Colossenses Cap. 2
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Sombras versus Realidade: O Caso do Sábado
A aplicação prática dessa abolição é vista claramente em Colossenses 2:16-17, onde Paulo proíbe que cristãos sejam julgados com base nas normas da Antiga Aliança:
"Portanto, não permitam que ninguém os julgue pelo que vocês comem ou bebem, ou com relação a alguma festividade religiosa ou à celebração das luas novas ou dos dias de sábado. Estas coisas são sombras do que haveria de vir; a realidade, porém, encontra-se em Cristo." (Colossenses 2:16-17)
Este texto é crucial por listar elementos centrais da identidade judaica e da lei cerimonial e civil, incluindo as leis dietéticas (comidas e bebidas), o calendário litúrgico (festas e luas novas) e o Sábado.
É importante notar que "dias de sábado" (sabbaton) aqui inclui o sábado semanal, listado junto com as outras observâncias cíclicas de Israel. Paulo categoriza todas essas práticas como "sombras". A sombra não tem substância em si mesma; ela é apenas uma projeção que indica a chegada de algo real. Uma vez que a realidade (o corpo de Cristo) chegou, apegar-se à sombra é desnecessário e retrocesso espiritual. Portanto, na Nova Aliança, a observância de dias, festas ou restrições alimentares mosaicas não é normativa.
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Jesus Pregou no Inferno? Entenda o Mistério dos Espíritos em Prisão (1 Pe 3:18-20; Ef 4:8-10)
Terceira Interpretação: A Descida Vitoriosa aos Espíritos em Prisão
A terceira via interpretativa é, historicamente, a mais difundida na tradição cristã, servindo de base para a formulação clássica do Credo: "desceu à mansão dos mortos". Esta visão sustenta que, no intervalo entre a morte física na sexta-feira e a ressurreição no domingo, a alma humana de Jesus, separada de seu corpo (que repousava no sepulcro), desceu conscientemente ao Hades, o reino dos mortos.
Diferente da segunda interpretação, que situa o evento na ascensão, esta leitura toma a cronologia de forma literal: Cristo "morreu na carne", foi "vivificado no espírito" (uma referência à sua existência contínua no estado intermediário ou ao poder do Espírito Santo preservando sua vida) e, nesse estado desencarnado, dirigiu-se ao local de aprisionamento espiritual.
O Local: O Abismo ou Tártaro
Os defensores desta tese frequentemente associam a "prisão" mencionada em 1 Pedro 3:19 com o "Tártaro", termo utilizado em 2 Pedro 2:4 para descrever o local onde anjos caídos são mantidos em cadeias de escuridão.
Neste cenário, Jesus teria invadido o reduto mais profundo das trevas. O objetivo não era libertar esses seres demoníacos (os anjos que pecaram no tempo de Noé), mas sim confrontá-los face a face com a realidade de sua derrota.
Uma Proclamação de Juízo (Kerysso)
É fundamental distinguir esta interpretação da ideia de "evangelização dos mortos". A palavra grega kerysso usada aqui significa proclamar como um arauto. No contexto do mundo antigo, um general vitorioso ou um rei enviava um arauto para anunciar oficialmente a vitória e a subjugação dos inimigos.
Portanto, a descida de Cristo ao Hades teria o propósito de:
Paulo parece aludir a esse tipo de triunfo cósmico sobre as forças espirituais em sua carta aos Colossenses:
O "Seio de Abraão" e a Transferência dos Santos
Algumas vertentes desta interpretação adicionam um elemento soteriológico, sugerindo que o Hades possuía dois compartimentos: um de tormento e outro de descanso (o Seio de Abraão, conforme Lucas 16). Segundo esta visão, Cristo desceu não apenas para condenar os ímpios na "prisão", mas para libertar os santos do Antigo Testamento que aguardavam a redenção, levando-os consigo para o céu no momento de sua ressurreição/ascensão.
Isso se alinha com a passagem de Efésios 4:8, que diz que Ele "levou cativo o cativeiro". Assim, a descida de Jesus marca uma mudança cosmológica fundamental: o Paraíso é transferido das regiões inferiores para a presença imediata de Deus no terceiro céu.
Esta interpretação oferece uma visão dramática e poderosa da vitória de Cristo, preenchendo o silêncio do "Sábado Santo" com uma atividade divina vigorosa que abalou as fundações do universo espiritual.