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Gênesis Cap. 3

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Capítulo 3

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Gênesis

Versão: ARC
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1 Ora, a serpente era mais astuta que todas as alimárias do campo que o SENHOR Deus tinha feito. E esta disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?

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2 E disse a mulher à serpente: Do fruto das árvores do jardim comeremos, 3 mas, do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis, para que não morrais.
Versículo 2
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Diego Vieira Dias em 16/01/2026

2. A Necessidade da Salvação: Do Pecado Original à Redenção em Cristo (Rm. 5:12; 1 Pe. 1:18-19)

A Resposta Humana: A Importância da Fé e do Arrependimento

Se a expiação e a redenção constituem a parte divina na equação da salvação, a resposta humana se manifesta através de duas ações inegociáveis: a e o arrependimento. Jesus Cristo sintetizou essa exigência no início de seu ministério:

"O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos, e crede no evangelho." Marcos 1:15

Para compreender a profundidade teológica dessas duas demandas, precisamos retornar ao Gênesis e analisar a natureza da queda. A salvação é, em muitos aspectos, a reversão do processo que levou o homem ao pecado.

A Fé como Antídoto para a Dúvida

O primeiro passo para a queda de Eva não foi o ato de comer o fruto, mas a dúvida. Quando Deus instruiu Adão, Ele foi enfático: "no dia em que dela comeres, certamente morrerás" Gênesis 2:17. No hebraico, a ênfase é dada pela repetição do verbo (mot tamut), indicando uma certeza absoluta.

No entanto, ao dialogar com a serpente, a resposta de Eva revela uma sutileza perigosa. Ela diz: "Deus disse: Não comereis dele, nem nele tocareis, para que não morrais" Gênesis 3:3. Eva omitiu a palavra "certamente". Na mente dela, a certeza da sentença divina já havia se diluído. A serpente, percebendo essa brecha de incerteza, lançou o ataque final: "Certamente não morrereis".

Se o pecado entrou no mundo através da dúvida sobre a Palavra de Deus, a salvação deve entrar através da Certeza, ou seja, da Fé.

"Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não veem." Hebreus 11:1

Crer no Evangelho é restaurar o "certamente" que foi perdido no Éden. É ter a convicção inabalável de que o que Deus diz é a verdade absoluta.

O Arrependimento e a Árvore do Conhecimento

O segundo passo para a salvação é o arrependimento. Diferente do remorso (que é apenas um pesar emocional), o arrependimento bíblico é uma mudança de mentalidade (do grego metanoia).

Para entender isso, analisemos o significado da "Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal". Comer desse fruto representava o desejo do homem de decidir por conta própria o que é certo e errado, independentemente de Deus. Até aquele momento, o conceito de Bem e Mal pertencia a Deus; se Deus dizia que algo era bom, o homem concordava. Ao comer o fruto, o homem declarou independência, invertendo os valores: o que era puro (como a nudez) passou a ser visto com malícia.

A história popularizou a ideia de que o fruto era uma maçã, devido a um jogo de palavras na tradução latina (Vulgata), onde malum significa tanto "mal" quanto "macieira". Contudo, a essência do pecado não estava na fruta em si, mas na rebelião da autonomia moral.

O arrependimento reverte essa autonomia. É a decisão de parar de definir o bem e o mal segundo a própria vontade e voltar a submeter-se aos valores de Deus. Paulo descreve esse processo como a renovação do entendimento:

"E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus." Romanos 12:2

O termo "experimentar" aqui significa "testar" ou "examinar". A mente renovada pelo arrependimento para de seguir os impulsos da carne (que ama o pecado) e passa a testar todas as coisas sob a ótica divina, buscando o que é agradável a Ele.

A Transformação do Destino

Existe uma cadeia lógica no comportamento humano:

  1. Pensamento gera Vontade.
  2. Vontade leva ao Ato.
  3. Ato cria Hábito.
  4. Hábito forma Caráter.
  5. Caráter define Destino.

Jesus veio para mudar o nosso destino ("para que não pereça, mas tenha a vida eterna"). No entanto, para mudar o destino, Deus precisa trabalhar na raiz: o pensamento. É por isso que Isaías 55 conclama o ímpio a deixar os seus pensamentos e se voltar para o Senhor.

A salvação, portanto, completa seu ciclo quando o ser humano, movido pela graça, abandona a dúvida e a autonomia moral (fé e arrependimento) e aceita a obra perfeita de expiação e redenção realizada por Cristo.

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4 Então, a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis.

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5 Porque Deus sabe que, no dia em que dele comerdes, se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal.

