Deuteronômio 22:9-11: Princípios do Reino: A Renovação da Mente e o Chamado à Constância na Busca por Deus (Mc 4:30-32; Tg 1:5-8; Tg 4:8)
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Deuteronômio 22:9-11: Princípios do Reino: A Renovação da Mente e o Chamado à Constância na Busca por Deus (Mc 4:30-32; Tg 1:5-8; Tg 4:8)

Introdução: A Renovação da Mente e a Vontade de Deus

Vem aí renovação da mente — uma série dedicada a todos que desejam vencer as prisões mentais e viver a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Não é sobre pensar positivo. É sobre pensar de forma bíblica. Por isso quero convidar você a se juntar a mim nesta jornada de transformação radical de dentro para fora, porque sua nova história começa com uma nova mente.

Graças a Deus pelo desejo de aprender da Sua palavra. É isso que quero fazer agora: entrar nessa palavra, meditar nela e deixar o Espírito de Deus falar ao coração. A Escritura nos ensina que, na medida em que vamos sendo transformados pela renovação do nosso entendimento, experimentamos a vontade de Deus em nossa vida.

Às vezes as pessoas não entendem como o Reino de Deus funciona. Elas ficam esperando ações espetaculares, quando, na verdade, Deus quer usar a própria vida delas para fazer as coisas acontecerem. Muitas vezes a gente quer apenas se maravilhar, mas não quer seguir o exemplo de Maria, que guardava no coração tudo o que estava acontecendo e ia sendo edificada por isso.

E Maria guardava todas estas coisas, conferindo-as em seu coração.

Talvez você gostaria que eu fizesse uma oração e algo espetacular de Deus acontecesse na sua casa. Mas veja bem: mesmo que isso ocorresse, seu problema estaria resolvido apenas até o próximo problema surgir. É por isso que tanta gente gosta de procurar um profeta para que ele diga o que vai acontecer amanhã, na semana que vem ou no mês seguinte. Mas pense comigo: se eu lhe contar o que vai acontecer amanhã, como você vai se posicionar diante disso? Como vai encarar essa situação? Como vai resolver esse problema? Às vezes até piora, dependendo da notícia. Porque não adianta eu saber como será o meu dia de amanhã se eu não sei como vou me portar dentro dele.

Por isso, o que eu preciso conhecer é a mente de Cristo. Preciso aprender a Palavra de Deus, meditar nela, ser transformado pela renovação do meu entendimento. É a Palavra que me garante essa mente de Cristo.

Coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e que não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam. Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus. […] Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.

É exatamente isso que eu quero: ter a mente de Cristo. Não me basta saber que um problema virá na semana que vem. O que me basta é saber como resolvê-lo pela Palavra de Deus. Porque, seja o dia de amanhã bom ou ruim, isso não me interessa tanto quanto saber que estarei preparado, qualquer que seja esse dia.

Quero contar algo que vivi há pouco mais de um mês. Eu estava pregando, ensinando, ministrando a Palavra de Deus, e havia ali um irmão finlandês, um pastor, que assistia ao culto enquanto alguém traduzia a mensagem para ele. Ao final, ele me procurou e disse: "Irmão, eu quero te falar uma coisa. Eu fui muito edificado. Quero te dar uma palavra de encorajamento, porque vejo que Deus tem dado a você o dom de ensino, de exortação, de edificação. E vou te dizer como sei disso: primeiro, porque traduziram a mensagem para mim; segundo, porque enquanto eu pregava, ninguém gritava 'Glória a Deus! Aleluia!'"

Isso é sério, amados. Às vezes nós expressamos "Glória a Deus" e "Aleluia" não como fruto de uma convicção genuína, mas como uma atitude eufórica — como se estivéssemos chamando de fora de nós aquilo que ainda não possuímos de fato. Quando ouvimos mensagens mais inflamadas, que falam do fogo, dos anjos, do poder de Deus, muitas vezes nos enchemos de ânimo e gritamos aleluias que não estão cheios de convicção e de conhecimento de Deus. É quase um grito desesperado, clamando por aquilo que ainda não temos.

