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Lucas Cap. 8

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Capítulo 8

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Lucas

Versão: KJA
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1 Havendo passado esses acontecimentos, caminhava Jesus por todos os povoados e cidades proclamando as boas novas do Reino de Deus, e os Doze estavam com Ele.
Versículo 1
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Diego Vieira Dias há 2 semanas

23. A Dinâmica do Reino e a Resposta do Coração: Reflexões sobre a Parábola do Semeador (Lc. 8; Mt. 7:15-23; Is. 6:9-10)

O Contexto de Lucas: A Apresentação do Reino a Teófilo

Para compreender a profundidade das parábolas de Jesus, especialmente a do Semeador, é fundamental analisar a moldura histórica e literária construída pelo evangelista Lucas. O Evangelho de Lucas não é apenas uma crônica de eventos, mas um documento endereçado a um homem chamado Teófilo. Este destinatário, provavelmente de origem grega e possuidor de um intelecto questionador, encontrava-se em uma encruzilhada espiritual. Como um gentio convertido ou em processo de conversão, Teófilo lidava com a complexidade de distinguir a tradição religiosa judaica da essência do Reino de Deus.

A mensagem de Jesus surgia em um cenário onde o judaísmo tardio do primeiro século — com seus templos, sacrifícios e farisaísmo — exercia uma forte influência. Para alguém que vinha de fora, como Teófilo, as linhas entre a prática religiosa institucional e a nova fé cristã poderiam parecer tênues. Lucas, portanto, dedica os primeiros capítulos de sua obra a criar uma clara distinção entre esses dois universos.

Essa "rachadura" entre a religiosidade externa e o Reino espiritual começa a ser delineada ainda no ministério de João Batista. O anúncio de que um novo Reino se aproximava não era apenas uma continuidade do sistema vigente, mas uma ruptura que exigia um novo posicionamento interno.

"Aconteceu depois disso que Jesus andava de cidade em cidade e de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o evangelho do Reino de Deus..." (Lc. 8:1)

Até chegar ao capítulo 8, onde a Parábola do Semeador é apresentada, Lucas constrói uma narrativa de validação e autoridade. Ele apresenta a Teófilo um Rei que não se impõe pelo poder político, mas pela demonstração de um domínio sobrenatural e ético. Nos capítulos anteriores, vemos:

  • A Rejeição e a Missão: Jesus é confrontado em sua própria cidade, Nazaré, evidenciando que a proximidade física com o sagrado não garante a compreensão do Reino.
  • O Poder sobre o Caos: Curas de endemoniados, leprosos e paralíticos servem como provas de que o Espírito de Deus repousava sobre Ele, rompendo as barreiras da exclusão social e da impureza ritual.
  • O Embate com a Tradição: Jesus se declara Senhor do sábado e confronta a hipocrisia dos escribas e fariseus, estabelecendo que o Reino prioriza a misericórdia sobre o rito.

Assim, quando Lucas introduz a parábola no capítulo 8, ele o faz como um fechamento de uma grande sessão pedagógica. Após demonstrar quem é o Rei e como o Seu Reino opera — abraçando os excluídos e confrontando os soberbos — Jesus utiliza a figura do semeador para explicar por que as pessoas reagem de formas tão distintas à mesma mensagem. O contexto de Lucas prepara o leitor para entender que o Reino de Deus não é uma questão de nacionalidade ou religiosidade formal, mas de receptividade interna.

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Diego Vieira Dias há 2 semanas

A Redenção dos Excluídos e o Papel das Mulheres no Ministério de Cristo

Uma das marcas mais distintivas do Reino de Deus, conforme relatado por Lucas, é a sua capacidade de atrair e redimir aqueles que a sociedade e a religião de sua época consideravam irremediáveis. No capítulo 8, logo após o relato da mulher pecadora que ungiu os pés de Jesus, o texto revela que o grupo que acompanhava o Messias era composto não apenas pelos doze discípulos, mas também por um grupo notável de mulheres.

Esta observação é profunda, pois rompe com os paradigmas culturais e religiosos da Palestina do primeiro século. Enquanto os líderes religiosos — fariseus e saduceus — mantinham distância de pessoas consideradas "impuras", Jesus permitia que elas fizessem parte de seu círculo íntimo de serviço e convivência.

