1. Teologia Para Todos: O Guia Definitivo Sobre o Estudo da Revelação Divina

1. A Origem e a Definição de Teologia: Deuses Gregos ao Deus Cristão

A pergunta "O que é teologia?" parece simples, mas sua resposta revela uma jornada fascinante através da história do pensamento humano. Contrariando a percepção comum, o termo "teologia" não nasceu no berço do cristianismo. Suas raízes são muito mais antigas, fincadas no solo fértil da filosofia grega, séculos antes de Cristo.

Foi o filósofo Platão quem primeiro utilizou a palavra para se referir aos mitos e lendas que narravam as histórias dos deuses do Olimpo. Nesse contexto, um "teólogo" não era um estudioso das Escrituras, mas sim um poeta. Figuras como Homero e Orfeu, que compunham poemas épicos em homenagem às divindades gregas, eram considerados os teólogos de seu tempo, pois eram eles que "falavam sobre os deuses".

Essa associação pagã explica por que os primeiros cristãos, conhecidos como os Pais da Igreja, inicialmente evitaram o termo. Para a mentalidade greco-romana, "teologia" remetia diretamente aos falsos deuses, um universo de pensamento que o cristianismo nascente buscava confrontar e redefinir. Contudo, com o tempo, a palavra começou a ser ressignificada.

Clemente de Alexandria, um proeminente pensador cristão do século II, foi fundamental nesse processo. Ele propôs uma distinção crucial: teologia seria o estudo e o ensino acerca do único Deus verdadeiro, o Deus revelado na Bíblia e em Jesus Cristo, enquanto mitologia descreveria todas as narrativas sobre os falsos deuses. Essa separação permitiu que os cristãos se apropriassem do termo, conferindo-lhe um novo e exclusivo significado.

Nos séculos seguintes, a palavra ganhou prestígio dentro do universo cristão. O apóstolo João, por exemplo, passou a ser reverenciado como "o teólogo" devido à profundidade com que descreveu a natureza divina de Jesus em seu Evangelho. Da mesma forma, Gregório de Nazianzo, no século IV, recebeu o mesmo título por sua vigorosa defesa da doutrina da Trindade.

A definição que hoje nos é familiar, no entanto, só foi solidificada no século XII pelo filósofo e teólogo Pedro Abelardo. Em sua obra, ele definiu a teologia como "o estudo acerca de Deus", estabelecendo-a como um corpo de doutrinas organizado. Essa compreensão é perfeitamente alinhada à etimologia da palavra, que é uma junção de dois termos gregos: Theos (Deus) e Logos (palavra, estudo, tratado). Literalmente, teologia significa "o estudo de Deus". Mas, como veremos, essa definição inicial é apenas o ponto de partida para um entendimento muito mais profundo.


2. Mais Que o Estudo de Deus: A Teologia Como o Estudo da Sua Revelação

A definição etimológica de teologia como "o estudo de Deus" é um ponto de partida útil, mas também levanta um questionamento fundamental: é realmente possível estudar Deus? No campo científico, estudar um objeto implica ter um certo controle sobre ele. Biólogos dissecam espécimes, químicos analisam compostos e físicos conduzem experimentos. O pesquisador está, de certa forma, em uma posição de domínio sobre o objeto investigado.

Podemos aplicar essa mesma lógica a Deus? A resposta é um retumbante não. Tentar colocar o Criador do universo sob um microscópio humano é uma impossibilidade lógica e existencial. O teólogo Heber Carlos de Campos articula essa verdade de forma precisa:

"Deus não é passível de investigação por um ser inferior, pois ele chamou à existência todas as coisas. Deus não pode ficar debaixo de investigação, ou seja, debaixo de um microscópio, como os outros campos de investigação ficam. Numa ciência, o pesquisador está sempre debruçado sobre o objeto investigado, mas isso não acontece com Deus. Ele está sobre e além da capacidade do homem de investigá-lo. O homem não tem condições de investigar Deus porque Ele está muito acima do seu alcance, pelo fato de sua natureza ser infinitamente superior e inatingível pelo homem."

