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João Cap. 18

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Capítulo 18

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João

Versão: AS21
Progresso de leitura 0/40 versículos
1 Tendo dito isso, Jesus saiu com seus discípulos para o outro lado do ribeiro de Cedrom, onde havia um jardim, e entrou ali com eles.

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2 Judas, o traidor, também conhecia o lugar, pois Jesus havia se reunido ali com os discípulos muitas vezes.

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3 Então, Judas trouxe consigo um destacamento de soldados e alguns guardas da parte dos principais sacerdotes e fariseus; e chegou ali com tochas, lanternas e armas.

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4 Sabendo Jesus tudo o que estava para lhe acontecer, adiantou-se e perguntou: A quem procurais?

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5 Eles responderam: A Jesus, o Nazareno. Jesus lhes disse: Sou eu. E Judas, o traidor, também estava com eles.

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6 Quando Jesus lhes disse: Sou eu, afastaram-se e caíram por terra.

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7 Então Jesus lhes perguntou mais uma vez: A quem procurais? Eles responderam: A Jesus, o Nazareno.

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8 Jesus lhes respondeu: Já vos disse que sou eu; se é a mim que procurais, deixai estes ir embora; 9 para que se cumprisse a palavra que dissera: Não perdi nenhum dos que me deste.

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10 Então Simão Pedro desembainhou uma espada que trazia e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. O nome do servo era Malco.

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11 Mas Jesus disse a Pedro: Põe a tua espada na bainha. Por acaso não beberei do cálice que o Pai me deu?

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12 Então o destacamento, o comandante e os guardas dos judeus prenderam Jesus e o amarraram.

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13 E conduziram-no primeiramente a Anás, pois ele era sogro de Caifás, sumo sacerdote naquele ano.

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14 Caifás havia aconselhado os judeus, dizendo ser melhor que um homem morresse pelo povo.

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15 Simão Pedro e outro discípulo seguiam Jesus. Este discípulo era conhecido do sumo sacerdote, e por isso entrou com Jesus no pátio do sumo sacerdote, 16 mas Pedro ficou à porta, do lado de fora. Então, o outro discípulo conhecido do sumo sacerdote saiu, falou à criada que cuidava da porta e levou Pedro para dentro.

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17 Então a criada que cuidava da porta perguntou a Pedro: Tu também não és um dos discípulos deste homem? Ele respondeu: Não sou.

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18 Estavam ali os servos e os guardas, os quais haviam acendido uma fogueira e se aqueciam, pois fazia frio. Pedro também estava ali em pé no meio deles, esquentando-se.

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19 Então o sumo sacerdote passou a interrogar Jesus acerca dos seus discípulos e de seu ensino.

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20 Jesus lhe respondeu: Eu falei abertamente ao mundo; sempre ensinei nas sinagogas e no templo, onde todos os judeus se congregam. Nada falei em oculto.

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21 Por que me interrogas? Pergunta aos que me ouviram o que lhes falei. Eles sabem o que eu disse.

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22 Tendo dito isso, um dos guardas que ali estavam deu uma bofetada em Jesus, dizendo: É assim que respondes ao sumo sacerdote?

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23 Jesus lhe respondeu: Se falei mal, mostra esse mal; mas se falei o que é correto, por que me agrides?

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24 Então Anás enviou-o amarrado a Caifás, o sumo sacerdote.

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25 Simão Pedro ainda estava ali, esquentando-se. Perguntaram-lhe, então: Tu também não és um dos seus discípulos? Mas ele negou, dizendo: Não sou.

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26 Um dos servos do sumo sacerdote, parente daquele a quem Pedro cortara a orelha, disse: Acaso não te vi com ele no jardim?

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27 Pedro negou outra vez, e imediatamente um galo cantou.

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28 Depois levaram Jesus da presença de Caifás para o palácio do governador. Era de manhã cedo, e eles não entraram, para não ficarem cerimonialmente impuros e poderem comer a refeição da Páscoa.

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29 Então Pilatos saiu para recebê-los e perguntou: Que acusação trazeis contra este homem?

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30 Eles responderam: Se ele não fosse malfeitor, não o entregaríamos a ti.