Por isso precisamos ter a mente transformada. Deus se deu a conhecer, e cabe a mim aprender os princípios da Sua Palavra.

Às vezes penso que a maior bênção que Deus poderia me dar seria mandar um anjo à minha casa — e de fato, Deus põe os anjos para trabalhar a nosso favor, pois eles são agentes ministradores enviados por Ele. Mas quero te dizer algo importante: os anjos não têm mais poder do que aquele que nós já temos em Cristo Jesus. Assim, quando Deus envia um anjo à nossa casa e nós respondemos com um "Glória a Deus, Aleluia", o anjo realiza um trabalho poderoso — mas, no dia seguinte, muitas vezes desmanchamos tudo, porque temos mais poder do que ele para destruir com nossas próprias atitudes, com nosso mau testemunho, com nossa falta de compromisso com a Palavra de Deus. Estamos dando uma canseira danada nos anjos, invertendo posições que nunca deveriam ser invertidas.

Amados, Deus nos deu poder — a nós, Seu povo, Seus filhos. Somos o sal da terra e a luz do mundo. Mas, para isso, precisamos ser transformados no nosso entendimento.


João Batista: O Devorador dos Devoradores — Intimidade que Transforma o Assombro em Petisco

Hoje quero compartilhar algo que eu nem pretendia trazer, mas o Espírito de Deus está me movendo nessa direção, e por isso quero falar sobre isso. Ele trouxe essa reflexão na reunião de liderança, e eu fiquei meditando nela — fui muito edificado. Como a vida do crente muda quando conhecemos, meditamos, absorvemos e aprendemos a Palavra de Deus, e conhecemos de fato a nossa identidade em Cristo Jesus!

A Palavra fala dos devoradores, e que Deus repreenderá os devoradores por causa de Seu povo.

E por vosso amor repreenderei o devorador, e não vos destruirá os frutos da terra; e a vossa vide no campo não se despojará do seu fruto antes do tempo, diz o Senhor dos Exércitos. (Malaquias 3:11)

Quando ouvimos uma mensagem falando que Deus vai repreender os devoradores, ficamos animados, esperando fogo, poder, alguma ação de Deus contra eles. E foi justamente isso que eu estava lendo hoje: a respeito da vida de João Batista, aquele que veio preparar o caminho do Senhor.

Alguém sabe qual é a figura do devorador na Bíblia? O gafanhoto. E por quê? Porque o gafanhoto tem um apetite insaciável. Quando vinha uma nuvem de gafanhotos, o povo já ficava apavorado, porque eles arrasavam tudo pelo caminho.

Mas, na vida de João Batista, era diferente. A Palavra de Deus diz que ele se vestia de pelo de camelo, morava no deserto e se alimentava de gafanhotos. Amados, João Batista era devorador de devoradores! Você já parou para imaginar isso?

Na vida de qualquer ser humano comum, quando vinha uma nuvem de gafanhotos, todos ficavam apavorados, clamando a Deus por socorro, pedindo anjos, pedindo qualquer intervenção. Mas quando Deus enviava um homem ungido como João Batista, os gafanhotos já sabiam: aquele ali não fazia jejum daquele jantar. Ao ver a nuvem se aproximando, em vez de temer, ele se ajoelhava para dar graças: "Ó Deus, muito obrigado porque o Senhor está enviando o jantar de hoje. O Senhor é fiel."

Eu quase consigo ver os próprios gafanhotos fazendo a curva. Eles vinham decididos a devastar tudo pelo caminho, mas, ao avistarem João Batista parado ali, era gafanhoto correndo para um lado, fazendo manobra, freando, tentando engatar marcha à ré. Porque aquele homem dependia de Deus. Ele O conhecia em intimidade. Aquilo que, para os outros, era motivo de assombro e pavor, para João Batista era simplesmente petisco.

Dizem que os gafanhotos até mudavam de rota nas proximidades de Jerusalém, porque sabiam que ali corriam perigo. O único problema de João Batista com os devoradores era decidir de que jeito ele os prepararia para o almoço — com um pouco de sal, alho e azeite.