Se Deus não pode ser investigado, como podemos saber qualquer coisa sobre Ele? A resposta está no conceito de auto-revelação. Só conhecemos Deus porque Ele, em Sua soberania e graça, escolheu se fazer conhecido. Portanto, a teologia cristã precisa de uma definição mais precisa: não é o estudo de Deus em si, mas o estudo da revelação que Deus fez de si mesmo, especialmente através de Sua Palavra.

Essa perspectiva transforma completamente nossa abordagem. Nós não descobrimos Deus; nós recebemos o conhecimento que Ele nos oferece. O Dr. Emerson Maia, em seu livro "Fundamentos de Teologia Reformada", oferece uma definição operacional excelente:

"A teologia pode ser definida operacionalmente como o estudo sistemático da Revelação especial de Deus registrada nas Escrituras, tendo por finalidade glorificar a Deus por meio do conhecimento da sua palavra e da obediência a ela."

O teólogo holandês Hermann Bavinck aprofunda ainda mais essa ideia, destacando a dimensão espiritual indispensável do estudo teológico:

"A teologia é a ciência que deriva o conhecimento de Deus de sua Revelação, que estuda e pensa sobre a orientação do seu espírito e, então, tenta descrevê-lo a fim de servi-lo para a glória dele."

A frase "sob a orientação do seu espírito" é crucial. Ela nos lembra que a teologia genuína não é um esforço puramente intelectual. O mesmo Espírito Santo que inspirou as Escrituras é Aquele que ilumina nossa mente para compreendê-las. É por isso que uma pessoa sem formação acadêmica pode ter um conhecimento íntimo e profundo de Deus, enquanto um estudioso pode conhecer muito sobre Deus, mas conhecê-lo pouco. Como diria Martinho Lutero, Deus se revela também "às lavadeiras e aos sapateiros". O estudo da revelação de Deus é uma jornada de fé e dependência, acessível a todos que buscam com um coração sincero.


3. A Relevância Universal da Teologia: Por Que Todos Precisamos Dela?

Se a teologia é o estudo da revelação de Deus, qual é a sua importância prática? Longe de ser um exercício acadêmico restrito a seminários e bibliotecas, a teologia é uma necessidade vital que permeia todas as esferas da existência. Ela é crucial para a sociedade, indispensável para a igreja e essencial para o indivíduo.

A Necessidade da Sociedade

Vivemos em uma era complexa e paradoxal. O autor britânico John Stott, em sua obra "O Discípulo Radical", identificou quatro tendências dominantes em nossa cultura:

  1. Pluralismo: A crença de que todas as religiões e sistemas de pensamento são igualmente válidos. Nesta visão, a afirmação de uma verdade exclusiva, como a de que Jesus é o único caminho para Deus, é vista como o maior dos pecados: a intolerância.
  2. Relativismo: A negação de qualquer verdade absoluta. Tudo é relativo, dependendo do contexto cultural, da criação pessoal e da perspectiva individual. Não existem absolutos morais ou éticos.
  3. Materialismo: O foco exclusivo no mundo físico e material. O que importa é o que se pode tocar, ver e experimentar. Essa mentalidade alimenta uma cultura de consumismo e sensualidade, onde o prazer imediato da carne é o objetivo final.
  4. Individualismo: A exaltação do "eu" como a autoridade máxima. A felicidade, a satisfação e o prazer do indivíduo tornam-se o bem supremo, justificando qualquer escolha, desde ideologias de gênero a outras buscas por auto-realização.

No entanto, essa mesma sociedade pluralista, relativista, materialista e individualista é, de forma surpreendente, profundamente espiritualista. Uma pesquisa de março de 2023 do Barna Institute revelou que 77% dos adultos americanos acreditam em Deus ou em um poder superior, e 74% gostariam de crescer espiritualmente. As pessoas percebem que as promessas da modernidade não satisfazem e, por isso, buscam um senso de propósito no transcendente.

É nesse vácuo que a teologia se torna vital. Como afirmou o teólogo J.I. Packer, a teologia "fornece uma base para a moralidade e a ética, além de ajudar a entender a natureza humana e sua relação com Deus e com os outros". A sociedade anseia por respostas, e a igreja, armada com uma boa teologia, pode oferecê-las. Isso exige uma teologia contemporânea, que não inventa novas verdades, mas aplica as verdades eternas da Palavra de Deus aos dilemas e angústias do nosso tempo.

