4. Tola, o Juiz Improvável: Liderança e Legado em Tempos de Caos

1. Introdução: Quem foi Tola, o Sexto Juiz de Israel?

No vasto e turbulento panorama do livro de Juízes, um período de aproximadamente 300 anos marcado por ciclos de apostasia, opressão e libertação, emergem figuras notáveis que lideraram Israel. Entre nomes como Otoniel, Débora e Gideão, encontra-se um líder cuja história, embora breve em seu registro, carrega lições profundas sobre propósito e resiliência: Tola.

Tola é apresentado como o sexto dos treze juízes relatados no livro, uma figura de transição que assume a liderança em um momento de profunda desordem. As Escrituras o introduzem de forma concisa, mas com detalhes genealógicos e geográficos cruciais para a compreensão de sua missão. O texto bíblico relata:

“Depois de Abimeleque, levantou-se, para livrar a Israel, Tola, filho de Puá, filho de Dodô, homem de Issacar; e habitava em Samir, na região montanhosa de Efraim. Julgou a Israel vinte e três anos; e morreu e foi sepultado em Samir.” (Juízes 10:1-2)

Este breve relato estabelece os pilares de sua identidade. Tola pertencia à tribo de Issacar, uma das doze tribos de Israel, mas, curiosamente, exerceu seu juizado não em seu território de origem, e sim em Samir, uma localidade situada na região montanhosa de Efraim. Seu governo durou 23 anos, um período significativo que sugere a restauração da estabilidade após uma era de caos. Para entender a real magnitude de sua missão e o impacto de seu legado, é fundamental analisar o cenário conturbado que ele herdou, um contexto marcado pela tirania e pela desordem deixada por seu predecessor indireto, Abimeleque.


2. O Contexto de Abimeleque: A Herança do Caos

A frase de abertura do relato de Tola, "Depois de Abimeleque", é muito mais do que um simples marcador temporal. Ela encapsula a herança de um período de profunda anarquia, idolatria e violência, um cenário que define a magnitude da tarefa do novo juiz. Para compreender o que Tola enfrentou, é preciso retroceder à história de seu antecessor indireto, Abimeleque, e do declínio de seu pai, o célebre juiz Gideão.

Gideão, que começou sua jornada de forma notável, malhando trigo no lagar para se esconder dos inimigos e liderando 300 homens a uma vitória épica contra um exército de 135.000 midianitas, terminou sua vida de forma ambígua. Após sua grande vitória, o povo de Israel, grato, pediu que ele e sua descendência governassem sobre eles. Contudo, Gideão cometeu dois erros cruciais que plantaram as sementes do caos futuro.

O primeiro foi o erro da omissão. Ele se recusou a assumir a governança que a vitória exigia. Toda libertação divina impõe uma responsabilidade de continuidade e liderança. Ao rejeitar o governo, Gideão deixou um vácuo de poder e negligenciou a segunda fase de seu chamado, que era administrar e guiar o povo na paz que ele havia conquistado.

O segundo foi o erro da idolatria. Não bastasse a omissão, Gideão confeccionou uma estola sacerdotal com os despojos da guerra e a transformou em um objeto de adoração em sua cidade, Ofra. Isso se tornou uma armadilha espiritual para sua família e para todo o Israel, desviando o foco do Deus que lhes dera a vitória.

Foi nesse ambiente de omissão paterna e apostasia religiosa que cresceu Abimeleque, um dos 70 filhos de Gideão, nascido de uma concubina em Siquém. Após a morte de seu pai, o vácuo de poder e a confusão espiritual criaram a oportunidade perfeita para sua ambição tirânica. Abimeleque foi a Siquém, sua cidade natal, e, com o apoio de seus parentes, conspirou contra sua própria família. Em um ato de brutalidade chocante, ele assassinou 69 de seus 70 irmãos sobre uma única pedra, consolidando seu poder pela violência.