Você pode até sorrir com essa imagem, mas é exatamente isso, amados: a unção de Deus está sobre a nossa vida quando conhecemos a Sua Palavra. E é isso que eu quero fazer agora — aprender da Palavra de Deus com você, meditar sobre princípios, porque muitas vezes as coisas não estão funcionando em nossa vida não porque são coisas ruins, mas porque, mesmo sendo boas e dignas, estão mal posicionadas — simplesmente porque não estamos observando os princípios da Palavra de Deus.

E os princípios de Deus são tão importantes que o próprio Deus os observa. Toda vez que Ele diz "o Reino de Deus é assim, assim", Ele está nos ensinando princípios — e Ele mesmo os pratica.

Às vezes, quando volto ao Antigo Testamento, percebo que muita gente não sabe aproveitá-lo, porque vive tentando reviver as leis dali, obedecendo apenas por obedecer. Não é assim, amado. Precisamos olhar para o Antigo Testamento e aprender, com os homens e mulheres daquele tempo, os princípios de Deus que estavam implicados em cada mandamento. Por isso, quero que você abra sua Bíblia em Deuteronômio, capítulo 22.


Os Princípios do Reino em Deuteronômio 22:9-11

Nós queremos ter a nossa mente transformada. Queremos ser transformados pela renovação do nosso entendimento. E, em nome de Jesus, quero aprender com você, esta noite, uma coisa muito simples. Como pastor, como amigo, tenho observado isso no meio da igreja, e quero abrir meu coração com você nesta noite. Porque, muitas vezes, tenho visto pessoas sinceras — homens e mulheres de Deus que buscam a Ele com todo empenho — deixando de observar alguns princípios divinos em sua busca, e por isso as coisas não estão funcionando como deveriam.

Veja o que está escrito em Deuteronômio 22, a partir do verso 9:

Não semearás a tua vinha com duas espécies de semente, para que não degenere o fruto da semente que semeaste, nem o produto da vinha. Não lavrarás com boi e jumento juntamente. Não usarás roupa de lã e linho tecidos juntamente.

Deixe o Espírito de Deus falar ao seu coração nesta noite. Abra agora mesmo a sua mente e o seu coração para a voz de Deus, para que aprendamos um princípio importante presente neste texto.

Sem dúvida, se eu aplicasse este texto de forma literal e direta — se eu fosse lavrador e ainda usasse boi e jumento no campo — o princípio até funcionaria. Mas certamente o que precisamos aprender aqui não é sobre plantar vinha, lavrar a terra ou tecer roupas. O que precisamos aprender são os princípios implicados nessas instruções. Porque veja: Deus está falando aqui de coisas boas.

A vinha, na Palavra de Deus, fala da igreja. Jesus mesmo disse: "Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor; vós sois os ramos." (João 15:1–5) Então, o que a vinha representa? Representa a igreja, o povo de Deus. Tanto é assim que Deus diz: "Eu plantei uma vinha." Ele é o viticultor, o agricultor, o jardineiro — Aquele que cuida da Sua vinha. E, uma vez ligados a Jesus, nós somos os Seus ramos.

Assim, quando o texto fala de vinha, ele está falando de sementes de uva — Deus não está tratando de plantarmos, numa mesma cova, sementes de natureza distinta. Ele está dizendo que eu não devo colocar, numa mesma cova de vinha, duas espécies diferentes de semente, ainda de que vinha. Mesmo que as coisas sejam dignas, mesmo que sejam boas, mesmo que venham de Deus, todas essas figuras usadas ali servem à edificação da igreja.

Em seguida, o texto combina duas outras figuras: boi e jumento. Tanto o boi quanto o jumento representam, na Palavra, instrumentos que abençoam a igreja — e é sobre eles que vou me deter no próximo tópico.


A Vinha, o Boi e o Jumento: Figuras de Devoção que Não se Misturam

Jesus entrou em Jerusalém montado num jumento que nunca havia sido montado antes. Essa figura do jumento representa aquele que trabalha para transportar, para manifestar, para revelar a glória de Deus. Já o boi, na Palavra, também fala de devoção a Deus — Jesus foi o bezerro sacrificado e imolado, Aquele que deu a Sua vida em serviço por nós. Assim, tanto o boi quanto o jumento falam de entrega, de sacrifício genuíno diante de Deus, para que a Sua glória seja manifesta.

