Êxodo Cap. 3
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A Revelação da Trindade no Antigo Testamento
Ao investigarmos a presença da doutrina da Trindade no Antigo Testamento, é fundamental compreender o conceito de revelação progressiva. A teologia reformada ensina que Deus não revelou todas as verdades de uma única vez; Ele o fez gradualmente ao longo da história da redenção. Nesse sentido, a doutrina da Trindade encontra-se no Antigo Testamento de forma seminal.
O teólogo John Frame observa que o Antigo Testamento antecipa a doutrina da Trindade de muitas maneiras, provendo materiais úteis para seu estudo, mas que sua compreensão plena depende da ótica do Novo Testamento. O foco primordial da antiga aliança era estabelecer a singularidade de Deus.
Isso ocorria porque o povo de Israel vivia cercado por nações politeístas, onde a adoração a múltiplos deuses era a norma. O monoteísmo israelita era uma exceção cultural absoluta. Para proteger Seu povo da idolatria, Deus enfatizou Sua unidade, conforme expresso no Shema de Israel:
"Ouça, ó Israel: O Senhor, o nosso Deus, é o único Senhor." Deuteronômio 6:4
No entanto, essa ênfase na unicidade não contradiz a pluralidade de pessoas na divindade. Pelo contrário, o texto hebraico oferece diversos indícios que apontam para essa realidade complexa.
O Nome Elohim e os Plurais Divinos
Um dos primeiros indícios surge logo no primeiro versículo da Bíblia, com o uso do nome divino Elohim (Gênesis 1:1). Este termo é o plural de El ou Eloah. Embora não se possa deduzir a Trindade apenas pela gramática, o uso de um substantivo plural para designar o Deus único sugere, minimamente, uma pluralidade dentro do ser divino.
Além do nome, as Escrituras registram o próprio Deus referindo-se a Si mesmo no plural. Embora linguistas apontem para o uso do "plural majestático" — utilizado para enfatizar dignidade e solenidade —, o contexto bíblico sugere uma comunicação interna na divindade:
"Então disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança." Gênesis 1:26
"Então disse o Senhor Deus: Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal." Gênesis 3:22
"Vinde, desçamos e confundamos ali a sua língua..." Gênesis 11:7
Pessoas Divinas em Diálogo
A literatura sapiencial e profética apresenta passagens onde pessoas divinas parecem conversar entre si ou são descritas distintamente, mas ambas identificadas como Deus. O Salmo 45, citado posteriormente em Hebreus com referência a Jesus, ilustra Deus ungindo a Deus:
"O teu trono, ó Deus, é eterno e perpétuo; o cetro do teu reino é um cetro de equidade [...] Por isso Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria mais do que a teus companheiros." Salmo 45:6-7
Da mesma forma, o Salmo 110 apresenta um diálogo entre o Senhor (Yahweh) e o Senhor do salmista (Adonai):
"Disse o SENHOR ao meu Senhor: Assenta-te à minha mão direita, até que ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés." Salmo 110:1
Além do Pai e do Filho, a pessoa do Espírito Santo também é distinta no Antigo Testamento. Ele não é apresentado apenas como uma força ativa ou energia, mas como uma pessoa com sentimentos, capaz de se entristecer com a rebeldia do povo:
"Mas eles foram rebeldes, e contristaram o seu Espírito Santo; por isso se lhes tornou em inimigo, e ele mesmo pelejou contra eles." Isaías 63:10
O Anjo do Senhor
Talvez a manifestação mais intrigante da pluralidade divina no Antigo Testamento seja a figura misteriosa do Anjo do Senhor. Este não era um anjo comum criado; ele recebia adoração, aceitava títulos divinos e falava como o próprio Deus, ao mesmo tempo que era distinto dAquele que o enviava.
Em Gênesis 22, é o Anjo do Senhor que impede Abraão de sacrificar Isaque e diz: "agora sei que temes a Deus, e não me negaste o teu filho". Em Êxodo 3, na experiência da sarça ardente, o Anjo do Senhor aparece a Moisés e se identifica explicitamente:
"Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó." Êxodo 3:6
A teologia cristã historicamente identifica o Anjo do Senhor como uma cristofania — uma aparição do Senhor Jesus Cristo antes de Sua encarnação. Trata-se de uma manifestação corpórea de Deus, distinta da pessoa do Pai, mas consubstancial a Ele.
Portanto, embora o mistério não estivesse totalmente desvelado, o Antigo Testamento fornece as fundações necessárias para a plena revelação da Trindade que viria a ocorrer com a chegada do Messias.
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