Em seguida, ele se autoproclamou rei, uma usurpação sem precedentes, pois até aquele momento, Deus não havia instituído a monarquia em Israel. Por três anos, Abimeleque reinou sobre uma porção de Israel com o apoio dos siquemitas, que adoravam Baal-Berite ("senhor da aliança"). Parecia que a traição e a idolatria prosperariam sem consequências.

No entanto, a intervenção divina veio de uma forma inesperada. Em vez de levantar um libertador, Deus "suscitou um espírito de aversão entre Abimeleque e os cidadãos de Siquém". Assim como confundiu as línguas em Babel, Deus confundiu as motivações e alianças em Siquém. O que se seguiu foi uma guerra civil sangrenta, culminando na destruição da cidade e na morte de mil pessoas queimadas na torre do templo de seu falso deus. O próprio Abimeleque encontrou um fim humilhante, atingido na cabeça por uma mó de moinho lançada por uma mulher.

Este foi o legado que Tola herdou: uma nação traumatizada pela guerra civil, espiritualmente confusa pela idolatria, politicamente instável pela usurpação e socialmente fragmentada pela traição. Seu chamado não foi para lutar contra um exército estrangeiro, mas para curar as feridas internas deixadas por três anos de profundo caos.


3. Os Inimigos Invisíveis de Tola

Diferentemente de outros juízes cujas narrativas são marcadas por batalhas épicas contra opressores externos como os midianitas ou filisteus, o registro bíblico sobre Tola é notavelmente silencioso sobre qualquer conflito militar. Não há menção de um inimigo específico contra quem ele tenha lutado ou de uma guerra que tenha travado. Essa ausência de um adversário visível leva a uma conclusão crucial: os verdadeiros inimigos de Tola eram internos, sistêmicos e, por isso, talvez ainda mais perigosos. Eram inimigos invisíveis.

Seu campo de batalha não era uma planície, mas a própria alma da nação. Tola teve que lutar contra:

  • As consequências do pecado alheio: Ele herdou a desordem gerada pela omissão e idolatria de Gideão e pela tirania sanguinária de Abimeleque. Sua missão era gerir um povo traumatizado e desorientado por líderes anteriores.
  • A apostasia arraigada: O culto a Baal-Berite, abraçado pelos siquemitas durante o reinado de Abimeleque, era um sintoma de um problema espiritual mais profundo que precisava ser corrigido. Tola lutou para restaurar a adoração ao verdadeiro Deus.
  • A mentalidade de escravidão: Anos de opressão e caos geram um povo passivo e sem esperança. Tola precisou combater o conformismo e a mentalidade de vítima, inspirando o povo a se reerguer.
  • O caos administrativo e social: Três anos de guerra civil e usurpação deixaram a sociedade fragmentada e as estruturas de liderança em ruínas. A principal tarefa de Tola era, antes de tudo, organizar a casa.

Essa realidade levou alguns comentaristas a interpretar os 23 anos de juizado de Tola como um período sem grandes reformas ou feitos notáveis. Contudo, essa visão ignora a complexidade do cenário. O valor de uma liderança deve ser medido não apenas por suas construções, mas pelas ruínas que precisou limpar.

Lançar sementes em terra preparada é uma tarefa simples. Regar um campo já semeado ou administrar uma colheita farta é gratificante. A missão de Tola, no entanto, era muito mais árdua: ele encontrou uma terra improdutiva, cheia de ervas daninhas, cercada por inimigos remanescentes e habitada por um povo espiritualmente exausto. A dificuldade não está em construir sobre um alicerce sólido, mas em começar do zero em meio aos escombros.

A razão pela qual não há relatos de "grandes obras" é precisamente porque, quanto maior o caos dentro de um território, mais tempo se gasta apenas limpando-o. O trabalho de Tola foi um milagre de restauração, uma obra silenciosa e fundamental que poucos valorizam. Seus 23 anos de governo não representam estagnação, mas um longo e árduo processo de cura, organização e estabilização, preparando o terreno para que a paz pudesse finalmente florescer.


