Isaías Cap. 58
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A Bíblia Defende a Escravidão? Uma Análise Teológica e Histórica (Êx 21; Fm 1; 1 Tm 1:10)
Conclusão: A Expectativa Profética de Liberdade
Para encerrar esta análise, é imperativo compreender a trajetória hermenêutica da Bíblia, que os teólogos frequentemente chamam de "movimento redentivo". A presença de leis regulatórias sobre a escravidão no Pentateuco não deve ser confundida com o ideal de Deus para a humanidade. Uma analogia útil é dada pelo próprio Jesus ao tratar da questão do divórcio em Mateus 19. Quando questionado sobre por que Moisés mandou dar carta de divórcio, Jesus responde: "Por causa da dureza do vosso coração vos permitiu Moisés... mas no princípio não foi assim".
A mesma lógica aplica-se à escravidão. Deus permitiu e regulamentou uma instituição humana falha para conter o mal maior, mas o "princípio" — o desígnio original da criação — sempre foi a liberdade e a dignidade humana. A Lei Mosaica era uma administração temporária de uma realidade caída, enquanto a revelação progressiva da Escritura apontava incessantemente para um horizonte de libertação.
Os profetas do Antigo Testamento, que funcionavam como a consciência moral de Israel, deixaram claro qual era o verdadeiro desejo divino. Isaías, ao descrever o jejum que agrada a Deus, utiliza uma linguagem que ecoa como um manifesto abolicionista:
"Porventura não é este o jejum que escolhi, que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo e que deixes livres os oprimidos, e despedaces todo o jugo?" Isaías 58:6
Além disso, a instituição do Ano do Jubileu (Levítico 25), que ocorria a cada 50 anos, funcionava como um "reset" social obrigatório: todas as dívidas eram perdoadas, as terras devolvidas e, crucialmente, todos os servos hebreus eram proclamados livres. O Jubileu era uma sombra profética de um mundo onde a escravidão econômica e física seria erradicada.
Portanto, acusar a Bíblia de ser um livro pró-escravidão é ignorar a direção do vento que sopra em suas páginas. Ela encontrou a humanidade em correntes brutais e, em vez de ignorar essa realidade, plantou dentro da cultura os princípios explosivos — a Imago Dei, a fraternidade em Cristo, a santidade da vida — que eventualmente tornariam impossível a convivência entre o Evangelho e a escravidão. Se o Cristianismo demorou séculos para erradicar totalmente essa prática, a falha reside na desobediência dos homens, não na deficiência do Texto Sagrado, cuja mensagem final é, inequivocamente, a liberdade gloriosa dos filhos de Deus.
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