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Atos Cap. 7

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Capítulo 7

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Atos

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Diego Vieira Dias há 6 dias

A Narrativa Histórica: A Dualidade entre Aliança e Rebelião

Ao receber a palavra para sua defesa, Estêvão não responde diretamente às acusações de blasfêmia com negativas simples. Em vez disso, ele inicia uma magistral retrospectiva histórica, dirigindo-se aos acusadores como "irmãos e pais". Essa abordagem demonstra não apenas seu profundo conhecimento da Torá, mas também estabelece uma base comum: todos ali compartilham a mesma herança e a mesma aliança.

No entanto, a narrativa de Estêvão carrega um subtexto teológico perigoso para o Sinédrio. Ele constrói a história de Israel evidenciando um padrão cíclico de comportamento: a iniciativa graciosa de Deus em levantar libertadores e a resposta consistente do povo em rejeitá-los.

A Aliança com Abraão e a Providência sobre José

O discurso começa com Abraão, o pai da fé. Estêvão destaca que o "Deus da glória" apareceu a Abraão ainda na Mesopotâmia, fora da Terra Prometida, sublinhando que a presença de Deus não está confinada a um território geográfico específico. A promessa da terra e a aliança da circuncisão foram dadas antes que houvesse templo ou lei codificada.

A narrativa avança para os doze patriarcas, filhos de Jacó. Aqui, Estêvão introduz o primeiro grande exemplo de rejeição a um escolhido de Deus: José.

"Os patriarcas, invejosos de José, venderam-no para o Egito; mas Deus estava com ele e o livrou de todas as suas aflições..." (Atos 7:9-10)

O ponto central de Estêvão é a ironia divina: os irmãos rejeitaram José, vendendo-o como escravo, mas foi justamente através de José — aquele que eles desprezaram — que Deus proveu sustento e salvação para a família durante a fome. Aquele que foi resistido tornou-se a pedra angular da sobrevivência do povo.

Moisés: O Libertador Rejeitado

A maior parte da argumentação de Estêvão concentra-se na figura de Moisés. A escolha é estratégica, visto que ele fora acusado de blasfemar contra Moisés. Estêvão descreve o nascimento de Moisés em um tempo de opressão, sua educação na sabedoria egípcia e, crucialmente, sua primeira tentativa de defender seus irmãos hebreus.

Quando Moisés tentou intervir em uma briga entre dois israelitas, sua liderança foi questionada imediatamente:

"Mas o que agredia o seu próximo o repeliu, dizendo: Quem te constituiu autoridade e juiz sobre nós?" (Atos 7:27)

Estêvão enfatiza que Moisés foi rejeitado por seu próprio povo antes de fugir para Midiã. Quarenta anos depois, no episódio da sarça ardente, Deus envia esse mesmo homem de volta ao Egito. A retórica de Estêvão torna-se afiada:

  • O homem que o povo rejeitou ("Quem te constituiu chefe?"), Deus enviou como chefe e libertador.
  • Moisés operou prodígios e sinais, guiando o povo pelo deserto.
  • Moisés prometeu que Deus levantaria outro profeta semelhante a ele (uma alusão clara a Cristo).

A Inclinação à Idolatria

Apesar da libertação, a "Igreja no deserto" (a congregação de Israel) não permaneceu fiel. Estêvão recorda que, em seus corações, eles "voltaram para o Egito". A rejeição à liderança visível de Moisés (quando este estava no Monte Sinai) resultou na fabricação do Bezerro de Ouro.

"Fizeram um bezerro naqueles dias, ofereceram sacrifício ao ídolo e se alegravam com a obra das suas mãos. Mas Deus se afastou e os entregou ao culto do exército do céu..." (Atos 7:41-42)

Estêvão conecta esse evento antigo ao exílio na Babilônia, citando os profetas para demonstrar que a idolatria — seja a Moloque ou a outros deuses estelares — foi a causa do juízo divino.
O argumento implícito é devastador: historicamente, os verdadeiros "blasfemadores" contra Moisés e contra Deus não foram os profetas perseguidos, mas os próprios antepassados dos que agora julgavam Estêvão. Havia duas linhagens claras na história de Israel: a linhagem da providência divina (Abraão, José, Moisés) e a linhagem da rebelião (os patriarcas invejosos, os hebreus que rejeitaram Moisés, os adoradores do bezerro). Estêvão estava preparando o terreno para identificar em qual dessas linhagens o Sinédrio se encontrava.