A Necessidade da Igreja

A igreja é a portadora das respostas que a sociedade procura. No entanto, muitas vezes ela se esquiva do estudo teológico aprofundado, criando um abismo entre a verdade bíblica e a cultura circundante. A consequência é uma fraqueza generalizada, como J.I. Packer observou: "A ignorância sobre Deus, tanto sobre os seus caminhos quanto sobre a prática da comunhão com ele, está na raiz de grande parte da fraqueza da igreja hoje."

Essa realidade ecoa a advertência do profeta Oséias:

"O meu povo foi destruído porque lhe faltou o conhecimento." (Oséias 4:6)

Quando a igreja não conhece profundamente a sua fé, ela não tem nada relevante a oferecer. Diante de questões complexas como aborto, eutanásia ou ideologia de gênero, a resposta não pode ser o silêncio ou o medo. A Palavra de Deus fornece os princípios e os padrões para lidar com qualquer desafio. A igreja precisa de teologia para preencher o vazio com sabedoria, graça e verdade.

A Necessidade do Indivíduo

Mas por que isso é importante para você? A resposta é simples: você já lida com teologia todos os dias. Quando enfrenta uma perda, um desemprego, uma enfermidade ou a morte de um ente querido, você faz perguntas: "Onde Deus estava? Por que Ele permitiu isso? O que Ele quer me ensinar?". Essas são perguntas profundamente teológicas. Como escreve Kelly Kapic:

"Questões teológicas cercam nossa vida, saibamos disso ou não... As conclusões às quais chegamos, seja resultado de cuidadosa reflexão ou negligente presunção, dirigem nossas vidas."

Na verdade, a Bíblia ensina que todo ser humano é um teólogo. O apóstolo Paulo, em Romanos, afirma que um conhecimento básico sobre Deus é manifesto a todos através da criação.

"Pois o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas, de forma que tais homens são indesculpáveis." (Romanos 1:19-20)

Se todos possuem um conhecimento de Deus e interagem com ele — seja aceitando, rejeitando ou se aprofundando —, então todos, em certo sentido, praticam teologia. Stanley Grenz e Roger Olson definem teologia como "qualquer pensamento, reflexão ou contemplação sobre a realidade de Deus". Sendo assim, a questão não é se você é um teólogo, mas que tipo de teólogo você é. Como coloca o Dr. Franklin Ferreira, "só nos resta fazer uma única pergunta: será que são teólogos bons ou ruins?".

Além disso, a doutrina correta é inseparável da salvação e da vida cristã. Jesus advertiu: "Se vocês não crerem que eu sou, de fato morrerão em seus pecados" (João 8:24). Saber quem Jesus é e o que Ele veio fazer — o que é a essência da doutrina — é fundamental para a fé salvadora. A doutrina não salva, mas não há salvação sem o conhecimento correto que conduz a Jesus.

Finalmente, a teologia é o manual para a vida. A Escritura é "útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça" (2 Timóteo 3:16). Ela nos molda, nos guia e nos capacita a viver de uma maneira que agrada a Deus. Tentar viver a vida cristã sem as doutrinas que a sustentam é, como disse Franklin Ferreira, "como jogar futebol sem a bola. É simplesmente impossível".


4. As Fontes do Conhecimento Teológico: Escritura e Tradição

Se a teologia é o estudo da revelação de Deus, de onde extraímos o conteúdo para esse estudo? A teologia cristã histórica se baseia em duas fontes principais, que possuem, no entanto, diferentes níveis de autoridade: a Escritura e a Tradição.

A Escritura: A Fonte Primária e Insubstituível

A Bíblia é a fonte máxima e definitiva da teologia. Ela não é apenas o ponto de partida, mas a autoridade final sobre tudo o que concerne à fé e à vida. Não existem substitutos nem equivalentes para as Escrituras — nenhum autor, confissão de fé ou catecismo pode ocupar o seu lugar.

Os reformadores do século XVI capturaram essa primazia com uma expressão em latim: Norma Normans, que significa "a regra que rege" ou "a norma que normatiza". Isso quer dizer que a Palavra de Deus é o padrão pelo qual todas as outras fontes e alegações de verdade devem ser medidas e julgadas. Ela não está sujeita a nenhuma autoridade superior, pois é a própria voz de Deus revelada à humanidade. É a partir dela que todo o conhecimento teológico deve fluir e a ela que todo pensamento teológico deve se submeter.