Mas Deus diz que eu não devo colocar boi e jumento arando juntos, ao mesmo tempo. O boi representa a manifestação da glória de Deus a partir da perspectiva do serviço. O jumento representa, igualmente, a manifestação dessa glória, também a partir da perspectiva do serviço. Ambos são bons. Ambos são de Deus. Mas não devem arar juntos, na mesma canga.

Não lavrarás com boi e jumento juntamente.

Veja bem: o problema não está em usar o boi ou usar o jumento. Se eu quiser arar um chão, pego um boi. Se não quiser usar o boi, aro com o jumento — não há problema nenhum nisso. O problema é misturar o boi e o jumento, colocando-os para arar juntos, na mesma canga, ao mesmo tempo. Isso é o que gera desequilíbrio.

Da mesma forma acontece com a vinha: se eu quiser uma vinha, vou lá e planto uma vinha de uma espécie. Se não quiser daquela espécie, planto de outra — não há problema algum nisso também. O problema não está na diversidade de instrumentos ou de espécies que Deus nos dá para usar em momentos diferentes. O problema está em misturar, numa mesma obra, num mesmo propósito, coisas que Deus estabeleceu para operarem de forma distinta.

Boi e jumento são instrumentos de Deus. Ambos podem arar bem — mas não devem ser colocados na mesma canga, ao mesmo tempo, para o mesmo trabalho. E esse mesmo princípio, amados, vamos ver agora se repetir de forma ainda mais clara quando o texto fala de lã e linho.


Lã e Linho: Quando Coisas Boas Tecidas Juntas Produzem Desajuste

Não usarás roupa de lã e linho tecidos juntamente.

Depois de falar de boi e jumento, Deus fala de lã e linho. As duas coisas — tanto a lã quanto o linho — falam da proteção de Deus, do Seu cuidado em cobrir a nossa vergonha, a nossa nudez. O linho fala de nos vestirmos de santidade, de graça, de glória, de justiça. Já a lã fala de nos vestirmos de proteção, de cuidado, de afeto, de perdão. Porque, quando o homem pecou, a vergonha da sua nudez foi coberta com a lã — foi o cordeiro que deu a vida para vestir a nossa nudez. E o linho fala de santidade, de cobertura de pecados, de pureza.

Mas a Palavra de Deus diz que eu não devo tecer uma mesma roupa misturando fios de lã com fios de linho. Por quê? Porque eles têm reações diferentes. Quem entende um pouco de tecido sabe: se eu tecer uma mesma peça misturando um fio de lã com um fio de linho, na hora de lavar ou de passar essa roupa, vou ter problema — porque um material encolhe de um jeito, e o outro encolhe (ou reage) de outro.

Agora pense na sua própria vida. Sabe por que muito crente, muito homem e mulher de Deus abençoado, anda com a vida toda entortada? Aquilo não assenta, não tem prumo. Você olha para a vida da pessoa e parece que as coisas não se encaixam — ela está meio empenada. Já viu um crente empenado? Às vezes a nossa vida está assim: eu busco a Deus, eu oro, eu vou à igreja, vou à reunião de oração, mas a coisa não ajusta, não cai no lugar. Sabe por quê? Porque você misturou lã e linho no mesmo pano. Um encolhe quando você lava, o outro espicha. E aquela roupa nunca senta direito, porque, enquanto um lado encolhe, o outro se estica — e o resultado fica torto.

Por isso existe tanto crente entortado, desajustado, sem entender o que está acontecendo com ele.

Deixe o Espírito de Deus falar ao seu coração. Se você abrir a Bíblia em Marcos, capítulo 4, verso 30, vai encontrar Jesus dizendo:

A que assemelharemos o reino de Deus? Ou com que parábola o representaremos? É como um grão de mostarda que, quando se semeia, é a mais pequena de todas as sementes sobre a terra; mas, tendo sido semeado, cresce e faz-se a maior de todas as hortaliças, e cria grandes ramos, de tal maneira que as aves do céu podem aninhar-se à sua sombra.