4. Samir, a Montanha de Espinhos: Governando em Território Hostil

A liderança de Tola não foi exercida em um palácio ou em uma capital próspera, mas em um lugar cujo próprio nome revela a natureza dos desafios que ele enfrentou. O texto bíblico afirma que ele "habitava em Samir, na região montanhosa de Efraim". No hebraico, o nome "Samir" (שָׁמִיר) significa "espinho" ou "abrolho". Tola, um homem da tribo de Issacar — uma terra com cidades de nomes promissores como Suném ("duplo descanso") — foi chamado por Deus para governar, morrer e ser sepultado em um lugar simbolicamente espinhoso.

Na Bíblia, os espinhos carregam múltiplos significados, cada um revelando uma faceta das dificuldades humanas e espirituais:

  • São a consequência do pecado, surgindo na terra após a queda de Adão como um símbolo da maldição e da dificuldade no trabalho (Gênesis 3).
  • Representam as preocupações e fascinações do mundo que, na Parábola do Semeador, sufocam a Palavra de Deus e a tornam infrutífera (Marcos 4).
  • Podem ser um instrumento de humildade, como o "espinho na carne" que o apóstolo Paulo recebeu para que não se exaltasse pela grandeza de suas revelações (2 Coríntios 12).
  • Simbolizam a preguiça e a negligência, como no campo do preguiçoso descrito em Provérbios 24, que estava coberto de espinhos e urtigas por falta de trabalho.
  • Representam pessoas perversas, como Davi descreve em seu último cântico, afirmando que os "filhos de Belial" são como espinhos que devem ser removidos com ferramentas e queimados no fogo (2 Samuel 23).

A escolha de Samir como centro do governo de Tola sugere que ele foi levantado para liderar em meio a todas essas adversidades. Contudo, a natureza desafiadora da região montanhosa de Efraim não era uma novidade. Séculos antes, no livro de Josué, essa mesma terra foi alvo de controvérsia. Após a distribuição da Terra Prometida, os descendentes de José (as tribos de Efraim e Manassés) reclamaram a Josué, considerando sua herança insuficiente e difícil:

“Então, os filhos de José falaram a Josué, dizendo: Por que me deste por herança só uma sorte e um quinhão, sendo eu um povo tão grande...? [...] A região montanhosa não nos basta; e todos os cananeus que habitam na terra do vale têm carros de ferro...” (Josué 17:14, 16)

Eles viam um bosque denso, gigantes (os refains) e inimigos com tecnologia militar avançada (carros de ferro). A resposta de Josué, no entanto, não foi oferecer um lugar mais fácil, mas desafiá-los a transformar o território que lhes fora designado:

“Porém a região montanhosa será tua; ainda que é bosque, cortá-lo-ás, e as suas extremidades serão tuas; porque expulsarás os cananeus, ainda que são fortes e possuem carros de ferro.” (Josué 17:18)

A mensagem era clara: a herança prometida por Deus não era um paraíso pronto, mas uma terra de potencial que exigia trabalho, coragem e fé para ser conquistada e transformada. Deus não muda o território; Ele capacita seu povo a transformá-lo. Tola personificou essa verdade. Ele não orou para ser mudado de lugar; ele se levantou e governou sobre os espinhos. A lição profunda de sua história é que, muitas vezes, o propósito divino se cumpre não apesar das dificuldades, mas através delas. Há um processo recíproco: Deus transforma o líder enquanto o líder transforma a terra.


5. O Paradoxo do Nome "Tola": Identidade vs. Destino

Se o lugar onde Tola governou já era carregado de simbolismo, seu próprio nome apresenta um paradoxo ainda mais profundo, que está no cerne de sua jornada como um líder improvável. A palavra hebraica "Tola" (תּוֹלָע) tem uma tradução difícil, mas duas definições principais se destacam: a primeira é "verme" ou "larva", e a segunda é "carmesim" ou "escarlate".

