Gênesis Cap. 50
Leia, destaque e registre suas anotações em qualquer versão disponível.
Filtre por versão e livro para refinar o resultado.
Livros
Selecione um livro
Nenhum livro encontrado
Nenhum comentário ainda.
Nenhum comentário ainda.
Nenhum comentário ainda.
Nenhum comentário ainda.
Nenhum comentário ainda.
Nenhum comentário ainda.
Nenhum comentário ainda.
Nenhum comentário ainda.
Nenhum comentário ainda.
Nenhum comentário ainda.
Nenhum comentário ainda.
Nenhum comentário ainda.
Nenhum comentário ainda.
O Mistério do Mal: O Decreto Permissivo e a Santidade de Deus
Uma das questões mais complexas e delicadas ao estudarmos a soberania de Deus é a existência do mal moral. Se Deus decretou tudo o que acontece, segue-se logicamente que Ele decretou a entrada do pecado no mundo e a ocorrência de atos perversos. Surge então a inevitável indagação: "Isso faz de Deus o autor do pecado?". A teologia bíblica responde com um enfático "não", introduzindo distinções vitais para preservar tanto a soberania absoluta de Deus quanto a Sua santidade impecável.
A Distinção entre Causa Eficaz e Permissão Vontariosa
Para lidar com esse mistério, é necessário distinguir a maneira como Deus se relaciona com o bem e com o mal. Deus é a causa primeira de todas as coisas, mas a natureza de Sua agência difere:
- No Bem (Decreto Eficaz): Deus age positivamente e diretamente para produzir o bem. Ele cria, regenera, santifica e inclina os corações para a verdade.
- No Mal (Decreto Permissivo): Deus optou por não impedir que agentes morais (anjos e homens) pecassem. No entanto, essa "permissão" não é passiva ou irrelevante, como alguém que apenas assiste a um erro sem intervir. É uma permissão vontariosa e sóbria. Deus decretou que o pecado aconteceria, mas os agentes secundários (as criaturas) são os que o executam voluntariamente, movidos por sua própria natureza caída.
Portanto, Deus ordena que o pecado exista como parte do Seu plano global, mas Ele não executa o pecado, nem incita ninguém a pecar.
"Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele a ninguém tenta. Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz." (Tiago 1:13-14)
A Soberania sobre Atos Perversos: O Exemplo da Cruz
A Bíblia está repleta de exemplos onde atos genuinamente maus, realizados por homens perversos, foram simultaneamente decretados por Deus para cumprir Seus propósitos santos. O exemplo supremo é a crucificação de Jesus Cristo.
Do ponto de vista humano, a morte de Jesus foi o resultado de inveja religiosa (líderes judeus), covardia política (Pilatos), traição (Judas) e crueldade (soldados romanos). Todos esses agentes agiram por vontade própria e são culpados por seus crimes. Contudo, a Escritura revela que eles fizeram exatamente o que a mão de Deus havia predeterminado.
"Porque verdadeiramente se ajuntaram nesta cidade contra o teu santo Servo Jesus, ao qual ungiste, Herodes e Pôncio Pilatos, com gentios e gente de Israel, para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho predeterminaram que se fizesse." (Atos 4:27-28)
Aqui reside o paradoxo divino: o maior crime da história humana foi, ao mesmo tempo, o evento mais planejado e essencial para a redenção da humanidade. Deus usou a maldade humana, sem se tornar mal, para realizar o bem supremo.
José do Egito e a Intencionalidade
Outro caso clássico é o de José. Seus irmãos o venderam por ódio e inveja. Anos depois, ao revelar sua identidade, José oferece a chave hermenêutica para entender a soberania divina sobre o mal:
"Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o intentou para o bem, para fazer o que se vê neste dia, para conservar muita gente com vida." (Gênesis 50:20)
Note que há duas intenções operando no mesmo evento: a intenção dos irmãos era má (e eles foram responsáveis por isso), mas a intenção de Deus, através desse mesmo ato, era boa (a preservação da vida).
Por que Deus Decretou o Mal?