E, um pouco antes, Jesus também disse:

O reino de Deus é como se um homem lançasse a semente à terra, e dormisse, e se levantasse de noite e de dia, e a semente brotasse e crescesse, sem ele saber como.

É justamente essa parábola que quero explorar com você a seguir — porque ela revela o verdadeiro problema de muitos crentes hoje.


A Parábola do Grão de Mostarda: Especialistas em Plantar, Não em Transplantar

Deixe o Espírito de Deus falar ao seu coração. O problema de muitos crentes — não vou dizer da maioria, mas de uma grande quantidade deles — é que eles não se tornaram especialistas em plantar sementes. Eles querem se tornar especialistas em transplantar árvores.

Assim, ficam aflitos, buscando todo tipo de informação que conseguem acumular. Eu ensino uma palavra, e a pessoa ouve. Aí ela vai a outro lugar e recebe mais uma. E outra. E mais outra. E, por causa da própria ansiedade — porque tem pressa de ver as coisas acontecerem — ela não deixa nenhuma dessas palavras brotar de fato no seu coração. Termina enchendo o coração de boas sementes, mas de orientações distintas, plantadas todas juntas, sem tempo de germinar.

Se o meu problema é a nudez, eu faço uma roupa de linho — é Deus quem está me dando esse linho. Mas, se eu não quiser fazer uma roupa de linho, faço uma roupa de lã. O que eu não posso fazer é misturar, na mesma roupa, fios de lã com fios de linho. Da mesma forma, se eu quiser uma vinha, vou lá e planto uma vinha de uma espécie. Se não quiser daquela espécie, planto de outra. Não há problema nenhum nisso.

O problema é que as pessoas não entendem que o Reino de Deus funciona por princípios. Por isso, elas não deixam a semente brotar no coração — ficam colocando outra coisa, e outra, e mais outra. E acabam se corrompendo pela própria inconstância. Elas se tornam inconstantes, amado. E o Reino de Deus não vale pela quantidade de sementes que você semeou no coração.

Você quer ver o seu problema resolvido? Então plante uma única semente — mesmo que ela seja tão pequena quanto um grão de mostarda. Mas creia nessa palavra, e dê tempo para que Deus produza os frutos dela na sua vida.


A Inconstância que Corrompe: O Perigo de Acumular Sementes Diferentes

Porque, se já não bastasse o povo plantar sementes de espécies distintas, ainda que sejam da mesma vinha, tem gente que ainda coloca abacate, abacaxi, melancia, milho — vai colocando tudo junto na mesma cova. E tudo isso é bênção de Deus. Tudo mata a fome. Só que, no coração dessa pessoa, nada produz de fato.

Você não precisa acreditar exatamente no que estou pregando aqui. Se você ouviu outra palavra, que falou de verdade ao seu coração, então aplique essa palavra na sua casa. Porque o que vai funcionar não é a qualidade do pregador, nem a eloquência, nem a lucidez com que ele fala — nada disso. Sabe o que vai funcionar? A sua obediência à Palavra de Deus. É isso que produz fruto.

Há homens que nunca conseguem ver a própria família transformada, porque o maior testemunho que dão dentro de casa não é de fé — mesmo frequentando todas as reuniões —, mas de infidelidade e de ansiedade, porque não colocam em prática nada do que aprenderam nelas.

Da mesma forma, há muitas mulheres que não conseguem ver o marido transformado, porque o maior testemunho que dão em casa não é o de uma mulher devota, ainda que frequente toda corrente de oração, jejum e clamor. O testemunho que ela dá em casa é o de uma mulher ansiosa e inconstante, que chega toda semana com uma novidade diferente da parte de Deus. Seria muito melhor que ela aplicasse uma única semente, por menor que fosse, mas esperasse que essa semente desse o seu fruto — porque é assim que o Reino de Deus funciona.