"E também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios; Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes; Suzana e muitas outras que os serviam com os seus bens." (Lc. 8:2-3)

A composição deste grupo oferece um panorama da diversidade e do poder transformador do Reino:

  • Maria Madalena: Alguém que carregava o estigma de ter sido possuída por sete demônios. Para o sistema religioso, ela seria o ápice da impureza espiritual; para o Reino, tornou-se uma seguidora fiel.
  • Joana: Esposa do procurador de Herodes. Sua presença indica que o Reino alcançava até as altas esferas do poder político, unindo em um mesmo propósito pessoas de origens sociais opostas.
  • O Conceito de Diaconia: O texto utiliza o verbo grego diakonéo, que deu origem ao termo "diaconia" ou "diácono". Essas mulheres não eram meras espectadoras; elas exerciam um ministério prático, sustentando o grupo com seus próprios recursos.

Essa inclusão serve como uma lição prática sobre a natureza da fé. O Reino de Deus transforma o excluído em servo. Aqueles que reconhecem sua miséria espiritual e recebem a libertação não permanecem passivos; eles se tornam agentes ativos da expansão desse mesmo Reino. Enquanto os religiosos encontravam satisfação no cumprimento de regras para manter seu status, essas mulheres encontravam satisfação no serviço como resposta à graça recebida.

A narrativa de Lucas deixa claro a Teófilo que a eficácia do Reino não é medida pela aparência de santidade externa, mas pela transformação de vidas que antes eram marcadas pelo caos, pela enfermidade e pela exclusão.

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2 E também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e doenças: Maria, conhecida como Madalena, de quem haviam saído sete demônios; 3 Joana, esposa de Cuza, administrador da casa de Herodes; Susana e muitas outras. Essas mulheres cooperavam no sustento deles com seus bens.

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4 E ocorreu que uma grande multidão se reuniu, e pessoas de todas as cidades vieram ouvir a Jesus. Foi quando Ele lhes propôs a seguinte parábola: 5Eis que um semeador saiu a semear. Enquanto lançava a semente, parte dela caiu à beira do caminho; foi pisoteada, e as aves do céu a devoraram.

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6 Outra parte caiu sobre as rochas e, quando germinou, as plantas secaram, pois não havia umidade suficiente.

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7 Outra parte ainda, caiu entre os espinhos, que com ela cresceram e sufocaram suas plantas.

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8 Todavia, uma outra parte, caiu em boa terra. Germinou, cresceu e produziu grande colheita, a cem por um”. Tendo concluído esta parábola, exclamou: “Aquele que tem ouvidos para ouvir, ouça!” Jesus explica a parábola 9 Seus discípulos lhe perguntaram o que Ele queria comunicar com aquela parábola.

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10 Ao que Ele lhes replicou: “A vós outros é concedido saber os mistérios do Reino de Deus; aos demais, contudo, anuncio através de parábolas, para quevendo, não vejam; e ouvindo, não compreendam’.
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Diego Vieira Dias há 2 semanas

23. A Dinâmica do Reino e a Resposta do Coração: Reflexões sobre a Parábola do Semeador (Lc. 8; Mt. 7:15-23; Is. 6:9-10)

O Propósito das Parábolas e o Juízo da Incompreensão

Uma das passagens mais intrigantes do relato de Lucas ocorre quando os discípulos questionam Jesus sobre o significado da parábola e o motivo de Ele utilizar essa forma de linguagem. A resposta do Messias revela que as parábolas não são apenas ferramentas didáticas para facilitar o entendimento, mas possuem uma função paradoxal: elas revelam a verdade aos que buscam e a ocultam dos que resistem.

Jesus cita o profeta Isaías para explicar que a incapacidade de compreender a mensagem não é uma falha intelectual, mas um juízo espiritual sobre um coração endurecido.

"A vós é dado conhecer os mistérios do reino de Deus, mas aos outros fala-se por parábolas, para que, vendo, não vejam, e ouvindo, não entendam." (Lc. 8:10)

Essa declaração remete diretamente ao contexto de Israel no Antigo Testamento, onde a nação, apesar de receber todos os cuidados divinos, tornou-se insensível.

