definições Dados e Referências Importantes
1. Um Convite à Mesa Jesus chama Mateus, um publicano, e come com pecadores, demonstrando um Reino inclusivo e focado na misericórdia, não no ritualismo. Publicano: Coletor de impostos desprezado, considerado traidor. Misericórdia vs. Holocausto: Deus valoriza a compaixão e o perdão acima dos sacrifícios religiosos formais. "Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes." (Mateus 9:12). Citação de Oseias 6:6: "Misericórdia quero e não holocaustos." (Mateus 9:13).
2. Vinho Novo em Odres Velhos A mensagem do Evangelho ("vinho novo") é incompatível com as estruturas rígidas e legalistas da religião tradicional ("odres velhos"). Vinho Novo: A nova aliança da graça, liberdade e relacionamento com Cristo. Odres Velhos: Sistemas religiosos que engessam a fé e impedem a ação do Espírito. O Noivo: Título messiânico de Jesus, cuja presença é motivo de alegria. "Ninguém põe remendo de pano novo em veste velha..." (Mateus 9:16). "...nem se põe vinho novo em odres velhos." (Mateus 9:17).
3. O Toque do Messias Através de uma série de milagres, Jesus revela sua autoridade divina sobre a doença, a morte e os demônios, forçando uma decisão sobre sua identidade messiânica. Fé: A confiança ativa no poder e na identidade de Jesus, sendo o canal para o milagre. Sinal Messiânico: A cura do mudo endemoniado era tida como um feito exclusivo do Messias. Cura da mulher que sofria há 12 anos. "A tua fé te salvou." (Mateus 9:22). "Jamais se viu tal coisa em Israel." (Mateus 9:33).
4. A Colheita é Grande A motivação central do ministério de Jesus é uma compaixão visceral pelas multidões, o que o leva a convocar seus discípulos a orarem por mais trabalhadores para a missão. Compaixão (Splagchnizomai): Sentimento profundo, vindo das entranhas, que move à ação. Seara: O mundo e as pessoas que necessitam do Evangelho. Ministério Triplo: Ensinar, Pregar e Curar. "Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas..." (Mateus 9:36). "A seara, na verdade é grande, mas os trabalhadores são poucos." (Mateus 9:37).
5. Enviados como Ovelhas entre Lobos Jesus escolhe homens comuns, os comissiona e os prepara para uma missão que envolve perseguição, sacrifício ("tomar a cruz") e uma recompensa eterna ("galardão"). Discipulado: Um chamado para seguir Cristo que implica sacrifício pessoal e serviço. Ovelhas entre Lobos: Metáfora da vulnerabilidade e da hostilidade que os discípulos enfrentariam. Galardão: A recompensa divina e eterna pela fidelidade. A escolha dos 12 apóstolos. "Quem não toma a sua cruz e vem após mim, não é digno de mim." (Mateus 10:38). "Quem vos recebe, a mim me recebe..." (Mateus 10:40).

Aplicação Prática

A mensagem contida nos capítulos 9 e 10 de Mateus não é apenas um registro histórico, mas um chamado vivo e atuante para a vida cristã hoje. Aqui está um guia prático para internalizar e aplicar esses ensinamentos em diferentes áreas da vida.

1. Avalie Sua Mesa: Praticando a Inclusão Radical

O exemplo de Jesus comendo com publicanos e pecadores nos desafia a examinar quem convidamos para a nossa "mesa" — literal e metaforicamente.

  • Passos Concretos:

    1. Liste seus Círculos: Faça uma lista das pessoas com quem você mais interage. Quão diversas elas são em termos de história de vida, crenças e contexto social?
    2. Identifique os "Publicanos": Pense em quem a sociedade ou até mesmo o seu círculo religioso tende a marginalizar hoje. Podem ser pessoas com diferentes visões políticas, orientações sexuais, passados problemáticos ou que simplesmente não se encaixam no "molde".
    3. Estenda um Convite: Tome a iniciativa de convidar alguém de fora do seu círculo habitual para um café, um almoço ou um evento. O objetivo não é converter, mas ouvir, construir pontes e oferecer aceitação.
  • Exemplo Prático: Em seu ambiente de trabalho, em vez de sempre almoçar com o mesmo grupo, convide aquele colega que parece isolado ou que tem opiniões muito diferentes das suas. Ouça sua história sem a intenção de corrigi-lo.