A conexão entre os dois significados é fascinante. A tinta carmesim nos tempos antigos era extraída de um pequeno inseto, a cochonilha (coccus ilicis). Para obter o pigmento vívido, o corpo do inseto era esmagado. Portanto, o nome Tola evoca simultaneamente uma imagem de insignificância ("verme") e de algo que, ao ser quebrado, produz grande valor e beleza ("carmesim"). Acredita-se que o nome pudesse ser uma alusão a um nascimento difícil ou prematuro, onde a criança parecia frágil e pequena, como um "verme".

Este nome, por si só, já seria notável, mas torna-se verdadeiramente espantoso quando contrastado com sua genealogia:

  • Ele era da tribo de Issacar, nome que significa "há uma recompensa".
  • Seu pai era Puá, que significa "esplêndido".
  • Seu avô era Dodô, que significa "seu amado".

Juntos, os nomes de seus ancestrais formam uma declaração profética: "Há uma recompensa para o Seu amado, que é esplêndida". Em meio a essa linhagem de promessa, nasce um filho chamado "Verme". Ele surge como um ponto fora da curva, uma aparente contradição em uma família cujo nome respirava bênção.

O paradoxo se aprofunda ao considerarmos as bênçãos proferidas sobre a tribo de Issacar ao longo da história de Israel. Desde seu nascimento, quando sua mãe Lia declarou que Deus a havia "recompensado", a tribo carregava um destino de grandeza. Jacó, em sua bênção paternal, profetizou sobre Issacar:

“Issacar é jumento de fortes ossos, deitado entre dois fardos. E viu ele que o descanso era bom e que a terra era deliciosa; e abaixou o seu ombro para levar a carga e sujeitou-se ao trabalho servil.” (Gênesis 49:14-15)

Isso apontava para um povo forte, pacífico, com natureza de servo e capacidade para o trabalho árduo. Mais tarde, Moisés expandiu essa bênção, declarando prosperidade e influência espiritual:

“E de Zebulom disse: Alegra-te, Zebulom, nas tuas saídas; e tu, Issacar, nas tuas tendas. Eles chamarão os povos ao monte; ali oferecerão sacrifícios de justiça, porque chuparão a abundância dos mares e os tesouros escondidos da areia.” (Deuteronômio 33:18-19)

As promessas indicavam alegria, poder de atração espiritual, riqueza vinda do comércio ("abundância dos mares") e de recursos naturais ("tesouros escondidos da areia"). Posteriormente, a tribo de Issacar seria conhecida por gerar homens "destros na ciência dos tempos, para saberem o que Israel devia fazer" (1 Crônicas 12:32).

Diante de um destino profético tão rico, o nome Tola ("verme") parece um erro trágico. No entanto, sua vida se torna a maior prova de uma verdade fundamental: as circunstâncias do nascimento, os rótulos impostos e o ambiente hostil não definem o propósito de Deus. Tola se levanta como uma resposta viva, demonstrando que o desígnio divino é maior do que qualquer identidade terrena. Sua história declara que Deus não está limitado por nossas origens ou pelos nomes que carregamos.


6. O Legado de um Improvável: De "Verme" a Gerador de Valentes

O verdadeiro impacto de um líder não se mede apenas pelo que ele realiza em vida, mas pelo legado que ele constrói para o futuro. No caso de Tola, os 23 anos de paz que ele proporcionou a Israel foram apenas o começo. Séculos depois, no livro de 1 Crônicas, um registro genealógico revela a extraordinária transformação que sua vida iniciou, mostrando que o homem com nome de "verme" se tornou o patriarca de uma linhagem de guerreiros.