"Vai, e dize a este povo: Ouvi, deveras, e não entendais, e vede, deveras, mas não percebais. Torna insensível o coração deste povo, endurece-lhe os ouvidos, e fecha-lhe os olhos..." (Is. 6:9-10)

O uso de figuras simples e pitorescas — como um homem lançando sementes — torna a rejeição dos líderes religiosos ainda mais evidente. A mensagem é tão clara e os exemplos tão cotidianos que a falta de percepção dos escribas e fariseus serve como prova de que eles não pertencem ao Reino. Enquanto os discípulos e os "excluídos" (como as mulheres e os pecadores arrependidos) processam a palavra e buscam profundidade, a elite religiosa permanece na superfície.

Dessa forma, a parábola atua como um divisor de águas. Ela protege os "mistérios do Reino" daqueles que desejam apenas debater ou manter o status quo religioso, ao mesmo tempo que convida o buscador sincero a cavar mais fundo. O juízo de Deus, nesse contexto, é permitir que aqueles que amam sua própria cegueira continuem cegos, mesmo diante da luz mais clara.

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11 Eis, portanto, o esclarecimento desta parábola: A semente é a Palavra de Deus.

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12 As que caíram à beira do caminho representam todos os que ouvem, mas então chega o Diabo e tira a Palavra do coração deles, para que não venham a crer e não sejam salvos.
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Diego Vieira Dias há 2 semanas

23. A Dinâmica do Reino e a Resposta do Coração: Reflexões sobre a Parábola do Semeador (Lc. 8; Mt. 7:15-23; Is. 6:9-10)

Análise da Parábola do Semeador: O Coração como Terreno de Cultivo

A Parábola do Semeador é, talvez, uma das metáforas mais conhecidas de Jesus, e sua força reside na simplicidade telúrica. Ao falar para uma sociedade agrária, Jesus utiliza elementos do cotidiano — sementes, valas, solo e clima — para ilustrar verdades espirituais complexas. O cerne da lição não está na habilidade do semeador ou na qualidade da semente (que é a Palavra de Deus), mas na natureza do solo que a recebe.

Jesus descreve quatro cenários distintos que representam as diferentes respostas humanas à mensagem do Reino:

1. À Beira do Caminho (A Inimizade da Indiferença)

O primeiro solo é o caminho batido, onde a terra é dura e não preparada. A semente nem sequer penetra na terra; ela permanece na superfície, exposta.

"Os que estão à beira do caminho são os que ouviram; e depois vem o diabo e tira-lhes do coração a palavra, para que não suceda que, crendo, sejam salvos." (Lc. 8:12)

Aqui, a dureza do coração impede qualquer receptividade. É o estado de quem ouve, mas não escuta; de quem vê, mas não percebe. A falta de abertura interna torna a mensagem vulnerável a influências externas que a removem antes mesmo que qualquer processo de vida se inicie.

2. Sobre a Pedra (A Superficialidade Emocional)

O segundo solo possui uma fina camada de terra sobre uma base rochosa. A semente germina rápido devido ao calor, mas a falta de profundidade impede a formação de raízes.

"Os que estão sobre a pedra são os que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria; mas estes não têm raiz, creem apenas por algum tempo e, na hora da provação, se desviam." (Lc. 8:13)

Este solo representa aqueles que se entusiasmam com a mensagem de forma epidérmica. Há uma alegria momentânea, mas, como não há enraizamento — ou seja, a Palavra não confrontou as camadas profundas do ser —, a fé murcha diante das primeiras dificuldades ou perseguições.

3. Entre os Espinhos (O Sufocamento pelas Prioridades)

No terceiro cenário, a terra é fértil, mas já está ocupada. A semente cresce, mas divide espaço com ervas daninhas.

"A parte que caiu entre espinhos, esses são os que ouviram e, no decorrer dos dias, são sufocados com as preocupações, as riquezas e os prazeres desta vida, e os seus frutos não chegam a amadurecer." (Lc. 8:14)

Este solo ilustra a vida dividida. A semente do Reino tenta crescer em meio à ansiedade pela sobrevivência, ao deslumbre pelo acúmulo financeiro e à busca incessante por prazeres. O resultado é um fruto raquítico que nunca alcança a maturidade porque o vigor da vida é drenado por interesses secundários.

4. A Boa Terra (A Frutificação pela Perseverança)

Finalmente, Jesus apresenta o solo ideal. Não se trata de uma terra perfeita por natureza, mas de um coração que se permite ser trabalhado.