Não adianta querer arar o mesmo chão, ao mesmo tempo, com boi e com jumento — ainda que ambos sejam instrumentos de Deus. Boi e jumento são instrumentos de Deus, e podem arar muito bem, mas não devem ser colocados na mesma canga. Lã e linho são instrumentos de Deus, mas não devem ser tecidos numa mesma peça de pano. Isso é princípio da Palavra de Deus.

Quero agora abrir com você a carta de Tiago, no capítulo primeiro, verso 5, para entendermos como pedir sabedoria a Deus da forma correta.


Pedindo Sabedoria com Fé — Tiago 1:5-8 e a Armadilha da Dúvida

Ora, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto, e ser-lhe-á dada.

Você está precisando de revelação? Está precisando de ensino? Peça a Deus, porque Ele dá a todos liberalmente. Deus dá, Deus dá, Deus dá. E, amado, em nome de Jesus, quero repreender um sofisma aqui, porque viemos hoje para aprender.

Eu oro com muitas pessoas, acompanho muita gente que vive dizendo: "Ah, mas Deus ainda não me respondeu. Deus ainda não revelou nada." Ora, a promessa de Deus aqui é justamente que Ele dá. O problema é que, muitas vezes, não sabemos valorizar o que Deus já respondeu, porque achamos que aquilo é insignificante demais. Pensamos: "Não é possível que Deus vá fazer uma grande obra na minha casa a partir de uma palavra tão simples." Então, buscamos algo mais espetacular — não queremos uma semente de mostarda, queremos logo uma palmeira imperial. Mas saiba que, para chegar a ser uma palmeira imperial, um cedro do Líbano precisou primeiro ser plantado como semente.

O problema de muitos crentes é que não sabem valorizar o princípio, a palavra que Deus ensinou ao coração deles, porque, num primeiro momento, ela parece insignificante. "Não é possível que tudo que eu precisava receber era isso." "Não é possível que uma palavra tão simples, se eu colocar em prática, vá resolver um problema de anos." Mas está exatamente ali: você precisa de sabedoria? Peça, que Deus dá liberalmente.

Amado, o que Deus mais quer é nos ensinar. Para que Jesus morreu? Para que Jesus sofreu tudo o que sofreu? Para nos reconciliar com Deus. Para que, a partir do Seu sacrifício, da Sua reconciliação, o próprio Espírito de Deus fosse derramado sobre a nossa vida.

Agora, tem gente que dificulta as coisas, como se Deus fosse um Deus manhoso. Eu vou buscar dEle uma direção, um rumo — eu sou filho dEle. Ele já pagou todo o preço necessário para me trazer de volta, para dentro de casa, para me abençoar, para me reconciliar consigo. Então eu vou até Ele falar sobre minha família, sobre meu cônjuge, sobre meus filhos, e Deus estaria ali de picuinha, dizendo: "Ah, hoje eu não vou te falar não. Ora mais um pouco. Não te falo não. Sobe mais umas cinco montanhas, depois eu te falo, mano"? Qual pai faria isso?

Ou qual homem há entre vós que, se seu filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? E, se lhe pedir peixe, lhe dará uma serpente? Mateus 7:9–11

Portanto, Deus está pronto e quer dar do Seu Espírito Santo a todos os que O pedirem. Sabe qual é o nosso problema? Não é que Deus tenha deixado de dar. É que, às vezes, não sabemos valorizar o que Ele já deu, nem levar a sério o que Ele já ensinou.

Veja bem: por que Jesus não deu nenhuma técnica especial aos discípulos quando eles pediram mais fé? Eles disseram: "Senhor, aumenta-nos a fé." E o que Jesus respondeu? Que o problema deles não era o tamanho da fé, mas o fato de não terem aplicado a fé que já possuíam.

Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta amoreira: Desarraiga-te, e planta-te no mar; e ela vos obedeceria. Lucas 17:6

Não há problema com a nossa fé, amados. O problema está na nossa seriedade diante das coisas de Deus. Nós nos tornamos inconstantes.

