O Perfil do Eunuco: Devoção Além das Barreiras Religiosas
Na sequência da narrativa, Filipe encontra um personagem singular: um homem etíope, eunuco e alto oficial de Candace, rainha dos etíopes. Este homem não era um viajante comum; ele exercia a função de superintendente de todo o tesouro real, uma posição equivalente à de um Ministro da Fazenda moderno.
É importante contextualizar historicamente a origem deste oficial. A "Etiópia" mencionada no texto bíblico não corresponde exatamente à nação moderna situada no Chifre da África (Abissínia), mas refere-se à região de Cuxe, localizada ao sul do Egito, no atual Sudão. O termo "Candace", por sua vez, não era um nome próprio, mas um título dinástico atribuído às rainhas-mães que governavam aquela região, semelhante ao título de "Faraó" no Egito.
O aspecto mais fascinante desta passagem é a motivação religiosa deste homem. Ele havia percorrido cerca de dois mil quilômetros, uma viagem exaustiva de carruagem, para adorar em Jerusalém. Isso indica que, embora fosse um gentio, ele encontrou no Deus de Israel um sentido para sua vida, provavelmente influenciado pela diáspora judaica que existia no sul do Egito, como na comunidade da ilha de Elefantina.
No entanto, havia um obstáculo intransponível perante a Lei Mosaica para a plena participação deste homem no culto: sua condição física. Como oficial da corte responsável pelo harém ou por serviços íntimos da realeza, ele havia sido castrado. A Torá era explícita quanto à restrição imposta a homens nessa condição:
"Aquele a quem forem trilhados os testículos ou cortado o membro viril não entrará na assembléia do SENHOR." (Deuteronômio 23:1)
Aqui reside o paradoxo da devoção do eunuco. Ele viaja uma distância colossal para a "Cidade do Grande Rei" (Salmos 48:2), sabendo que, tecnicamente, sua entrada na assembleia solene estaria vedada. Ele busca um Deus cuja lei, em uma leitura literal, o excluía.
Ainda assim, sua piedade era evidente. O judaísmo antigo possuía um forte apelo ético de acolhimento aos vulneráveis — o órfão, a viúva e o estrangeiro. É provável que esse oficial, homem de posses e poder em sua terra, mas incompleto fisicamente, tenha enxergado no Deus único um refúgio que os deuses pagãos não ofereciam. Sua busca por Deus superava as barreiras institucionais e religiosas que poderiam tê-lo afastado, revelando um coração que, genuinamente, ansiava pelo Criador, independentemente das restrições impostas pelos homens ou pela interpretação da lei vigente.
4Porquenãoforam ao encontro de vocêscompão e água, no caminho, quandovocêsestavamsaindo do Egito; e porquecontrataramBalaão, filho de Beor, de Petor, da Mesopotâmia, paraamaldiçoarvocês.
14Porque o SENHOR, seuDeus, anda no meio do acampamento de vocêsparalivrá-los e paraentregar os inimigos de vocês em suasmãos; portanto, o acampamento de vocêsdevesersanto, paraqueelenãoveja em vocêscoisaindecente e se afaste de vocês.
18Nãopermitamque o saláriopago a prostituta ou a prostituto, porqualquervoto, sejatrazido à Casa do SENHOR, seuDeus; porqueuma e outracoisasãoigualmenteabomináveis ao SENHOR, seuDeus.
20Aosestrangeirosvocêspodememprestarcomjuros, porémaosseuscompatriotasvocêsnãodevememprestarcomjuros, paraque o SENHOR, seuDeus, os abençoe em todos os seusempreendimentos na terraquevocêsvãopossuir.
21 — Se fizerem um voto ao SENHOR, seuDeus, nãodevemdemorar a cumpri-lo, porque o SENHOR, seuDeus, certamente o exigirá de vocês, e vocêsserãoculpados de pecado.
18. Felipe e o Eunuco: A Obediência Radical e a Universalidade do Evangelho (Atos 8:26-40; Is. 53:7-8; Dt. 23:1)
O Perfil do Eunuco: Devoção Além das Barreiras Religiosas
Na sequência da narrativa, Filipe encontra um personagem singular: um homem etíope, eunuco e alto oficial de Candace, rainha dos etíopes. Este homem não era um viajante comum; ele exercia a função de superintendente de todo o tesouro real, uma posição equivalente à de um Ministro da Fazenda moderno.
É importante contextualizar historicamente a origem deste oficial. A "Etiópia" mencionada no texto bíblico não corresponde exatamente à nação moderna situada no Chifre da África (Abissínia), mas refere-se à região de Cuxe, localizada ao sul do Egito, no atual Sudão. O termo "Candace", por sua vez, não era um nome próprio, mas um título dinástico atribuído às rainhas-mães que governavam aquela região, semelhante ao título de "Faraó" no Egito.
O aspecto mais fascinante desta passagem é a motivação religiosa deste homem. Ele havia percorrido cerca de dois mil quilômetros, uma viagem exaustiva de carruagem, para adorar em Jerusalém. Isso indica que, embora fosse um gentio, ele encontrou no Deus de Israel um sentido para sua vida, provavelmente influenciado pela diáspora judaica que existia no sul do Egito, como na comunidade da ilha de Elefantina.
No entanto, havia um obstáculo intransponível perante a Lei Mosaica para a plena participação deste homem no culto: sua condição física. Como oficial da corte responsável pelo harém ou por serviços íntimos da realeza, ele havia sido castrado. A Torá era explícita quanto à restrição imposta a homens nessa condição:
Aqui reside o paradoxo da devoção do eunuco. Ele viaja uma distância colossal para a "Cidade do Grande Rei" (Salmos 48:2), sabendo que, tecnicamente, sua entrada na assembleia solene estaria vedada. Ele busca um Deus cuja lei, em uma leitura literal, o excluía.
Ainda assim, sua piedade era evidente. O judaísmo antigo possuía um forte apelo ético de acolhimento aos vulneráveis — o órfão, a viúva e o estrangeiro. É provável que esse oficial, homem de posses e poder em sua terra, mas incompleto fisicamente, tenha enxergado no Deus único um refúgio que os deuses pagãos não ofereciam. Sua busca por Deus superava as barreiras institucionais e religiosas que poderiam tê-lo afastado, revelando um coração que, genuinamente, ansiava pelo Criador, independentemente das restrições impostas pelos homens ou pela interpretação da lei vigente.