A Tradição: A Fonte Secundária e Subordinada

A segunda fonte da teologia é a Tradição. Com este termo, nos referimos a todo o corpo de desenvolvimento teológico produzido pela igreja ao longo de seus dois milênios de história. Isso inclui os escritos dos Pais da Igreja, os credos ecumênicos (como o Credo Apostólico e o de Niceia), as confissões de fé (como a de Westminster) e os catecismos.

Se a Escritura é a Norma Normans, a Tradição é a Norma Normata — "a regra que é regida". Sua função não é estabelecer novas doutrinas, mas servir como um guia, um "guarda-corpo" que nos ajuda a permanecer na pista da ortodoxia. Nós não somos os primeiros cristãos a lidar com questões complexas. Debates sobre a natureza de Cristo, a Trindade e a salvação foram intensamente trabalhados por nossos antepassados na fé. Ignorar essa riqueza de sabedoria seria presunçoso e imprudente.

É importante distinguir essa perspectiva daquela sustentada pela Igreja Católica Apostólica Romana. Para o catolicismo, a Tradição é vista como uma segunda fonte de revelação, paralela e com peso praticamente equivalente ao da Escritura. Nessa visão, Deus teria continuado a inspirar infalivelmente a igreja ao longo dos séculos para desenvolver doutrinas não explícitas na Bíblia.

A perspectiva protestante reformada, por outro lado, entende que a Tradição é obra de homens falíveis. Embora muitas vezes seja uma exposição fiel e correta da Palavra, ela deve ser continuamente avaliada e, se necessário, corrigida pela autoridade superior das Escrituras. A própria Confissão de Fé de Westminster afirma que todos os documentos eclesiásticos devem ser seguidos apenas na medida em que são obedientes à Palavra de Deus. A Tradição é um auxílio valioso, mas nunca um substituto para a fonte primária e infalível.


5. As Disciplinas da Teologia: Um Mapa das Áreas de Estudo

O campo da teologia é vasto e multifacetado. Para estudá-lo de forma organizada, ele é tradicionalmente dividido em várias disciplinas, cada uma com um foco e uma metodologia específicos. Compreender essas áreas nos ajuda a navegar pelo estudo da revelação de Deus com mais clareza e propósito.

  • Teologia Bíblica: Esta disciplina se concentra em estudar o desenvolvimento progressivo da revelação divina ao longo da própria narrativa bíblica. Em vez de perguntar "O que a Bíblia inteira diz sobre salvação?", a teologia bíblica pergunta: "Como o conceito de salvação foi entendido em Gênesis? E em Êxodo? Como os profetas o desenvolveram? E como ele culminou nos Evangelhos e nas epístolas?". Ela traça a trajetória das grandes doutrinas dentro do cânon dos 66 livros.

  • Teologia Sistemática: Se a teologia bíblica acompanha a história da revelação, a teologia sistemática organiza os resultados. Ela funciona como uma cômoda de gavetas, onde cada gaveta contém tudo o que a Bíblia ensina sobre um tópico específico. A gaveta da "Cristologia" guarda os ensinamentos sobre a pessoa e obra de Cristo; a da "Escatologia", sobre as últimas coisas; e a da "Soteriologia", sobre a salvação. Como define o teólogo R.C. Sproul, a teologia sistemática "procura extrair os ensinos da Escritura e entendê-los de forma ordeira e temática". É nesta disciplina que o nosso curso se concentrará.

  • Teologia Histórica: Esta área investiga como as doutrinas cristãs foram compreendidas, debatidas e formuladas ao longo da história da igreja. Ela examina o que os Pais da Igreja pensavam sobre um tema, como os reformadores o abordaram e de que forma os teólogos de períodos posteriores, como o Iluminismo, interagiram com ele. A teologia histórica nos dá perspectiva e nos conecta com a grande nuvem de testemunhas que vieram antes de nós.