2. Verifique seus "Odres": Cultivando uma Fé Flexível

A parábola do vinho novo em odres velhos nos alerta contra uma fé engessada que resiste ao que Deus está fazendo de novo.

  • Exercício de Reflexão:

    • Quais são as "tradições" ou "regras não escritas" que governam sua vida espiritual?
    • Existe alguma área em que você pensa "isso sempre foi feito assim" e resiste a novas formas de entender ou praticar a fé?
    • Você está mais apegado à forma (o odre) do que ao conteúdo (o vinho)?
  • Sugestões por Contexto:

    • Pessoal: Desafie-se a ler um livro ou ouvir um podcast de um autor cristão com uma perspectiva teológica diferente da sua. Mantenha a mente aberta para aprender.
    • Igreja: Se sua comunidade parece resistente a mudanças que poderiam alcançar novas pessoas, inicie conversas respeitosas sobre como ser um "odre novo" para o que Deus quer derramar hoje.

3. Sinta com as Entranhas: Desenvolvendo a Compaixão

A compaixão de Jesus não era superficial. Ele sentia a dor das pessoas. Precisamos pedir a Deus que nos dê olhos e um coração como os Dele.

  • Passos Concretos:
    1. Observe Ativamente: Ao caminhar pela rua, no transporte público ou no mercado, olhe para o rosto das pessoas. Tente imaginar suas lutas, suas alegrias, suas dores. Ore silenciosamente por elas.
    2. Saia da sua Bolha: Voluntarie-se em um abrigo, um hospital ou uma ONG que sirva a uma população que você normalmente não encontra. O contato direto com a necessidade humana quebra a indiferença.
    3. Ore por Compaixão: Peça explicitamente a Deus: "Senhor, ajuda-me a ver as pessoas como Tu as vês e a sentir o que Tu sentes por elas".

4. Aceite a Missão: Vivendo como um Enviado

O capítulo 10 nos lembra que todo discípulo é um missionário, enviado ao mundo com uma mensagem de esperança.

  • Aplicação Profissional: Veja seu trabalho não apenas como uma fonte de renda, mas como seu "campo missionário". Como você pode ser "prudente como a serpente" (com excelência e sabedoria) e "símplice como a pomba" (com integridade e pureza de coração) em seu ambiente profissional?
  • Aplicação Familiar: O texto menciona divisões familiares por causa da fé. Isso nos chama a viver nossa fé com amor e firmeza, mas também com graça e paciência, sendo um testemunho vivo para nossos parentes, mesmo quando eles não compreendem ou não aceitam.
  • Custo do Discipulado: Reflita sobre qual é a "cruz" que você precisa carregar hoje. Pode ser abrir mão de uma ambição pessoal, perdoar alguém que o feriu profundamente, ou defender a justiça em uma situação desconfortável. Lembre-se que perder a vida por causa de Cristo é a única maneira de verdadeiramente encontrá-la.

Conclusão Reflexiva

No fim, a jornada pelos capítulos 9 e 10 de Mateus nos revela que o poder que ressuscita os mortos e acalma tempestades nasce da mesma fonte que a compaixão que se senta à mesa com os rejeitados. O verdadeiro chamado do discipulado, portanto, não é buscar o poder de Cristo, mas herdar Seu coração — um coração que se permite ser quebrado pela dor do mundo para que, através de suas fendas, a graça possa vazar e curar.


Avatar de diego
há 2 dias
Matéria: Religião
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