Veja o que o texto diz em seguida:

Peça, porém, com fé, não duvidando; porque o que duvida é semelhante à onda do mar, que é levada pelo vento, e lançada de uma para outra parte. Não pense o tal homem que receberá do Senhor alguma coisa.

Há gente que vem buscar direção de Deus já duvidando. Fala assim: "Eu vou lá falar com aquele irmão, com aquela irmã, com o pastor — mas, dependendo do que ele me disser, sei não." Essa pessoa já está duvidando antes mesmo de ouvir a resposta. Ela quer primeiro se convencer.

Lembre-se: o Reino de Deus é como um homem que plantou uma semente e foi dormir, sem saber como ela cresceria. Sabe qual é o grande problema das pessoas? É que elas querem primeiro entender como, para só depois plantar a semente. Não, amado — não é assim que o Reino de Deus funciona. O princípio do Reino é: você planta, e esquece. Você não precisa saber como Deus vai produzir esse fruto — apenas confia e espera.

Por isso há tanta gente se desdobrando, se esgotando em buscas incessantes. Pelo amor de Deus, esvazie as gavetas da sua mente. Pegue uma única coisa que Deus já tenha lhe ensinado e comece a colocá-la em prática, para que a sua família veja em você, mais do que ansiedade, fidelidade.


Duplo Ânimo: Quando Estamos Animados com o Problema, Não com Deus (Tg 4:8)

Tiago, capítulo 4, diz assim:

Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós. Limpai as mãos, pecadores; e vós, de duplo ânimo, purificai o coração.

Vós, de duplo ânimo. Note bem: ele não está falando de gente que combina ânimo e desânimo, como se fossem estados opostos que se alternam em nós. Ele está falando de pessoas de duplo ânimo.

Sabe qual é o nosso grande problema? Não é que combinamos ânimo com desânimo. Sabe por que as pessoas se desanimam? Porque desânimo é uma forma de ânimo. É ânimo pelas coisas contrárias. Sabe por que ficamos tão desanimados com o desânimo? Porque estamos animados com o problema.

Você sabia que incredulidade não é falta de fé? Incredulidade é colocar a fé na coisa errada. Ninguém aqui tem problema de falta de fé — o problema é que, numa hora, estamos animados com Jesus, e toda a nossa fé está colocada nEle. Amém. Mas, em outra hora, ficamos animados com a doença, colocando toda a nossa fé nela, como se ela fosse capaz de vencer Jesus. E assim vivemos de duplo ânimo.

Amados, precisamos aprender de Jesus, porque, do contrário, não há anjo que dê jeito. O anjo trabalha de manhã, e, quando é de tarde, já arrebentamos com tudo. O fogo que Deus acende pela manhã, à tarde já derramamos sobre ele caminhões de água gelada, e acabamos com tudo.

Vamos colocar em prática os princípios da Palavra de Deus. O que está semeado agora no seu coração é uma sementinha pequenininha — a menor de todas. Mas o Reino de Deus pode ser exatamente assim: a menor de todas as sementes que, uma vez plantada, cresce e produz a maior de todas as hortaliças.

Limpe agora o seu coração. Purifique a sua mente. Faça um rastreamento sincero: será que você não está tentando colocar um boi e um jumento para trabalhar juntos, ao mesmo tempo? Será que, nesse tempo todo, você não acabou fazendo uma roupa que mistura fios de lã e fios de linho — curta de um lado, comprida do outro? Será que você não está colocando uvas de espécies diferentes na mesma cova?

São princípios, amados.


Buscar Conselho em Deus, Não nos Homens

Quando buscamos a Deus, precisamos buscar com fé — porque quem fala a nós, nesses momentos, não são homens. Quando procuramos pessoas para algum tipo de aconselhamento, temos que buscar com a expectativa de que é Deus quem vai falar conosco, superando as limitações humanas daquele que nos aconselha.

E eu vou lhe dizer: quando você tiver essa expectativa colocada em Deus, e não nos homens, até a maior "toupeira" deste mundo será capaz de lhe dar conselhos abençoados. O maior rebelde deste mundo não conseguirá resistir a Deus, e, ao abrir a boca, dará a você conselhos que vêm dEle — porque a sua expectativa não está nele, está em Deus.