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6 E, vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela.

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7 Então, foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; e coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais.
Versículo 7
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Diego Vieira Dias em 16/01/2026

2. A Necessidade da Salvação: Do Pecado Original à Redenção em Cristo (Rm. 5:12; 1 Pe. 1:18-19)

Entendendo a Expiação e a Propiciação

Para resolver o dilema entre Sua justiça e Seu amor, Deus instituiu o conceito de expiação. O termo "expiação" traduz a palavra hebraica Kafar, que significa literalmente cobrir.

A ideia por trás desse conceito não é esconder o erro no sentido de "varrer a sujeira para debaixo do tapete", mas sim cobrir a falha de tal maneira que ela deixe de ser o foco da atenção daquele que foi ofendido.

Para ilustrar, imagine uma parede com um buraco visível. Consertar a parede exigiria tempo, material e trabalho. No entanto, se você coloca um quadro sobre aquele buraco, você cobriu a falha. O quadro não apenas oculta o defeito, mas atrai o olhar para algo novo e belo. O erro não está mais em evidência; o que se vê agora é a cobertura.

O Sangue como Cobertura

No Antigo Testamento, o principal meio de expiação era o derramamento de sangue. A lógica espiritual é severa: o salário do pecado é a morte. Para que o ser humano pecador não morresse imediatamente, Deus permitiu que um animal inocente morresse em seu lugar. O sangue desse animal servia como "cobertura" (Kafar) para o pecado do homem.

Vemos a primeira aplicação disso logo no Éden. Após pecarem, Adão e Eva tentaram fazer sua própria cobertura cosendo folhas de figueira.

"Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; e coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais." Gênesis 3:7

As folhas de figueira, contudo, eram insuficientes. Elas representam a tentativa humana de remediar o pecado com recursos próprios e frágeis — como tentar "tapar o sol com a peneira". Para prover uma cobertura eficaz, Deus teve que intervir com a morte de um animal:

"E fez o Senhor Deus a Adão e à sua mulher túnicas de peles, e os vestiu." Gênesis 3:21

Ali ocorreu a primeira expiação. Um animal morreu para que a vergonha do homem fosse coberta. Embora a expiação no Antigo Testamento não resolvesse o problema do pecado de forma definitiva (o pecado ainda estava lá), ela desviava a ira divina, transferindo a sentença de morte para o substituto. Por isso a Escritura declara:

"Sem derramamento de sangue não há remissão." Hebreus 9:22

O ápice desse ritual ocorria no Yom Kippur (Dia da Expiação), onde diversos sacrifícios eram realizados para cobrir os pecados da nação de Israel, incluindo o bode expiatório e o bode emissário, simbolizando a remoção da culpa.

A Propiciação no Novo Testamento

Enquanto o Antigo Testamento foca na expiação (cobrir), o Novo Testamento introduz e aprofunda o conceito através da Propiciação.

"E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo." 1 João 2:2

Propiciação significa "tornar propício" ou "tornar favorável". Envolve apaziguar a ira de alguém ofendido. O pecado criou uma inimizade entre o homem e Deus; nós nos tornamos, por natureza, "inimigos de Deus".

A obra de Cristo na cruz foi um ato propiciatório. Jesus não apenas cobriu o nosso pecado, mas satisfez plenamente a justiça divina, aplacando a ira de Deus. Ele transformou uma relação de hostilidade em uma relação de favor e amizade.

Quando o publicano orou no templo dizendo: "Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador" (Lucas 18:13), o termo original carrega o sentido de "Sê propício a mim". Ele pedia para que Deus, através de um sacrifício, se tornasse favorável a ele.

Portanto, Jesus Cristo realizou a obra completa: Seu sangue serviu como a expiação perfeita que cobre nossas falhas e como a propiciação que restaura nossa comunhão e amizade com o Criador.

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8 E ouviram a voz do SENHOR Deus, que passeava no jardim pela viração do dia; e escondeu-se Adão e sua mulher da presença do SENHOR Deus, entre as árvores do jardim.

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9 E chamou o SENHOR Deus a Adão e disse-lhe: Onde estás?

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10 E ele disse: Ouvi a tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e escondi-me.

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11 E Deus disse: Quem te mostrou que estavas nu? Comeste tu da árvore de que te ordenei que não comesses?

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12 Então, disse Adão: A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi.

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13 E disse o SENHOR Deus à mulher: Por que fizeste isso? E disse a mulher: A serpente me enganou, e eu comi.

