1Tendo em vistaquemuitos já se empenharam em elaborarumanarrativahistóricasobre os eventosque se cumpriramentrenós,2conformenostransmitiram os quedesde o princípioforamtestemunhasocularesdosfatos e servosdedicados à Palavra,3 eu, pessoalmente, investigueitudo em minúcias, a partir da origem e decidiescrever-te um relatoordenado, ó excelentíssimoTeófilo.
5 Na época de Herodes, rei da Judéia, havia um certosacerdotechamadoZacarias, quefaziaparte do gruposacerdotal de Abias. E Isabel, suaesposa, tambémeraumadasdescendentes de Arão.
Versículo 5
Diego Vieira Dias
em 26/11/2025
A linhagem de João era impecável do ponto de vista sacerdotal. Seu pai, Zacarias, era um sacerdote em serviço ativo no templo, pertencente ao turno de Abias. Sua mãe, Isabel, era também descendente da linhagem de Arão. O texto os descreve como um casal exemplar:
"ambos eram justos diante de Deus, vivendo de forma irrepreensível em todos os preceitos e mandamentos do Senhor" (Lucas 1:6).
Dentro da estrutura social e religiosa de Israel, o destino de João parecia selado desde o nascimento. Como filho de sacerdote da tribo de Levi, sua vida seria dedicada ao serviço no templo. Seu lugar natural era junto ao altar, aprendendo os rituais e perpetuando a tradição de sua família. A promessa feita pelo anjo a Zacarias reforçava essa expectativa de uma vida de grande propósito, afirmando que João seria "grande diante do Senhor" e atuaria "no espírito e poder de Elias" para preparar o caminho do Messias.
Contudo, é aqui que Lucas apresenta uma virada desconcertante na narrativa. Após descrever o contexto político e religioso da época, ele revela onde a ação divina de fato acontece:
"...sendo sumos sacerdotes Anás e Caifás, a palavra de Deus veio a João, filho de Zacarias, no deserto." (Lucas 3:2)
Essa simples frase é carregada de significado. A Palavra de Deus, a revelação profética que prepararia a chegada do Rei, não veio no centro do poder religioso — o Templo de Jerusalém. Ela não foi entregue aos sumos sacerdotes legalmente constituídos, Anás e Caifás. Em vez disso, ela se manifestou em um lugar de isolamento, um ambiente marginal e inóspito. O homem que nasceu para servir no templo foi chamado para ministrar no deserto, um sinal inequívoco de que Deus estava iniciando algo novo, completamente fora do sistema religioso estabelecido e corrompido.
13Entretanto, o anjolheassegurou: “Nãotenhasmedo, Zacarias; eisque a tuasúplicafoiouvida. Isabel, tuaesposa, te dará à luz um filho, e tu lheporás o nome de João.
17Eleavançará na presença do Senhor, no mesmoespírito e poder de Elias, com o propósito de fazervoltar o coraçãodospais a seusfilhos e os desobedientes à sabedoriadosjustos, deixando um povopreparadopara o Senhor”.
19 Ao que o anjolhereplicou: “SouGabriel, aquelequeestápermanentemente na presença de Deus e fuiencarregado de virparafalar e transmitir-te estasboasnotícias.
20Porém, eisquepermanecerás em silêncio, poisnãoconseguirásfalaraté o dia em quevenha a ocorrertudoquanto te revelei, porquantonãoacreditastenasminhaspalavras, as quais, no seudevidotempo, se cumprirão”.
22Mas, ao sair, nenhumapalavraconseguiapronunciar; as pessoasperceberamqueeletiveraumavisão no santuário. Zacariastentavacomunicar-se através de sinais, permanecendotodaviamudo.
25 E eladizia a si mesma: “Isto é dádiva do Senhorparamim! Eisqueseusolhos me contemplaram, pararetirar de sobremim a grandehumilhaçãoquesentiadiante de todos”.
26Então, no sextomês, Deusenviou o anjoGabrielparaNazaré, umacidade da Galiléia,27 a umavirgemprometida em casamento a certohomemchamadoJosé, descendente de Davi. E o nome da virgemeraMaria.
32EleseráGrande, e seráchamadoFilho do Altíssimo. O SenhorDeuslhedará o trono de seupaiDavi,33 e Elereinaráparasempresobre o povo de Jacó, e seuReinonuncateráfim”.
35Então o anjolheesclareceu: “O EspíritoSantovirásobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirácom a suasombra. E poressemotivo, o serquenascerá de ti seráchamadoSanto, Filho de Deus.
36SaibatambémqueIsabel, tuaparenta, dará à luz a um filhomesmo em idadeavançada, sendoqueeste já é o sextomês de gestaçãoparaaquela a quemjulgavamestéril.
46EntãodeclarouMaria: “Engrandeceminhaalma ao Senhor,47 e o meuespírito se regozija em Deus, meuSalvador,48poiscontemplou a insignificância da suaserva. Mas, de hoje em diante, todas as gerações me chamarãobem-aventurada,49porque o Poderosorealizoumaravilhas a meufavor; Santo é o seuNome!
54Ajudou a seuservoIsrael, recordando-se da suamisericórdiainfinda55 a favor de Abraão e suadescendência, parasempre, assimcomoprometeraaosnossosantepassados”.
71Salvando-nosdosnossosinimigos e dasmãos de todos os quenosodeiam,72parademonstrarsuamisericórdiaaosnossosantepassados e recordarsuasantaaliança,73 o juramentoqueprestou ao nossopaiAbraão.
74Quenosresgataria da mão de todos os nossosinimigos, a fim de o servirmoslivres do medo,75 em santidade e justiça na suapresença, durantetodos os dias de nossasvidas.
78 E isso, porcausadasprofundasmisericórdias de nossoDeus, atravésdasquaisdoscéusnosvisitará o solnascente,79parailuminaraquelesqueestãovivendo em meio às trevas, e guiarnossospés no caminho da paz”.
Comentários do capítulo
1. A Voz no Deserto: Entendendo o Propósito da Fé e a Transição de João Batista (Lucas 1:1-4)