Sabe por que tantas pessoas acabam escutando apenas conselhos de homens? Porque estão buscando a homens, e não a Deus. Se nenhum homem servir para falar com você, arrume uma mula. Leve essa mula até um canto do quintal, amarre-a ali e diga: "Deus, não há mais ninguém neste planeta que consiga falar comigo? Então, Senhor, só sobrou essa mula." Mas eu não espero na mula — eu espero no Senhor. E fique firme, porque até a mula fala com o rebelde. Um homem que acredita que nenhum outro homem pode ser usado por Deus para falar com ele já se rebelou contra tudo o mais. Então, só resta uma mula para falar com ele. Mas, se só sobrar uma mula na sua vida, ela falará com você.

Você está entendendo isso? Pelo amor de Deus, coloque as suas expectativas em Deus, porque até o mais rebelde dos homens será capaz de lhe dar um conselho — porque não virá dele, mas de Deus, que ensinará por meio dele.

Mas eu preciso ter seriedade. Preciso estar buscando em Deus, e dizer: "Senhor, eu não vou desprezar. O meu coração é sincero. Estou buscando porque sei que o Senhor dá generosamente, dá graciosamente, dá gratuitamente. Estou te buscando com fé, colocando diante de ti os anseios do meu coração. Então, fala comigo, Deus, e eu vou crer. Estou falando sério: o que o Senhor me falar, eu vou colocar em prática, e o Senhor vai me abençoar." Não despreze aquele conselho, ainda que ele venha pequeno como a menor de todas as sementes. Às vezes ele não vai lhe maravilhar de imediato — mas guarde-o no coração.


Conclusão: Um Chamado à Fidelidade e à Constância

Quero convidar você agora a fazer uma oração comigo. Diga: "Deus, faz uma faxina no meu coração hoje." Reconheça: "Ó Deus, no meu coração, bois e jumentos têm arado juntos. Eu quero que eles arem, mas cada um dentro daquilo que é a sua especialidade. Deus, na minha casa eu quero ter roupas de lã e roupas de linho, mas quero saber a diferença entre uma coisa e outra."

Ó Deus de graça, meu Pai de bondade — a Tua Palavra diz que o homem inconstante não pode receber do Senhor coisa alguma, porque ora está animado com uma coisa, ora com outra. Senhor, queremos nos achegar a Ti e buscar de Ti conselho. Queremos purificar os nossos corações. Queremos pureza, Deus. Queremos semear sementes — por menores que sejam — e esperar que elas deem o seu fruto. Esperar, ó Deus, que elas amadureçam. A semente que o Senhor semeia precisa primeiro germinar, crescer, dar fruto, amadurecer — só então a colhemos.

Que esta seja uma noite de compromisso com a Tua Palavra. Ensina-nos, ó Deus. Leva-nos a ser um povo constante nos Teus caminhos. O maior testemunho que a nossa casa pode receber de nós é a nossa fidelidade, Senhor — é a nossa sinceridade. Às vezes esperamos coisas espetaculares dentro de casa, quando tudo o que a nossa família realmente precisa, Deus, é o testemunho da nossa fidelidade para Contigo. Isso pode levar algum tempo, Senhor, até que a semente germine — mas queremos esperar no Senhor, na Tua fidelidade, em nome de Jesus.

Ó Jesus, limpa o nosso coração nesta noite. Sopra, Espírito de Deus, e vivifica o nosso entendimento. Espírito Santo, Jesus nos fez a promessa de que o Senhor nos faria lembrar — então queremos ser sensíveis à Tua voz, em nome de Jesus.

Amado, que a graça bendita de Jesus, o amor de Deus que nunca te deixa e nunca falha, e a comunhão, o consolo, o ensino e a testificação do Espírito Santo estejam sobre a sua vida, sobre a sua casa, hoje e sempre. Amém.

Vamos em paz.


Fonte: Reino online BR. VOCÊ PRECISA OUVIR ESSA SÉRIE (01)- Paulo Borges Junior. https://www.youtube.com/watch?v=GFBodKOveuU

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