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14 Então, o SENHOR Deus disse à serpente: Porquanto fizeste isso, maldita serás mais que toda besta e mais que todos os animais do campo; sobre o teu ventre andarás e pó comerás todos os dias da tua vida.

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15 E porei inimizade entre ti e a mulher e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.
Versículo 15
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Diego Vieira Dias há 5 dias

1. O Panorama da História Divina: Da Eternidade à Redenção (2 Tm. 3:16-17; Jo. 1:1-3; Ap. 13:8)

A Queda e Suas Profundas Dimensões Cósmicas

O segundo grande marco na narrativa bíblica, logo após a criação, é o evento comumente denominado como a Queda. Este acontecimento é o alicerce para a compreensão de toda a necessidade humana de redenção. Sem o entendimento claro da Queda, a vinda de Cristo e o Seu sacrifício perderiam o seu sentido central dentro da história.

A desobediência no Éden transcende a simples infração de uma regra imposta; trata-se de um pecado com profundas implicações ontológicas — ou seja, relativas à própria essência e natureza do ser. Ao optar por comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, a humanidade (representada no original hebraico pela palavra Adam) tomou uma decisão drástica: escolheu viver de forma independente do seu Criador.

Antes desse evento, o conhecimento e a conduta humana estavam atrelados à revelação e à dependência divina. Pensadores teológicos apontam que, no Éden, o homem "só sabia Deus"; todo o seu entendimento derivava de sua comunhão direta com o Senhor. Ao provar do fruto, o ser humano assumiu para si a prerrogativa de determinar, por conta própria, o que é o bem e o que é o mal, rejeitando a direção de Deus para a sua existência.

As consequências dessa escolha autônoma não se restringiram apenas ao campo individual ou espiritual do ser humano, mas afetaram toda a criação. A Queda possui dimensões cósmicas. O texto bíblico relata o impacto direto da rebelião humana sobre a própria terra:

"E a Adão disse: Visto que atendeste a voz de tua mulher e comeste da árvore que eu te ordenara não comesses, maldita é a terra por tua causa; em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida. Ela produzirá também cardos e abrolhos, e tu comerás a erva do campo." (Gênesis 3:17-18)

O cosmos, outrora perfeito e sob o domínio harmonioso estabelecido por Deus, passou a sofrer os efeitos da degeneração. A terra, que antes oferecia sustento de forma plena e acessível, passou a ter um "rebote" contra o pecado, exigindo suor e labor árduo, produzindo espinhos e ervas daninhas como reflexo físico da ruptura relacional. Além disso, a morte, até então inexistente na experiência humana, tornou-se a realidade final e inevitável ("porque tu és pó e ao pó tornarás").

Diante desse novo estado de corrupção, a eternidade física tornou-se um grande risco. Havia no jardim uma outra árvore fundamental: a árvore da vida. Se o homem, agora imerso em sua natureza pecaminosa e independente, comesse dessa árvore, o mal seria perpetuado eternamente. Por essa razão, a perda da presença irrestrita de Deus e a expulsão do paraíso foram medidas estabelecidas:

"E, expulso o homem, colocou querubins ao oriente do jardim do Éden e o refulgir de uma espada que se revolvia, para guardar o caminho da árvore da vida." (Gênesis 3:24)

Contudo, mesmo em meio a essa tragédia cósmica, a esperança redentora foi imediatamente anunciada. Como Deus não está limitado à linha do tempo humana, a solução para a Queda já estava delineada na eternidade. Imediatamente após o juízo, o Senhor declarou a promessa do Messias:

"Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar." (Gênesis 3:15)

Essa passagem, conhecida como o primeiro evangelho ou protoevangelho, contém a promessa de que o descendente (Cristo) sofreria a morte (o calcanhar ferido na cruz), mas desferiria um golpe fatal e definitivo no mal (esmagando a cabeça da serpente). Assim, compreende-se que as agruras da humanidade, a maldade persistente e a contínua degeneração do mundo são reflexos diretos da Queda, mas a cruz sempre foi a resposta de Deus, plantada desde a fundação do mundo.

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16 E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dor e a tua conceição; com dor terás filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará.

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17 E a Adão disse: Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida.
Versículo 17
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Diego Vieira Dias há 5 dias
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18 Espinhos e cardos também te produzirá; e comerás a erva do campo.

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19 No suor do teu rosto, comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado, porquanto és pó e em pó te tornarás.

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20 E chamou Adão o nome de sua mulher Eva, porquanto ela era a mãe de todos os viventes.