"Mas a que caiu em boa terra, esses são os que, ouvindo a palavra com coração reto e bom, a retêm e dão fruto com perseverança." (Lc. 8:15)

A "boa terra" é caracterizada por duas ações: reter e frutificar. O processo de frutificação não é instantâneo; ele exige que a semente rasgue a terra, crie raízes invisíveis e enfrente as estações. A perseverança mencionada por Jesus indica que o Reino de Deus não produz resultados mágicos, mas uma transformação orgânica e contínua.

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13 As que caíram sobre as rochas simbolizam os que recebem a Palavra com alegria assim que a ouvem, contudo não possuem raiz. Crêem por um período, mas desistem no tempo da provação.

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14 As que caíram entre os espinhos, significam os que ouvem; todavia, ao seguirem seu caminho, são sufocados pelas muitas ansiedades, pelas riquezas e pelos prazeres desta vida, e não conseguem amadurecer.

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15 No entanto, as que caíram em boa terra, são os que, de bom coração e com sinceridade, ouvem a Palavra, a entesouram, e com perseverança, frutificam.
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Diego Vieira Dias há 1 semana

23. A Dinâmica do Reino e a Resposta do Coração: Reflexões sobre a Parábola do Semeador (Lc. 8; Mt. 7:15-23; Is. 6:9-10)

A Morte do "Eu" e o Processo de Enraizamento Espiritual

O processo de recepção da semente do Reino em uma "boa terra" não é uma experiência passiva ou meramente intelectual; é um evento de ruptura e conflito interno. Quando a Palavra de Deus penetra o ser humano, ela não encontra um espaço vazio, mas um território ocupado por deformidades, vícios, orgulho e uma vontade própria centrada no "eu". Por isso, o enraizamento espiritual é descrito, metaforicamente, como um processo de morte.

Para que a vida de Cristo floresça em um indivíduo, a sua própria vida — no sentido de suas inclinações egoístas e natureza decaída — precisa retroceder. Receber o Evangelho é aceitar um conflito permanente entre os valores do Reino de Deus e a vontade humana de reinar soberana sobre si mesma.

"Em verdade, em verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto." (Jo. 12:24)

O enraizamento ocorre "para baixo", na invisibilidade do solo. Antes que o fruto apareça externamente, a semente precisa rasgar a terra e esmagar as estruturas do antigo "eu". Esse processo envolve:

  • O Reconhecimento da Insuficiência: A percepção de que, por esforço próprio, o homem é incapaz de produzir justiça real.
  • A Luta contra o Pecado: A "boa terra" não é aquela que não possui falhas, mas aquela que luta contra elas. É o coração que, embora imperfeito, permite que a raiz da Palavra confronte sua intolerância, seu ódio e sua vaidade.
  • A Metanoia Permanente: Uma mudança de mente que leva à rendição, onde o indivíduo exclama, como o apóstolo Paulo, que já não vive ele, mas Cristo vive nele.

A verdadeira marca de um coração que se tornou solo fértil é a humildade diante da própria indignidade. Muitas vezes, aqueles que se sentem "lixos deste mundo" — os pecadores, os falhos e os marginalizados — são justamente os que oferecem a terra mais receptiva, pois não possuem a "crosta" do orgulho religioso que impede a semente de penetrar.

Em última análise, ser "boa terra" é um exercício de perseverança na graça. É entender que o Reino de Deus não é para os que se julgam santos por mérito, mas para os que, em meio às suas misérias, clamam por misericórdia e permitem que a raiz divina rasgue suas entranhas até que a vontade de Deus se torne a sua própria. O sinal de que a semente frutificou não é a perfeição absoluta, mas a persistência em morrer para si mesmo para que a vida eterna cresça.

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16 Nãoninguém que, depois de acender uma candeia, a esconda debaixo de um jarro ou a coloque sob a cama. Ao contrário, coloca-a num lugar apropriado, de maneira que todos aqueles que entram, vejam o resplandecer da luz.

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17 Porquanto nãonada oculto que não venha a ser revelado, e nada escondido que não venha a ser conhecido e trazido à luz.
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Diego Vieira Dias há 1 semana

23. A Dinâmica do Reino e a Resposta do Coração: Reflexões sobre a Parábola do Semeador (Lc. 8; Mt. 7:15-23; Is. 6:9-10)

Frutos de Caráter vs. Pirotecnia Religiosa: O Que Define um Seguidor de Cristo?