  • Teologia Pastoral e Prática: Aqui, o foco se volta para a aplicação concreta da verdade bíblica no ministério e na vida cotidiana. A teologia pastoral estuda as ferramentas do ministro, como a pregação, o aconselhamento e a liderança eclesiástica. A teologia prática amplia esse escopo para a vida de todo cristão, abordando temas como casamento, trabalho, finanças, evangelismo e missões a partir de uma perspectiva bíblica.

  • Teologia Filosófica (ou Apologética): Esta disciplina se engaja com os grandes temas da filosofia, buscando dar respostas aos seus questionamentos a partir da Palavra de Deus. Ela constrói uma cosmovisão cristã — uma lente através da qual enxergamos e interpretamos o mundo — e defende a fé de forma racional e coerente.

Cada uma dessas áreas oferece uma janela única para o estudo da revelação de Deus. Ao nos debruçarmos sobre a teologia sistemática, teremos uma visão panorâmica e organizada das verdades fundamentais que sustentam a fé cristã.


Síntese em Tabela

Pontos Principais de Cada Subtópico Conceitos-Chave e Definições Dados e Estatísticas Relevantes Citações e Referências Importantes
Origem e Definição: O termo "teologia" surgiu na Grécia antiga (Platão) para descrever mitos pagãos. Foi ressignificado por cristãos como Clemente de Alexandria e definido modernamente por Pedro Abelardo como o estudo de Deus. Teologia (Origem): Estudo dos mitos sobre os deuses gregos. Etimologia: Theos (Deus) + Logos (estudo). Teologia (Cristã): O estudo acerca do único Deus verdadeiro. Não aplicável. Platão, Clemente de Alexandria, Apóstolo João ("o teólogo"), Pedro Abelardo (século XII).
Estudo da Revelação: É impossível "estudar" Deus como um objeto. A teologia é o estudo da auto-revelação de Deus, feita principalmente nas Escrituras e compreendida sob a orientação do Espírito Santo. Auto-revelação: O único meio de se conhecer a Deus, pois Ele se fez conhecido. Definição Operacional: Estudo sistemático da revelação de Deus registrada nas Escrituras para a glória d'Ele. Não aplicável. Heber Carlos de Campos ("Deus não é passível de investigação..."). Emerson Maia. Hermann Bavinck.
Relevância Universal: A teologia é vital para a sociedade (oferece base moral), para a igreja (capacita-a para sua missão) e para o indivíduo (todos são teólogos que lidam com questões existenciais). Tendências Sociais (Stott): Pluralismo, Relativismo, Materialismo, Individualismo. Teólogo bom vs. ruim: A questão não é se somos teólogos, mas de que tipo. Barna Institute (2023): 77% dos americanos creem em Deus ou poder superior; 74% desejam crescer espiritualmente. John Stott, J.I. Packer, Oséias 4:6 ("...faltou o conhecimento"), Kelly Kapic, Romanos 1:19-20.
Fontes do Conhecimento: A teologia se baseia na Escritura como fonte primária e de autoridade máxima (Norma Normans) e na Tradição histórica como fonte secundária e subordinada (Norma Normata). Escritura (Norma Normans): "A regra que rege". A autoridade final. Tradição (Norma Normata): "A regra que é regida". Um guia valioso, mas submisso à Escritura. Não aplicável. Conceitos da Reforma Protestante; Confissão de Fé de Westminster.
Disciplinas da Teologia: O estudo teológico é organizado em áreas como Teologia Bíblica, Sistemática, Histórica, Prática e Filosófica, cada uma com um foco específico para entender a revelação de Deus. T. Bíblica: Foca no desenvolvimento da revelação na Bíblia. T. Sistemática: Organiza os ensinos por temas. T. Histórica: Acompanha a evolução das doutrinas na história. Não aplicável. R.C. Sproul ("...entendê-los de forma ordeira e temática").

Aplicação Prática

A teologia não é apenas um campo de estudo, mas uma ferramenta para a vida. Conhecer a revelação de Deus transforma a maneira como pensamos, sentimos e agimos. Aqui está um guia prático para aplicar os ensinamentos deste artigo em seu dia a dia.