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21 E fez o SENHOR Deus a Adão e a sua mulher túnicas de peles e os vestiu.
Versículo 21
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Diego Vieira Dias em 16/01/2026

2. A Necessidade da Salvação: Do Pecado Original à Redenção em Cristo (Rm. 5:12; 1 Pe. 1:18-19)

Entendendo a Expiação e a Propiciação

Para resolver o dilema entre Sua justiça e Seu amor, Deus instituiu o conceito de expiação. O termo "expiação" traduz a palavra hebraica Kafar, que significa literalmente cobrir.

A ideia por trás desse conceito não é esconder o erro no sentido de "varrer a sujeira para debaixo do tapete", mas sim cobrir a falha de tal maneira que ela deixe de ser o foco da atenção daquele que foi ofendido.

Para ilustrar, imagine uma parede com um buraco visível. Consertar a parede exigiria tempo, material e trabalho. No entanto, se você coloca um quadro sobre aquele buraco, você cobriu a falha. O quadro não apenas oculta o defeito, mas atrai o olhar para algo novo e belo. O erro não está mais em evidência; o que se vê agora é a cobertura.

O Sangue como Cobertura

No Antigo Testamento, o principal meio de expiação era o derramamento de sangue. A lógica espiritual é severa: o salário do pecado é a morte. Para que o ser humano pecador não morresse imediatamente, Deus permitiu que um animal inocente morresse em seu lugar. O sangue desse animal servia como "cobertura" (Kafar) para o pecado do homem.

Vemos a primeira aplicação disso logo no Éden. Após pecarem, Adão e Eva tentaram fazer sua própria cobertura cosendo folhas de figueira.

"Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; e coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais." Gênesis 3:7

As folhas de figueira, contudo, eram insuficientes. Elas representam a tentativa humana de remediar o pecado com recursos próprios e frágeis — como tentar "tapar o sol com a peneira". Para prover uma cobertura eficaz, Deus teve que intervir com a morte de um animal:

"E fez o Senhor Deus a Adão e à sua mulher túnicas de peles, e os vestiu." Gênesis 3:21

Ali ocorreu a primeira expiação. Um animal morreu para que a vergonha do homem fosse coberta. Embora a expiação no Antigo Testamento não resolvesse o problema do pecado de forma definitiva (o pecado ainda estava lá), ela desviava a ira divina, transferindo a sentença de morte para o substituto. Por isso a Escritura declara:

"Sem derramamento de sangue não há remissão." Hebreus 9:22

O ápice desse ritual ocorria no Yom Kippur (Dia da Expiação), onde diversos sacrifícios eram realizados para cobrir os pecados da nação de Israel, incluindo o bode expiatório e o bode emissário, simbolizando a remoção da culpa.

A Propiciação no Novo Testamento

Enquanto o Antigo Testamento foca na expiação (cobrir), o Novo Testamento introduz e aprofunda o conceito através da Propiciação.

"E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo." 1 João 2:2

Propiciação significa "tornar propício" ou "tornar favorável". Envolve apaziguar a ira de alguém ofendido. O pecado criou uma inimizade entre o homem e Deus; nós nos tornamos, por natureza, "inimigos de Deus".

A obra de Cristo na cruz foi um ato propiciatório. Jesus não apenas cobriu o nosso pecado, mas satisfez plenamente a justiça divina, aplacando a ira de Deus. Ele transformou uma relação de hostilidade em uma relação de favor e amizade.

Quando o publicano orou no templo dizendo: "Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador" (Lucas 18:13), o termo original carrega o sentido de "Sê propício a mim". Ele pedia para que Deus, através de um sacrifício, se tornasse favorável a ele.

Portanto, Jesus Cristo realizou a obra completa: Seu sangue serviu como a expiação perfeita que cobre nossas falhas e como a propiciação que restaura nossa comunhão e amizade com o Criador.

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22 Então, disse o SENHOR Deus: Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal; ora, pois, para que não estenda a sua mão, e tome também da árvore da vida, e coma, e viva eternamente, 23 o SENHOR Deus, pois, o lançou fora do jardim do Éden, para lavrar a terra, de que fora tomado.
Versículo 22
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Diego Vieira Dias em 16/01/2026

10. A Doutrina da Santíssima Trindade: Fundamentos Bíblicos, Desenvolvimento Histórico e Aplicações Práticas (Dt. 6:4; Mt. 28:19; 2 Co. 13:14)

A Revelação da Trindade no Antigo Testamento

Ao investigarmos a presença da doutrina da Trindade no Antigo Testamento, é fundamental compreender o conceito de revelação progressiva. A teologia reformada ensina que Deus não revelou todas as verdades de uma única vez; Ele o fez gradualmente ao longo da história da redenção. Nesse sentido, a doutrina da Trindade encontra-se no Antigo Testamento de forma seminal.