O cronista detalha a descendência da tribo de Issacar, começando justamente por ele:

“Os filhos de Issacar foram: Tola, Puva, Jasube e Sinrom, quatro ao todo. Os filhos de Tola: Uzi, Refaías, Jeriel, Jamai, Jibsão e Samuel, chefes das suas famílias, descendentes de Tola, homens valentes nas suas gerações; o seu número, nos dias de Davi, foi de vinte e dois mil e seiscentos.” (1 Crônicas 7:1-2)

A chave para entender essa poderosa reviravolta está nos nomes que Tola escolheu para seus próprios filhos. Em um ato consciente de quebrar ciclos e redefinir sua história, ele deu a seus descendentes nomes que declaravam o oposto do rótulo que ele carregava:

  • Seu filho Uzi significa "forte" ou "minha força". O homem rotulado pela fragilidade declarou que sua linhagem seria marcada pela força.
  • Seu outro filho, Refaías, significa "curado por Deus". Aquele que governou sobre as feridas do caos gerado por Abimeleque gerou um legado de cura divina.
  • Jeriel significa "ensinado por Deus", uma declaração de que a força e a cura que sua família experimentaria viriam da submissão à sabedoria divina.
  • E Samuel, que significa "seu nome é Deus", atribuindo toda a honra e o poder da transformação ao Senhor.

Essa quebra de rótulos não foi apenas simbólica; ela se manifestou de forma concreta. O texto de Crônicas não descreve os descendentes de Tola como homens comuns, mas como "chefes das suas famílias" e "homens valentes nas suas gerações". A casa que poderia ter sido estigmatizada pelo nome "verme" tornou-se a casa dos "Tolaítas" — uma linhagem de valentes.

O impacto foi tão profundo que, na época do rei Davi, essa família havia se multiplicado em um contingente de 22.600 guerreiros. Sabe-se que, na cultura israelita, esse Tola mencionado em Crônicas pode se referir tanto ao juiz quanto ao seu ancestral, neto de Jacó. A beleza da narrativa bíblica é que a bênção parece se aplicar a toda a linhagem, mostrando como Deus interveio para corrigir e honrar a casa de Issacar. Aquele que parecia um "acidente de percurso" ou um "ponto fora da curva" na genealogia, tornou-se a fonte de uma força militar vital para o reino de Israel em seu apogeu.

A história da descendência de Tola é a prova definitiva de que Deus não apenas usa os improváveis; Ele reescreve suas histórias, transformando estigmas em estandartes de honra e fraqueza em uma força que atravessa gerações.


7. Conclusão: A Relevância de Tola para os Dias Atuais

A história de Tola, o improvável juiz de Israel, transcende seu contexto histórico e ressoa com uma mensagem poderosa para os dias atuais. Sua jornada — de um homem com um nome que significa "verme", governando em um território chamado "espinho", para um líder que restaurou a paz por 23 anos e fundou uma linhagem de valentes — é um testemunho da capacidade de Deus de subverter as expectativas humanas. A lição final de sua vida se aprofunda ao explorarmos o simbolismo do "verme" nas Escrituras.

Em um dos mais profundos salmos messiânicos, que profetiza a agonia de Cristo na cruz, o próprio Messias declara:

“Mas eu sou verme e não homem, opróbrio dos homens e desprezado do povo.” (Salmo 22:6)

Neste versículo, a condição de "verme" é associada à máxima humilhação, sofrimento e vulnerabilidade. No entanto, foi a partir desse estado de esvaziamento total que a maior vitória da história foi conquistada. Isso revela que a verdadeira força, no Reino de Deus, muitas vezes se manifesta a partir do reconhecimento da própria fraqueza.

Essa verdade é ecoada pelo profeta Isaías, que entrega uma palavra de conforto e promessa diretamente àqueles que se sentem insignificantes:

“Não temas, ó vermezinho de Jacó, povozinho de Israel; eu te ajudo, diz o SENHOR, e o teu Redentor é o Santo de Israel.” (Isaías 41:14)

Deus não despreza a condição de "verme"; pelo contrário, Ele a vê como o ponto de partida para a Sua intervenção. É quando um indivíduo ou uma nação reconhece sua total dependência, sua finitude e sua necessidade de resgate, que Deus se revela como Ajudador e Redentor.