A teologia reformada sugere que Deus decretou a permissão do mal para que a plenitude de Seus atributos pudesse ser revelada. Sem a queda e o pecado, não conheceríamos a profundidade da misericórdia divina (pois não haveria miseráveis para perdoar) nem a severidade da Sua justiça e ira santa contra o pecado.
O apóstolo Paulo argumenta em Romanos 9 que Deus, querendo mostrar a Sua ira e dar a conhecer o Seu poder, suportou com muita paciência os "vasos de ira", a fim de que também desse a conhecer as riquezas da Sua glória nos "vasos de misericórdia". O mal, portanto, serve como um contraste escuro sobre o qual a glória da graça de Deus brilha com maior intensidade.
12. A Providência de Deus: O Governo Soberano e Sustentador da História (Cl. 1:17; Hb. 1:3; Is. 38)
Causas Primárias e Secundárias: A Interação entre Soberania e Ação Humana
Um dos pontos de maior tensão e dificuldade na compreensão da Providência Divina é a relação entre a soberania absoluta de Deus e a responsabilidade das criaturas. Como Deus pode estar no controle de tudo sem que o ser humano se torne um mero autômato? A resposta reside na correta distinção entre Causa Primária e Causas Secundárias.
A Causa Primária (Deus)
Deus é a Causa Primária de tudo o que acontece. Ele é a fonte suprema de poder e o planejador final da história. Nada ocorre fora do Seu decreto permissivo ou determinativo. No entanto, o fato de Deus ser a causa primeira não elimina a realidade e a eficácia das causas que operam dentro da criação.
As Causas Secundárias (A Criação)
As criaturas (humanos, anjos, e até as forças da natureza) agem como causas secundárias. Elas possuem vontade, natureza e agência reais. Quando um ser humano toma uma decisão, ele o faz voluntariamente, de acordo com a sua natureza e desejos.
A teologia bíblica ensina que a Causa Primária e as Causas Secundárias atuam simultaneamente, mas em planos diferentes. Elas não competem entre si. Deus age através das causas secundárias, garantindo que o resultado final esteja de acordo com o Seu propósito soberano, sem violar a liberdade ou a responsabilidade do agente.
O Exemplo de José no Egito
O caso de José é talvez a ilustração mais clara dessa interação na Bíblia. Seus irmãos o venderam por inveja e maldade; essa foi a ação da causa secundária (o pecado humano). Contudo, ao analisar o quadro geral anos depois, José declara:
"Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer como se vê neste dia, para conservar muita gente em vida." (Gênesis 50:20)
Note que José não diz que os irmãos foram robôs forçados por Deus, nem diz que Deus apenas "reagiu" ao mal deles. Ele afirma que, no mesmo evento, havia duas intenções distintas operando:
- A intenção dos irmãos (Secundária): Ferir José (ato pecaminoso).
- A intenção de Deus (Primária): Salvar vidas através da posição de José no Egito (ato redentor).
O Exemplo da Crucificação
O ápice dessa doutrina ocorre na cruz de Cristo. A morte de Jesus foi o maior crime judicial da história, executado por homens perversos (Herodes, Pilatos, os líderes religiosos). No entanto, a Bíblia afirma categoricamente que tudo ocorreu exatamente como Deus havia determinado:
"Porque verdadeiramente contra o teu santo Filho Jesus, que tu ungiste, se ajuntaram, não só Herodes, mas Pôncio Pilatos, com os gentios e os povos de Israel; Para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho tinham anteriormente determinado que se havia de fazer." (Atos 4:27-28)
Aqui vemos o mistério da providência: os homens são moralmente responsáveis por seus atos maus, pois agiram segundo seus próprios desejos perversos; contudo, Deus soberanamente orquestrou o evento para cumprir o propósito da redenção.
Portanto, a soberania de Deus não anula a responsabilidade humana, e a liberdade humana não frustra a soberania de Deus. Ambas são verdades bíblicas que caminham juntas, garantindo que Deus seja o Senhor da história, enquanto o homem permanece responsável por suas escolhas morais.
Nenhum comentário ainda.
Nenhum comentário ainda.
Nenhum comentário ainda.
Nenhum comentário ainda.
Nenhum comentário ainda.
Nenhum comentário ainda.
Livros
Selecione um livro
Nenhum livro encontrado
Nenhum comentário ainda.