Passos Concretos para Implementar os Ensinamentos

  1. Assuma sua Identidade de Teólogo(a): O primeiro passo é mudar sua mentalidade. Reconheça que você já é um(a) teólogo(a). Suas opiniões sobre Deus, suas respostas ao sofrimento e suas decisões morais são teologia em ação. A pergunta agora é: como se tornar um(a) teólogo(a) melhor, mais fiel à Palavra de Deus?

  2. Substitua a "Teologia Popular" pela Teologia Bíblica: Faça um inventário dos ditados e frases sobre Deus que você costuma usar ("Deus ajuda quem cedo madruga", "Deus escreve certo por linhas tortas"). Desafie-se a encontrar o que a Bíblia realmente diz sobre esses assuntos. Troque os clichês populares pela profundidade das Escrituras.

  3. Estabeleça um Hábito de Estudo da Revelação: Dedique um tempo consistente para ler e estudar a Bíblia. Não apenas leia por ler, mas pergunte: "O que este texto me revela sobre quem é Deus? O que ele me revela sobre mim mesmo e sobre o mundo?". Comece com um dos Evangelhos (como João) e observe atentamente o que ele ensina sobre Jesus.

  4. Conecte Doutrina e Vida: Ao enfrentar um desafio, pratique o exercício de conectar a situação à verdade bíblica.

    • Sentindo ansiedade? Reflita sobre a doutrina da soberania e providência de Deus (Mateus 6:25-34).
    • Lutando com o pecado? Medite na doutrina da justificação e santificação (Romanos 6-8).
    • Enfrentando uma perda? Busque consolo na doutrina da ressurreição e da esperança eterna (1 Tessalonicenses 4:13-18).

Exemplos Práticos do Cotidiano

  • No trabalho: Ao lidar com um colega difícil ou uma situação de injustiça, sua teologia sobre a imagem de Deus em cada pessoa e a justiça divina guiará sua resposta para além da raiva ou do cinismo, buscando agir com graça e integridade.
  • Nas finanças: Em vez de ser guiado pelo materialismo da sociedade, sua teologia sobre mordomia e contentamento (1 Timóteo 6:6-10) informará como você ganha, gasta, economiza e doa seu dinheiro.
  • Nos relacionamentos: Ao conversar com um amigo que está passando por uma crise e questionando Deus, você poderá oferecer mais do que palavras vazias. Poderá compartilhar, com humildade, o que as Escrituras revelam sobre o caráter de Deus mesmo em meio ao sofrimento.

Exercícios de Reflexão e Ação

  1. Diário Teológico: Mantenha um caderno onde você anota suas perguntas teológicas que surgem no dia a dia. ("Por que Deus permitiu que eu perdesse o emprego?", "Como posso perdoar essa pessoa?"). Use essas perguntas como guia para seus estudos bíblicos, buscando respostas na Palavra.

  2. Análise Cultural: Escolha uma notícia, um filme ou uma música popular. Tente identificar as "teologias" subjacentes. Quais são os valores (pluralismo, individualismo, etc.) que estão sendo promovidos? Como uma cosmovisão cristã responderia a essas ideias?

  3. Conversa Intencional: Inicie uma conversa com um amigo ou familiar sobre uma questão de fé. Em vez de apenas dar sua opinião, tentem juntos explorar o que a Bíblia diz sobre o assunto. Isso transforma a teologia de um estudo solitário em uma jornada comunitária.

A teologia é a jornada de conhecer melhor o Deus que se revelou. Ao integrá-la em sua vida, você descobrirá que ela não é um peso, mas a âncora que firma sua alma, a bússola que guia suas decisões e a lente que traz clareza ao mundo.


Conclusão Reflexiva

A jornada teológica, portanto, não é uma opção reservada para especialistas, mas uma condição inerente à experiência humana. Todos nós, ao confrontarmos as alegrias, as dores e os mistérios da vida, inevitavelmente formulamos respostas sobre Deus. A verdadeira escolha, então, não está entre ter ou não uma teologia, mas entre edificar nossa compreensão sobre a rocha sólida da revelação divina ou sobre as areias movediças das opiniões passageiras.



Sexta Igreja. O QUE É TEOLOGIA? | AULA 01 | CURSO DE TEOLOGIA REFORMADA | PR DIEGO RUY. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=FjCAyhQyZOs. Acesso em: 28/08/2025.

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há 2 dias
Matéria: Religião
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