A definição de um verdadeiro seguidor de Cristo, conforme apresentada no Evangelho, não reside na capacidade de realizar feitos extraordinários ou na exibição de poderes sobrenaturais, mas na produção de frutos. No entanto, há uma confusão comum no meio religioso contemporâneo sobre o que constitui, de fato, esses frutos. Para Jesus, o fruto não é a pirotecnia espiritual ou o milagre momentâneo, mas a transformação visível do caráter.

Jesus adverte severamente contra aqueles que possuem uma aparência de piedade, mas cujas ações internas revelam uma natureza predatória. Ele utiliza a metáfora dos lobos disfarçados de ovelhas para ilustrar que a estética religiosa pode ser profundamente enganosa.

"Acautelai-vos quanto aos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos vorazes. Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa produz frutos bons, porém a árvore má produz frutos maus." (Mt. 7:15-17)

A distinção entre o milagre e o fruto é fundamental para a saúde da fé. O milagre é uma obra soberana de Deus; Ele o faz quando quer e através de quem quer, muitas vezes independentemente do mérito de quem intercede. O fruto, por outro lado, é o resultado da semente da Palavra de Deus habitando e transformando a natureza humana.

  • O Que Não é Fruto: Profecias, expulsão de demônios, curas ou qualquer manifestação de poder que possa ser usada para autopromoção ou controle sobre os outros.
  • O Que é Fruto: Amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. É a reprodução do caráter de Cristo no cotidiano — honestidade nos negócios, misericórdia com o próximo e justiça nas relações.

Muitos buscam líderes baseando-se em demonstrações de poder e "dias de vitória" agendados, acreditando que o controle sobre o sobrenatural valida a autoridade espiritual. Todavia, a advertência bíblica é clara: no julgamento final, muitos apresentarão seus currículos de milagres e ouvirão uma resposta devastadora: "Nunca vos conheci". Isso ocorre porque a ausência de frutos de caráter denuncia a ausência da semente do Reino. O verdadeiro discípulo é reconhecido pela semelhança ética com o seu Mestre, e não pela sua capacidade de mobilizar as massas ou gerir agendas divinas.

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18 Assim sendo, vede, pois, como ouvis; porque ao que tiver, mais se lhe concederá; e ao que não tiver, até mesmo aquilo que imagina possuir lhe será tirado”.

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19 Então a mãe e os irmãos de Jesus vieram para falar com Ele, entretanto, não conseguiam aproximar-se dele, pois grande era a multidão à sua frente.

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20 Certa pessoa comunicou a Jesus: “Tua mãe e teus irmãos estãofora e desejam ver-te”.

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21 Contudo, Ele lhe replicou: “Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a praticam!” A tempestade é neutralizada por Jesus 22 E aconteceu que, em um daqueles dias, ao entrar no barco, pediu Jesus aos seus discípulos: “Passemos para a outra margem do lago”, e partiram.

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23 Enquanto navegavam, Ele adormeceu. E abateu-se sobre o lago uma grande tempestade com fortes ventos, de modo que o barco estava sendo inundado, e eles corriam o risco de naufragar.

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24 Então os discípulos correram para acordá-lo, exclamando: “Mestre! Mestre, estamos a ponto de morrer!” Ele se levantou e repreendeu a tempestade e a violência das águas. Tudo então se acalmou e houve perfeita paz.

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25 Jesus, no entanto, dirigiu-se aos seus discípulos e indagou: “Onde está a vossa fé?” Mas eles, amedrontados e maravilhados, interrogavam uns aos outros: “Quem é este que até aos ventos e às ondasordens, e eles lhe obedecem?” A libertação de um endemoninhado 26 Zarparam então, para a região dos gerasenos, que se localiza do outro lado do lago, na fronteira da Galiléia.

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27 Assim que Jesus desembarcou, foi ao encontro dele um homem daquela cidade, possesso de demônio que, fazia muito tempo, não usava roupas, nem habitava em casa alguma, mas vivia nos sepulcros.

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28 Ao contemplar Jesus, berrou, prostrou-se aos seus pés e exclamou com voz forte: “Que desejas comigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Imploro a Ti, não me castigues!”

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29 Porquanto Jesus ordenara ao espírito imundo que abandonasse o corpo daquele homem. Diversas vezes o demônio havia se apoderado dele. Mesmo com os pés e as mãos acorrentados, e vigiado por guardas, arrebentava as cadeias e os grilhões, e era impelido pelo demônio para lugares desolados.