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1 Então o sumo sacerdote perguntou: Isso tudo é verdade?

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2 Estêvão respondeu: Irmãos e pais, ouvi. O Deus da glória apareceu a nosso pai Abraão, quando ele estava na Mesopotâmia, antes de habitar em Harã, 3 e disse-lhe: Sai da tua terra, e do meio dos teus parentes, e vai para a terra que eu te mostrarei.

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4 Então ele saiu da terra dos caldeus e foi habitar em Harã. Depois que seu pai morreu, Deus o trouxe dali para esta terra em que agora habitais.

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5 E aqui não lhe deu herança, nem sequer o espaço de um pé. Mas prometeu que lhe daria a terra como posse e, depois dele, à sua descendência, quando ele ainda não tinha nenhum filho.

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6 Pois Deus afirmou que a descendência dele seria peregrina em terra alheia e que a escravizariam e maltratariam por quatrocentos anos.

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7 Mas eu punirei a nação que os tiver escravizado, disse Deus; depois disso, eles sairão e me cultuarão neste lugar.

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8 E deu-lhe a aliança da circuncisão; assim, Abraão gerou Isaque e o circuncidou ao oitavo dia; e Isaque gerou Jacó, e Jacó gerou os doze patriarcas.

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9 Os patriarcas, movidos por inveja, venderam José para o Egito. Mas Deus estava com ele, 10 livrou-o de todas as tribulações e deu-lhe graça e sabedoria perante o faraó, rei do Egito, que o constituiu governador sobre o Egito e sobre toda a sua corte.

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11 Houve, então, fome e grande tribulação em todo o Egito e em Canaã; e nossos pais não achavam alimento.

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12 Mas, tendo ouvido que no Egito havia trigo, Jacó enviou nossos pais parapela primeira vez.

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13 E, na segunda vez, José se revelou a seus irmãos, e a sua família foi conhecida pelo faraó.

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14 Então José mandou chamar seu pai Jacó e todos os seus parentes, setenta e cinco pessoas.

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15 E Jacó desceu ao Egito, onde morreu, ele e nossos pais.

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16 E foram transportados para Siquém e colocados na sepultura que Abraão havia comprado, por certo preço em prata, dos filhos de Hamor, em Siquém.

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17 Enquanto se aproximava o tempo da promessa que Deus fizera a Abraão, o povo crescia e se multiplicava no Egito.

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18 Até que se levantou ali outro rei, que não conhecia José.

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19 Usando de astúcia contra o nosso povo, maltratou nossos pais, levando-os a abandonar seus filhos, para que não vivessem.

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20 Naquela época, nasceu Moisés, que era belo aos olhos de Deus, e foi criado durante três meses na casa de seu pai.

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21 Depois de ser abandonado, a filha do faraó o recolheu e o criou como seu filho.

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22 Assim, Moisés foi instruído em toda a sabedoria dos egípcios e era poderoso em palavras e obras.

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23 Quando completou quarenta anos, desejou visitar seus irmãos, os israelitas.

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24 E vendo um deles sofrer injustamente, defendeu-o e vingou o oprimido, matando o egípcio.

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25 Ele pensava que seus irmãos entenderiam que por meio dele Deus lhes daria a liberdade; mas eles não entenderam.

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26 No dia seguinte, aproximou-se de alguns deles quando brigavam, e quis pacificá-los, dizendo: Homens, sois irmãos; por que maltratais um ao outro?

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27 Mas o que feria o seu próximo o empurrou, dizendo: Quem te nomeou líder e juiz sobre nós?

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28 Por acaso queres matar-me, como ontem mataste o egípcio?

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29 Diante dessa palavra, Moisés fugiu e tornou-se peregrino na terra de Midiã, onde gerou dois filhos.

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30 Passados mais quarenta anos, apareceu-lhe um anjo no deserto do monte Sinai, numa chama de fogo em uma sarça.

