1 João Cap. 2
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A Autoridade Pastoral e o Princípio da Submissão Mútua na Igreja
A dinâmica de autoridade dentro da igreja é frequentemente mal compreendida, gerando desequilíbrios que oscilam entre o autoritarismo e a falta de respeito pela liderança. Para compreender a visão bíblica correta, é essencial examinar o texto de Efésios, especificamente o versículo que precede as instruções sobre o casamento.
"Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Deus." (Efésios 5:21)
Muitos ignoram o contexto deste versículo. Embora a Bíblia instrua que as esposas sejam submissas aos seus maridos (v. 22), o versículo 21 estabelece um princípio comunitário: na igreja, como corpo de Cristo, existe um chamado à submissão mútua entre os irmãos. Isso inclui a relação entre o pastor e a congregação.
Infelizmente, o cenário religioso atual apresenta muitos líderes que agem como "reis" de suas congregações. Eles adotam títulos de exclusividade, autodenominando-se "o ungido de Jeová", sugerindo uma casta espiritual superior intocável. Essa postura contradiz o ensino do Apóstolo João, que afirma que todos os cristãos possuem a unção do Santo (1 Jo. 2:20, 27). Embora a Bíblia instrua claramente em Hebreus, 1 Pedro e 1 Timóteo que devemos honrar e respeitar os pastores, esse respeito não deve ser confundido com uma subserviência cega a homens que se isolam em pedestais.
Existem graves problemas quando o pastor prega prosperidade e é o único que prospera, vivendo como um monarca enquanto o rebanho sofre. Líderes que se tornam inacessíveis, que pregam do púlpito mas não se misturam com as "pessoas comuns" da congregação, não refletem o modelo bíblico de pastorado.
A verdadeira autoridade de um pastor não deriva de sua personalidade, de "visões" particulares ou de experiências místicas subjetivas, mas sim de sua fidelidade à gramática da Palavra de Deus.
"Vós, porém, não queirais ser chamados Rabi, porque um só é o vosso Mestre, a saber, o Cristo, e todos vós sois irmãos." (Mateus 23:8)
A congregação não é uma audiência passiva; ela possui a Bíblia nas mãos. Os membros têm não apenas o direito, mas a responsabilidade de examinar a vida e o ensino de seus líderes à luz das Escrituras. Se um pastor ensina conforme o texto sagrado, ele tem autoridade delegada por Deus. No entanto, se ele se desvia, a igreja — que também é ungida pelo Espírito — tem a autoridade da Palavra para confrontá-lo.
Em última análise, pastores, mestres e evangelistas são, antes de tudo, irmãos. A igreja deve cuidar de seus pastores, observando suas vidas, e os pastores devem pastorear o rebanho, sabendo que também estão sujeitos ao escrutínio das Escrituras e à prestação de contas no corpo de Cristo.
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2. A Necessidade da Salvação: Do Pecado Original à Redenção em Cristo (Rm. 5:12; 1 Pe. 1:18-19)
Entendendo a Expiação e a Propiciação
Para resolver o dilema entre Sua justiça e Seu amor, Deus instituiu o conceito de expiação. O termo "expiação" traduz a palavra hebraica Kafar, que significa literalmente cobrir.
A ideia por trás desse conceito não é esconder o erro no sentido de "varrer a sujeira para debaixo do tapete", mas sim cobrir a falha de tal maneira que ela deixe de ser o foco da atenção daquele que foi ofendido.
Para ilustrar, imagine uma parede com um buraco visível. Consertar a parede exigiria tempo, material e trabalho. No entanto, se você coloca um quadro sobre aquele buraco, você cobriu a falha. O quadro não apenas oculta o defeito, mas atrai o olhar para algo novo e belo. O erro não está mais em evidência; o que se vê agora é a cobertura.
O Sangue como Cobertura
No Antigo Testamento, o principal meio de expiação era o derramamento de sangue. A lógica espiritual é severa: o salário do pecado é a morte. Para que o ser humano pecador não morresse imediatamente, Deus permitiu que um animal inocente morresse em seu lugar. O sangue desse animal servia como "cobertura" (Kafar) para o pecado do homem.
Vemos a primeira aplicação disso logo no Éden. Após pecarem, Adão e Eva tentaram fazer sua própria cobertura cosendo folhas de figueira.
As folhas de figueira, contudo, eram insuficientes. Elas representam a tentativa humana de remediar o pecado com recursos próprios e frágeis — como tentar "tapar o sol com a peneira". Para prover uma cobertura eficaz, Deus teve que intervir com a morte de um animal:
Ali ocorreu a primeira expiação. Um animal morreu para que a vergonha do homem fosse coberta. Embora a expiação no Antigo Testamento não resolvesse o problema do pecado de forma definitiva (o pecado ainda estava lá), ela desviava a ira divina, transferindo a sentença de morte para o substituto. Por isso a Escritura declara:
O ápice desse ritual ocorria no Yom Kippur (Dia da Expiação), onde diversos sacrifícios eram realizados para cobrir os pecados da nação de Israel, incluindo o bode expiatório e o bode emissário, simbolizando a remoção da culpa.
