Filipenses Cap. 2
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20. O Verdadeiro Poder do Evangelho: Quando a Compaixão Supera a Busca por Milagres (Lc. 7:11-17)
Superando a Fé Instrumental para Viver o Reino do Consolo
A análise do milagre em Naim nos conduz a uma crítica necessária sobre o tipo de espiritualidade que temos cultivado. Frequentemente, vivemos uma "fé instrumental", onde Deus é visto como um meio para um fim. Nossos cadernos de anotações e livros de cabeceira estão repletos de fórmulas: "5 passos para a vitória", "10 segredos para a conquista", "como superar desafios". Os verbos predominantes são sempre de aquisição e domínio: conquistar, ter, alcançar, vencer.
Essa mentalidade utilitária nos torna impacientes com o sofrimento alheio. Quando alguém nos procura com um problema — um filho rebelde, uma crise conjugal, uma doença — a tendência religiosa imediata é buscar uma solução mágica. Queremos orar rapidamente, profetizar a vitória, repreender o mal e enviar a pessoa para casa "resolvida". Fazemos isso não apenas por uma suposta fé, mas porque não queremos gastar tempo ouvindo. Não queremos nos compadecer, pois isso exige parar, sentar e, muitas vezes, chorar junto sem ter uma resposta pronta.
"Muitos buscam a fórmula do milagre, mas o nosso Cristo é a fonte da compaixão. Ele é o Deus que sabe que, às vezes, antes do poder da ressurreição, é preciso o abraço do consolo."
O Verdadeiro Motivo de Espanto
O que deveria nos espantar nesta passagem não é o poder de Jesus em ressuscitar um morto. Para quem é Deus, dono da vida e vencedor da morte, trazer alguém de volta à vida não é um esforço. Poder, Ele tem de sobra. O que realmente causa assombro — ou deveria causar — é a generosidade e a humildade de um Deus Todo-Poderoso que se importa com a dor de uma anônima.
No mundo dos homens, o poder geralmente afasta a sensibilidade. Mas no Reino de Deus, o Rei caminha 50 quilômetros para enxugar as lágrimas de uma viúva. O verdadeiro "sinal" do Reino não é apenas o fenômeno sobrenatural, mas a humanidade recuperada: gente que se torna capaz de sentir, de amar e de se solidarizar, à semelhança de Cristo.
Conclusão: O Reino da Compaixão
O episódio de Naim nos convida a abandonar a busca frenética por sinais e a obsessão por sermos "vitoriosos" a todo custo, para nos tornarmos "gente". Gente que entende que o cristianismo não é um clube de super-heróis imunes à dor, mas uma comunidade de compaixão.
Este episódio ecoa a "kénosis" (esvaziamento) descrita por Paulo:
"Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens." (Filipenses 2:6-7)
Talvez, o maior milagre que precisamos hoje não seja a ressurreição física de um morto, mas a ressurreição da nossa sensibilidade. Precisamos deixar de ser uma multidão que busca o espetáculo para ser a multidão que sabe parar o cortejo fúnebre do próximo, não com discursos de autoajuda, mas com a presença silenciosa e solidária que diz: "Não chore, eu estou aqui com você".
Os sinais seguirão aos que creem, disse Jesus. Portanto, não precisamos correr atrás deles. Nossa corrida deve ser para nos tornarmos, a cada dia, mais parecidos com esse Deus que se compadece e que visita o Seu povo na hora da angústia.
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