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Êxodo Cap. 2

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Capítulo 2

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Êxodo

Versão: TB
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1 Foi-se um homem da casa de Levi e casou com uma filha de Levi.

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2 A mulher concebeu e deu à luz um filho; e, vendo que ele era formoso, escondeu-o três meses.

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3 Não podendo escondê-lo por mais tempo, tomou para ele uma arca de juncos e betumou-a com betume e pez; e, metendo na arca o menino, pô-la à beira do rio, num carriçal.

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4 Sua irmã ficou de longe para ver o que lhe havia de acontecer.

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5 Desceu a filha de Faraó para se banhar no rio, e as suas criadas andavam passeando à beira do rio; vendo ela no carriçal a arca, mandou a sua criada buscá-la.

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6 Quando ela a abriu, viu a criança; e eis que o menino chorava. Tendo compaixão dele, disse: Este é um dos filhos dos hebreus.

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7 Então, perguntou a irmã do menino à filha de Faraó: Queres que eu te vá chamar uma ama das hebreias, para que crie o menino para ti?

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8 Respondeu-lhe a filha de Faraó: Vai. Foi-se, pois, a moça e chamou a mãe do menino.

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9 Então, lhe disse a filha de Faraó: Toma este menino e cria-mo, e eu te darei o teu salário. A mulher tomou o menino e o criou.

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10 Sendo o meninogrande, ela o trouxe à filha de Faraó, a qual o adotou por filho e lhe chamou Moisés, dizendo: Porque das águas o tirei.

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11 Por aqueles dias, sendo Moiséshomem, saiu a ter com seus irmãos e para as suas cargas atentou; e viu um egípcio ferindo a um de seus irmãos hebreus.

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12 Olhou para uma e outra parte, e, vendo que não havia ali ninguém, matou o egípcio, e escondeu-o na areia.
Versículo 12
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Diego Vieira Dias há 4 semanas

1. Rúben: Da Primogenitura à Sobrevivência Profética (Gn. 29:32; Dt. 33:6)

A Transgressão Moral e o Silêncio de Israel

Apesar de toda a promessa e honra que cercavam seu nascimento, Rúben carregava consigo os traumas e as dores não resolvidas de sua mãe, Léia. A rejeição familiar criou um terreno fértil para o ressentimento. Em um momento crítico da narrativa, Rúben toma uma decisão que visa, distorcidamente, "vingar" a desonra de sua mãe ou acelerar sua ascensão ao poder, cometendo um ato de profanação que marcaria sua história.

O episódio ocorre logo após a morte de Raquel, a esposa amada de Jacó. Com a família em luto e em transição geográfica, a Bíblia relata um evento chocante com uma brevidade perturbadora:

"E aconteceu que, habitando Israel naquela terra, foi Rúben e deitou-se com Bila, concubina de seu pai; e Israel o soube." (Gênesis 35:22)

O Peso do Ato

Ao deitar-se com Bila, Rúben não cometeu apenas um pecado sexual; ele atentou contra a autoridade patriarcal. Na cultura do antigo Oriente Próximo, possuir as concubinas de um rei ou líder era uma forma de reivindicar sua posição e trono. Rúben, talvez movido pela amargura de ver sua mãe preterida, tenta usurpar o lugar de seu pai e "dar um basta" na dinâmica familiar que o feria. Ele profanou o leito de honra de Jacó, tratando o sagrado com desprezo.

A transcrição nos alerta para a diferença entre pecado e iniquidade. Enquanto o pecado pode ser um erro isolado, seguido de arrependimento e dor, a iniquidade é o pecado institucionalizado na consciência: é quando o erro se torna normal, quando a consciência cauterizada já não sente o "mau cheiro" da transgressão. Rúben agiu como se sua posição de primogênito lhe garantisse imunidade.

O Silêncio de Jacó e a Areia do Tempo

O texto bíblico termina o versículo 22 com uma frase enigmática: "e Israel o soube". Não há registro imediato de gritos, expulsão ou punição. Jacó (Israel) permanece em silêncio.

Esse silêncio é perigoso. Muitas vezes, interpretamos a ausência de consequência imediata como aprovação ou impunidade. O homem pode tentar esconder seus erros, como Moisés tentou esconder o egípcio que matou na areia (Êxodo 2:12), mas a "areia" da vida é instável. O vento sopra, o cenário muda, e o que estava oculto é revelado.

Rúben continuou sua vida aparentemente "bem". Ele manteve seu status, participou das decisões familiares e até tentou interceder por José mais tarde. No entanto, Jacó não havia esquecido. O patriarca não era cego nem passivo; ele estava apenas guardando a justiça para o momento certo. A conta daquela noite chegaria, não no calor do momento, mas no dia solene da distribuição das bênçãos e do destino profético das tribos.

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13 Saiu no dia seguinte, e eis que dois hebreus estavam brigando; e perguntou ao que fazia a injúria: Por que feres ao teu próximo?

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14 Respondeu ele: Quem te constituiu a ti príncipe e juiz sobre nós? Pensas tu matar-me como mataste o egípcio? Temeu, pois, Moisés e disse: Sem dúvida, já está isso conhecido.

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15 Ora, depois que Faraó soube disso, procurava matar a Moisés. Porém Moisés fugiu da presença de Faraó e deteve-se na terra de Midiã; e sentou-se junto dum poço.

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16 O sacerdote de Midiã tinha sete filhas; vieram estas tirar água e encheram os tanques para dar de beber ao rebanho de seu pai.

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17 Então, vieram os pastores e as enxotaram; Moisés, porém, levantou-se, defendeu-as e deu de beber ao rebanho delas.

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18 Tendo voltado à casa de seu pai Reuel, perguntou ele: Como é que voltastes tão cedo hoje?

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19 Responderam elas: Um egípcio livrou-nos das mãos dos pastores, e, além disso, tirou água, e deu de beber ao rebanho.

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20 Replicou a suas filhas: Onde está ele? Por que é que deixastes lá o homem? Chamai-o para que coma pão.

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21 Moisés consentiu em morar com o homem; e ele deu a Moisés sua filha Zípora.

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22 Ela deu à luz um filho, a quem ele chamou Gérson, porque disse: Peregrino tenho sido numa terra estrangeira.

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23 No decorrer de muitos dias, morreu o rei do Egito; os filhos de Israel gemiam sob a escravidão e por causa dela clamaram; e subiu a Deus o seu clamor.

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24 Ouviu-lhes Deus os gemidos e lembrou-se da sua aliança com Abraão, com Isaque e com Jacó.

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25 Viu Deus os filhos de Israel e os conheceu.

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