Mas a promessa não termina no socorro; ela se estende à capacitação. No versículo seguinte, Deus declara o que Ele fará com aquele que se reconhece pequeno:

“Eis que farei de ti um trilho cortante, novo, armado de lâminas; os montes trilharás e moerás, e os outeiros tornarás como a palha.” (Isaías 41:15)

O "verme", frágil e vulnerável, é transformado em um instrumento poderoso, capaz de aplainar montanhas — os mesmos obstáculos intransponíveis, os territórios espinhosos, os gigantes e os carros de ferro que intimidam a fé. Tola viveu essa promessa. Ele não mudou de nome nem de lugar, mas em seu nome e em seu lugar, o governo de Deus se manifestou.

A história de Tola nos ensina que os rótulos, as origens difíceis e os ambientes hostis não têm a palavra final. O chamado divino não é anulado pelas circunstâncias. Pelo contrário, são precisamente nesses cenários de impossibilidade que a glória de Deus se revela com maior intensidade, transformando os improváveis em agentes de restauração e os estigmatizados em fontes de um legado de força e honra.


Resumo de Fixação: A Jornada de Tola, o Juiz Improvável

Tópico Principal Pontos-Chave e Lições
1. Quem foi Tola? • Sexto juiz de Israel, da tribo de Issacar, que governou por 23 anos em Samir (Juízes 10:1-2).<br>• Liderou após um período de grande instabilidade, trazendo um longo tempo de paz.
2. A Herança do Caos • Tola surgiu "depois de Abimeleque", herdando as consequências do caos gerado por ele e por seu pai, Gideão.<br>• Os erros de Gideão (omissão e idolatria) e a tirania de Abimeleque (massacre e usurpação) deixaram a nação fragmentada e espiritualmente ferida.
3. Os Inimigos Invisíveis • Não enfrentou exércitos externos, mas desafios internos: apostasia, desordem social e mentalidade de escravidão.<br>• Sua principal obra foi "limpar o território", um milagre de restauração silencioso e fundamental, que preparou o caminho para a paz.
4. Samir, a Montanha de Espinhos • Governou em "Samir", que significa "espinho", um território hostil e desafiador.<br>• Os espinhos simbolizam as dificuldades (pecado, negligência, etc.), mas a lição é que Deus capacita líderes para transformar ambientes difíceis, não para fugir deles (Josué 17).
5. O Paradoxo do Nome "Tola" • Seu nome significa "verme" ou "carmesim", contrastando com sua genealogia de bênção (Issacar: "recompensa", Puá: "esplêndido").<br>• Lição principal: As circunstâncias de nascimento, os rótulos e as origens não limitam o propósito e o destino estabelecidos por Deus.
6. O Legado de um Improvável • De um nome estigmatizado, Tola gerou uma linhagem de "homens valentes" (1 Crônicas 7:2).<br>• Seus filhos receberam nomes que significam "força" (Uzi) e "curado por Deus" (Refaías), quebrando o ciclo de negatividade e estabelecendo um novo legado.
7. Relevância para os Dias Atuais • A condição de "verme" aponta para a humildade e dependência de Deus (Salmo 22:6, Isaías 41:14).<br>• Quando o ser humano reconhece sua fragilidade, Deus se manifesta como ajudador e o transforma em um instrumento poderoso, capaz de superar qualquer obstáculo.

Teste seu Conhecimento: Verdadeiro ou Falso

Leia as afirmações abaixo e marque (V) para Verdadeiro ou (F) para Falso, com base no conteúdo do artigo sobre Tola.