A Propiciação no Novo Testamento
Enquanto o Antigo Testamento foca na expiação (cobrir), o Novo Testamento introduz e aprofunda o conceito através da Propiciação.
Propiciação significa "tornar propício" ou "tornar favorável". Envolve apaziguar a ira de alguém ofendido. O pecado criou uma inimizade entre o homem e Deus; nós nos tornamos, por natureza, "inimigos de Deus".
A obra de Cristo na cruz foi um ato propiciatório. Jesus não apenas cobriu o nosso pecado, mas satisfez plenamente a justiça divina, aplacando a ira de Deus. Ele transformou uma relação de hostilidade em uma relação de favor e amizade.
Quando o publicano orou no templo dizendo: "Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador" (Lucas 18:13), o termo original carrega o sentido de "Sê propício a mim". Ele pedia para que Deus, através de um sacrifício, se tornasse favorável a ele.
Portanto, Jesus Cristo realizou a obra completa: Seu sangue serviu como a expiação perfeita que cobre nossas falhas e como a propiciação que restaura nossa comunhão e amizade com o Criador.
4. Soteriologia em Foco: O Grande Debate entre Calvinismo e Arminianismo e a Doutrina da Salvação (Rm. 9; Ef. 1; Jo. 10)
A Perspectiva de Jacó Armínio e os Cinco Pontos do Arminianismo
Enquanto o calvinismo se consolidava, surgiu uma voz dissidente dentro da própria igreja reformada holandesa: Jacó Armínio (Jacobus Arminius). Curiosamente, Armínio foi aluno de teólogos calvinistas e iniciou sua carreira defendendo essas doutrinas. No entanto, ao se debruçar sobre as Escrituras para debater contra opositores, ele acabou convencido de que certos pontos do calvinismo rígido estavam equivocados.
Suas ideias foram sistematizadas postumamente por seus seguidores no documento conhecido como Remonstrance (Remonstrância) de 1610. Abaixo, exploramos os cinco pontos do Arminianismo, que funcionam como um contraponto direto aos cinco pontos calvinistas.
1. Graça Preveniente (Prevenient Grace)
O arminianismo concorda com a depravação humana: o homem é pecador e não pode salvar-se sozinho. Contudo, discorda que Deus deixe a humanidade nesse estado de total incapacidade passiva.
A doutrina da Graça Preveniente ensina que Deus libera uma graça que "vem antes" (precede) da salvação, restaurando no homem pecador a capacidade de responder ao chamado de Deus. É como se o "salva-vidas" não apenas tirasse a pessoa da água à força, mas a colocasse em uma posição segura onde ela recupera a consciência e pode escolher segurar a mão do resgatador.
2. Eleição Condicional (Conditional Election)
Diferente da escolha arbitrária baseada apenas na soberania (calvinismo), o arminianismo defende que a eleição de Deus é baseada na Sua pré-ciência.
Deus, sendo onisciente, sabe desde a eternidade quem irá crer e quem rejeitará o Evangelho. Assim, Ele elege para a salvação aqueles que Ele previu que aceitariam a Cristo livremente através da fé. A condição para a eleição é a fé em Jesus.
3. Expiação Universal (Unlimited Atonement)
Em oposição direta à expiação limitada, Armínio defendia que o sacrifício de Jesus na cruz foi suficiente e intencional para toda a humanidade, e não apenas para os eleitos.
Embora o sacrifício seja suficiente para todos, ele só é eficiente (só salva de fato) aqueles que creem. A morte de Cristo abriu a porta da salvação para o mundo inteiro, tornando a redenção acessível a qualquer um que se arrependa.
4. Graça Resistível (Resistible Grace)
Enquanto o calvinista crê que o chamado de Deus é irresistível para os eleitos, o arminiano sustenta que Deus, em Sua soberania, decidiu não violar o livre-arbítrio humano. Portanto, o Espírito Santo convence e chama, mas o ser humano pode, obstinadamente, resistir a esse chamado e rejeitar a salvação.
5. Possibilidade de Perda da Salvação (Falling from Grace)
Este é o ponto de maior divergência prática. O arminianismo clássico ensina que é possível que um crente verdadeiro, que já experimentou a regeneração, se desvie da fé, deixe de perseverar e, consequentemente, perca a salvação. A segurança da salvação está condicionada à permanência em Cristo.
Representantes Notáveis:
Historicamente, John Wesley (fundador do Metodismo) foi o grande propagador da teologia arminiana. No cenário contemporâneo, destacam-se o teólogo Roger Olson e a grande maioria das denominações pentecostais, como as Assembleias de Deus.