O teólogo John Frame observa que o Antigo Testamento antecipa a doutrina da Trindade de muitas maneiras, provendo materiais úteis para seu estudo, mas que sua compreensão plena depende da ótica do Novo Testamento. O foco primordial da antiga aliança era estabelecer a singularidade de Deus.

Isso ocorria porque o povo de Israel vivia cercado por nações politeístas, onde a adoração a múltiplos deuses era a norma. O monoteísmo israelita era uma exceção cultural absoluta. Para proteger Seu povo da idolatria, Deus enfatizou Sua unidade, conforme expresso no Shema de Israel:

"Ouça, ó Israel: O Senhor, o nosso Deus, é o único Senhor." Deuteronômio 6:4

No entanto, essa ênfase na unicidade não contradiz a pluralidade de pessoas na divindade. Pelo contrário, o texto hebraico oferece diversos indícios que apontam para essa realidade complexa.

O Nome Elohim e os Plurais Divinos

Um dos primeiros indícios surge logo no primeiro versículo da Bíblia, com o uso do nome divino Elohim (Gênesis 1:1). Este termo é o plural de El ou Eloah. Embora não se possa deduzir a Trindade apenas pela gramática, o uso de um substantivo plural para designar o Deus único sugere, minimamente, uma pluralidade dentro do ser divino.

Além do nome, as Escrituras registram o próprio Deus referindo-se a Si mesmo no plural. Embora linguistas apontem para o uso do "plural majestático" — utilizado para enfatizar dignidade e solenidade —, o contexto bíblico sugere uma comunicação interna na divindade:

"Então disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança." Gênesis 1:26

"Então disse o Senhor Deus: Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal." Gênesis 3:22

"Vinde, desçamos e confundamos ali a sua língua..." Gênesis 11:7

Pessoas Divinas em Diálogo

A literatura sapiencial e profética apresenta passagens onde pessoas divinas parecem conversar entre si ou são descritas distintamente, mas ambas identificadas como Deus. O Salmo 45, citado posteriormente em Hebreus com referência a Jesus, ilustra Deus ungindo a Deus:

"O teu trono, ó Deus, é eterno e perpétuo; o cetro do teu reino é um cetro de equidade [...] Por isso Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria mais do que a teus companheiros." Salmo 45:6-7

Da mesma forma, o Salmo 110 apresenta um diálogo entre o Senhor (Yahweh) e o Senhor do salmista (Adonai):

"Disse o SENHOR ao meu Senhor: Assenta-te à minha mão direita, até que ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés." Salmo 110:1

Além do Pai e do Filho, a pessoa do Espírito Santo também é distinta no Antigo Testamento. Ele não é apresentado apenas como uma força ativa ou energia, mas como uma pessoa com sentimentos, capaz de se entristecer com a rebeldia do povo:

"Mas eles foram rebeldes, e contristaram o seu Espírito Santo; por isso se lhes tornou em inimigo, e ele mesmo pelejou contra eles." Isaías 63:10

O Anjo do Senhor

Talvez a manifestação mais intrigante da pluralidade divina no Antigo Testamento seja a figura misteriosa do Anjo do Senhor. Este não era um anjo comum criado; ele recebia adoração, aceitava títulos divinos e falava como o próprio Deus, ao mesmo tempo que era distinto dAquele que o enviava.

Em Gênesis 22, é o Anjo do Senhor que impede Abraão de sacrificar Isaque e diz: "agora sei que temes a Deus, e não me negaste o teu filho". Em Êxodo 3, na experiência da sarça ardente, o Anjo do Senhor aparece a Moisés e se identifica explicitamente:

"Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó." Êxodo 3:6

A teologia cristã historicamente identifica o Anjo do Senhor como uma cristofania — uma aparição do Senhor Jesus Cristo antes de Sua encarnação. Trata-se de uma manifestação corpórea de Deus, distinta da pessoa do Pai, mas consubstancial a Ele.

Portanto, embora o mistério não estivesse totalmente desvelado, o Antigo Testamento fornece as fundações necessárias para a plena revelação da Trindade que viria a ocorrer com a chegada do Messias.

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24 E, havendo lançado fora o homem, pôs querubins ao oriente do jardim do Éden e uma espada inflamada que andava ao redor, para guardar o caminho da árvore da vida.
Versículo 24
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Diego Vieira Dias há 5 dias
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