  1. ( ) Tola era da tribo de Efraim e governou Israel por 40 anos a partir de sua cidade natal, que pertencia à tribo de Issacar.
  2. ( ) O período de liderança de Tola começou "depois de Abimeleque", o que significa que ele herdou uma nação estável, próspera e espiritualmente unida.
  3. ( ) O maior desafio de Tola foi lutar contra inimigos invisíveis, como a apostasia, o caos social e a mentalidade de escravidão do povo, em vez de enfrentar um exército estrangeiro.
  4. ( ) O local onde Tola habitou e julgou, Samir, significa "lugar de descanso", simbolizando a tranquilidade de sua missão.
  5. ( ) O nome de Tola, que significa "verme", estava em total contraste com os nomes de sua linhagem, como Issacar ("recompensa") e Puá ("esplêndido").
  6. ( ) A descendência de Tola seguiu o estigma de seu nome, tornando-se uma linhagem fraca e insignificante na história de Israel.
  7. ( ) A história de Tola mostra que as circunstâncias do nascimento e os rótulos negativos são capazes de anular completamente o propósito de Deus para a vida de uma pessoa.
  8. ( ) Um dos atos mais significativos de Tola foi quebrar o ciclo de negatividade associado ao seu nome, dando a seus filhos nomes como Uzi ("forte") e Refaías ("curado por Deus").
  9. ( ) A referência bíblica de Isaías 41:14 ("Não temas, ó vermezinho de Jacó") sugere que o reconhecimento da própria fragilidade é o ponto de partida para a manifestação da ajuda e do poder de Deus.

Gabarito Comentado

  1. ( F ) Falso. A afirmação inverte as informações. Tola era da tribo de Issacar, mas governou em Samir, na região montanhosa de Efraim. Além disso, seu juizado durou 23 anos, não 40.
  2. ( F ) Falso. A expressão "depois de Abimeleque" indica exatamente o oposto. Abimeleque, filho de Gideão, deixou um legado de guerra civil, idolatria e caos. Tola herdou uma nação fragmentada e traumatizada.
  3. ( V ) Verdadeiro. O artigo destaca que, na ausência de inimigos externos nomeados, os verdadeiros adversários de Tola eram as consequências do pecado de seus predecessores, a desordem interna e a mentalidade derrotista do povo. Sua missão foi de "limpar o território".
  4. ( F ) Falso. Samir, no hebraico, significa "espinho" ou "abrolho", simbolizando um território hostil e cheio de dificuldades, o que torna a liderança de Tola ainda mais notável.
  5. ( V ) Verdadeiro. Este é um dos paradoxos centrais de sua história. Enquanto seu nome evocava insignificância ("verme"), sua genealogia estava repleta de nomes que significavam bênção e promessa, como "recompensa", "esplêndido" e "seu amado".
  6. ( F ) Falso. O legado de Tola foi uma completa reviravolta. Sua descendência, conforme registrado em 1 Crônicas 7, tornou-se uma linhagem de "homens valentes", formando um contingente de mais de 22 mil guerreiros na época do rei Davi.
  7. ( F ) Falso. A história de Tola prova o contrário. Ele é um exemplo de que o propósito divino transcende rótulos, origens e ambientes desfavoráveis. Sua vida demonstrou que a identidade em Deus é mais forte do que qualquer circunstância terrena.
  8. ( V ) Verdadeiro. A escolha dos nomes de seus filhos foi um ato deliberado de redefinir seu legado. Ao nomeá-los com significados de força e cura divina, Tola declarou o fim de um ciclo de estigma e o início de uma nova história para sua família.
  9. ( V ) Verdadeiro. Exatamente. A conclusão do artigo conecta a história de Tola a essa passagem de Isaías, mostrando que a humildade e o reconhecimento da dependência de Deus não são sinais de fraqueza, mas sim o pré-requisito para que Ele intervenha com poder transformador.

A história de Tola nos ensina que o propósito divino não é definido pelos rótulos que carregamos ou pelo solo espinhoso que pisamos, mas pela nossa disposição em permitir que Deus transforme nossa aparente insignificância no alicerce de um legado de força e honra.


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Cidade IMAFE. Tola, um improvável | Terça da Parashá com Pr. Fausto Costa. YouTube. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Qyh1VNw95sU. Acesso em: 21/08/2025.

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há 1 semana
Matéria: Religião
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