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30 Jesus lhe inquiriu: “Qual é o teu nome?” Ao que ele replicou: “Legião!”, pois eram muitos os demônios que tinham invadido aquele homem.

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31 E suplicavam a Jesus que não os mandasse para o Abismo.

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32 Entrementes, uma grande manada de porcos estava pastando naquela colina. Os demônios imploraram que Jesus lhes permitisse entrar nos porcos. E Jesus consentiu.

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33 Então, saindo do homem, os demônios invadiram os porcos, e a manada jogou-se precipício abaixo em direção ao grande lago e todos os porcos se afogaram.

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34 Ao observar tudo o que acontecera, as pessoas responsáveis pelo cuidado dos porcos fugiram e foram contar esses fatos na cidade e pelos campos.

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35 E ocorreu que o povo saiu para ver o que tinha sucedido. Quando se aproximaram de Jesus, viram aquele homem de quem os demônios haviam saído, assentado aos pés de Jesus, vestido e em perfeito juízo, e todos ficaram apavorados.

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36 As pessoas que haviam testemunhado todos os fatos, contaram também como fora liberto aquele homem dos muitos demônios que o haviam tomado.

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37 Então, todo o povo da região dos gerasenos rogou a Jesus para que se retirasse de suas terras, pois estavam aterrorizados.

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38 Contudo, o homem de quem haviam sido expulsos os demônios, implorava-lhe que o deixasse ir com Ele; mas Jesus despediu-se, recomendando-lhe: 39Volta para tua casa e compartilha tudo quanto Deus fez por ti!” E assim o homem partiu, e anunciou na cidade inteira todas as obras que Jesus havia realizado em sua vida.

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40 Assim que Jesus regressou, a multidão o recebeu com grande júbilo, pois todos o estavam aguardando com ansiedade.

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41 Eis que se aproximou de Jesus um homem chamado Jairo, que era dirigente da sinagoga local, e, prostrando-se aos pés de Jesus, lhe implorou que fosse até a sua casa.

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42 Pois tinha uma filha única com cerca de doze anos, que estava à beira da morte. E, enquanto Ele caminhava, as multidões o comprimiam.

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43 Nas proximidades estava certa mulher que, havia doze anos, vinha sofrendo de hemorragia e já tinha gasto tudo o que podia com os médicos, mas ninguém fora capaz de curá-la.

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44 Ela conseguiu se aproximar de Jesus, por trás, e tocou na borda de seu manto, quando no mesmo instante se lhe cessou completamente a hemorragia.

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45 Ao que Jesus indagou: “Quem tocou em mim?” Como todos negassem, Pedro pondera: “Mestre, a multidão se aglomera e te espreme. E, ainda assim, desejas saber quem te tocou?

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46 Contudo, Jesus insistiu: “Certamente alguém me tocou, pois senti que de mim emanou poder!”

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47 Então a mulher, compreendendo que não haveria de passar despercebida, aproximou-se tremendo e prostrou-se aos pés de Jesus. E, diante de todo o povo, declarou o motivo pelo qual o tocara daquela maneira, e como naquele mesmo momento fora totalmente curada.

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48 Ao que Jesus lhe afirmou: “Filha! A tua fé te curou; vai-te em perfeita paz”.

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49 Falava Ele ainda, quando chegou uma pessoa da casa do dirigente da sinagoga, informando: “Tua filhaestá morta. Não adianta mais incomodar o Mestre”.

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50 Ao ouvir tais notícias, Jesus declarou a Jairo: “Não temas, tão-somente crê, e ela será salva!”

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51 Assim que chegou à casa de Jairo, não permitiu que ninguém entrasse com Ele, a não ser Pedro, João, Tiago, bem como, o pai e a mãe da menina.

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52 Enquanto isso, grande comoção atingiu a multidão, e todos choravam e se lamentavam por ela. Diante disto Jesus os encorajou: “Não pranteeis! Ela não está morta, mas dorme”.

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53 E muitos zombavam dele, pois tinham certeza de que ela estava morta.

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54 Entretanto, Ele a tomou pela mão e, em voz alta, lhe ordenou: “Menina, levanta-te!”

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55 Imediatamente o espírito dela retornou, e no mesmo momento ela se levantou, e Ele mandou que lhe dessem algo para comer.

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56 Os pais da menina ficaram maravilhados, contudo Jesus lhes ordenou que não contassem a ninguém o que se passara ali.

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