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31 Vendo isso, Moisés admirou-se com a visão e, aproximando-se para observar, ouviu a voz do Senhor: 32 Eu sou o Deus de teus pais, o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó. Moisés ficou trêmulo e não ousou olhar.

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33 Então o Senhor lhe disse: Tira as sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é terra santa.

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34 Vi com atenção a aflição do meu povo no Egito, ouvi os seus gemidos e desci para livrá-lo. Agora, pois, vem, e eu te enviarei ao Egito.

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35 A este Moisés a quem eles rejeitaram, dizendo: Quem te nomeou líder e juiz?, Deus enviou como líder e libertador, pela mão do anjo que lhe aparecera na sarça.

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36 Foi este que os conduziu para fora, realizando feitos extraordinários e sinais na terra do Egito, no mar Vermelho e no deserto por quarenta anos.

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37 Este é o Moisés que disse aos israelitas: Deus vos levantará dentre vossos irmãos um profeta como eu.

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38 Este é o que esteve na congregação no deserto, com o anjo que lhe falava no monte Sinai, e com nossos pais, e que recebeu palavras vivas para transmiti-las a vós.

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39 Foi a ele que os nossos pais não quiseram obedecer, pelo contrário, rejeitaram-no e, na verdade, desejaram voltar para o Egito, 40 pedindo a Arão: Faze-nos deuses que possam ir à nossa frente, porque não sabemos o que aconteceu a esse Moisés que nos tirou da terra do Egito.

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41 Naqueles dias, eles fizeram um bezerro, ofereceram sacrifício ao ídolo e o festejaram como obra das suas mãos.

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42 Mas Deus se afastou deles e os entregou ao culto dos astros do céu, como está escrito no livro dos profetas: Foi a mim que oferecestes sacrifícios e ofertas por quarenta anos no deserto, ó casa de Israel?

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43 Antes, carregastes o tabernáculo de Moloque e a estrela do deus Renfã, figuras que fizestes para adorá-las. Assim, eu vos exilarei para além da Babilônia.

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44 O tabernáculo do testemunho estava entre os nossos pais no deserto, como ordenara aquele que disse a Moisés que o fizesse segundo o modelo que tinha visto.

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45 Tendo-o recebido, nossos pais o levaram sob a direção de Josué, quando tomaram posse da terra das nações que Deus expulsou da presença dos nossos pais, até os dias de Davi.

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46 Este recebeu o favor da parte de Deus e pediu que lhe fosse concedido edificar uma habitação para o Deus de Jacó.

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47 Entretanto, foi Salomão quem lhe construiu uma casa.

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48 Mas o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos humanas, como diz o profeta: 49 O céu é meu trono, e a terra, o estrado dos meus pés. Que casa me edificareis, diz o Senhor, ou qual o lugar do meu repouso?

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50 Não foi a minha mão que fez todas essas coisas?

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51 Homens teimosos e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo. Como fizeram os vossos pais, assim também fazeis.

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52 Que profeta vossos pais não perseguiram? Mataram até mesmo os que anteriormente anunciaram a vinda do Justo, do qual agora vos tornastes traidores e homicidas.

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53 Vós, que recebestes a lei por meio de anjos, não a guardastes.

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54 Ouvindo isso, eles se enfureciam no coração e rangiam os dentes contra Estêvão.

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55 Mas Estêvão, cheio do Espírito Santo, com os olhos fixos no céu, viu a glória de Deus, e Jesus em pé à direita de Deus, 56 e disse: Vejo o céu aberto, e o Filho do homem em pé, à direita de Deus.

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57 Então eles gritaram e, tapando os ouvidos, lançaram-se juntos contra ele 58 e, empurrando-o para fora da cidade, o apedrejaram. E as testemunhas puseram as suas roupas aos pés de um jovem chamado Saulo.

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59 E enquanto o apedrejavam, Estêvão orava: Senhor Jesus, recebe o meu espírito.

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60 E, pondo-se de joelhos, clamou em alta voz: Senhor, não lhes atribuas este pecado. Tendo dito isso, adormeceu.

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