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31 Disse-lhes Pilatos: Levai-o convosco e julgai-o segundo a vossa lei. Mas os judeus disseram: Não nos é permitido executar ninguém.

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32 Isso aconteceu para que se cumprisse a palavra que Jesus havia falado, referindo-se ao tipo de morte que ele sofreria.

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33 Então Pilatos retornou ao palácio, chamou Jesus e perguntou-lhe: Tu és o rei dos judeus?

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34 Jesus respondeu: Perguntas isso por iniciativa própria ou foram outros que te falaram a meu respeito?

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35 Pilatos prosseguiu: Acaso sou judeu? O teu povo e os principais sacerdotes te entregaram a mim. Que fizeste?

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36 Jesus respondeu: O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus servos lutariam para que eu não fosse entregue aos judeus. Entretanto, o meu reino não é daqui.
Versículo 36
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Diego Vieira Dias há 4 semanas

21. O Reino Inesperado: Por Que a Graça de Jesus se Torna uma Pedra de Tropeço? (Lc. 7:18-35; Is. 35:5-6; Is. 61:1)

Expectativas Frustradas: O Messias Político versus O Príncipe da Paz

Uma das razões centrais para o "tropeço" mencionado por Jesus reside na dissonância entre a agenda divina e a agenda política humana. No contexto do primeiro século, a Palestina estava sob o jugo de Roma. Havia uma expectativa fervorosa, alimentada tanto pelos zelotes quanto pela população comum, de que o Messias surgiria como um libertador militar. Esperava-se um rei que expulsasse os governadores romanos, destituísse os tetrarcas corruptos como Herodes e restabelecesse a soberania nacional de Israel com "mão de ferro".

É plausível imaginar que, no isolamento de sua cela, João Batista nutrisse esperanças semelhantes. Se o Cordeiro de Deus havia chegado, o passo lógico seguinte, na mente judaica da época, seria o julgamento das nações e a instauração visível do trono de Davi em Jerusalém. A lógica era simples: se Ele tem o poder, por que não derruba os tiranos agora?

Essa mentalidade persistiu até os últimos momentos de Jesus na terra. Mesmo após a ressurreição, conforme registrado no livro de Atos, os discípulos ainda perguntavam:

"Senhor, será este o tempo em que restaures o reino a Israel?" (Atos 1:6)

A resposta de Jesus sempre frustrou esse anseio por domínio territorial imediato. Ele deixa claro que o Seu Reino não opera mediante a imposição de força ou coerção política. Enquanto os homens esperavam um movimento que mudasse a sociedade de fora para dentro — através de decretos, guerras e revoluções —, Jesus inaugurou um movimento de dentro para fora.

O Reino de Deus, de fato, possui profundas implicações sociais, econômicas e políticas. Quando um indivíduo é transformado pelo Evangelho, ele passa a repartir o pão, a buscar a justiça e a amar o próximo, o que inevitavelmente impacta a economia e a sociedade ao seu redor. No entanto, isso não acontece através de um sistema imposto "goela abaixo". O Reino não é estabelecido pela espada de César, mas pela cruz de Cristo.

Aqui reside um contraste fundamental sobre a figura do "herói". A cultura humana tende a exaltar heróis que eliminam seus inimigos, que resolvem problemas através da força bruta e que subjugam os opositores. O herói do Reino, contudo, não é aquele que mata para estabelecer a paz, mas aquele que morre para reconciliar os inimigos.

"O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus ministros se empenhariam por mim, para que não fosse eu entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui." (Jo. 18:36)

Jesus frustra a expectativa de um "messias político" porque Ele não veio para reformar o Império Romano, mas para redimir a humanidade da escravidão do pecado — uma tirania muito mais letal do que a de qualquer imperador terreno. Aceitar essa proposta exige abandonar a idolatria pelo poder temporal e abraçar o caminho do serviço e do sacrifício.

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37 Pilatos lhe perguntou: Então, tu és um rei? Jesus respondeu: És tu que dizes que sou um rei. Foi para isso que nasci e vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz.

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38 Então Pilatos lhe perguntou: Que é a verdade? E dito isso, saiu de novo para falar aos judeus. E disse-lhes: Não vejo nele crime algum.

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39 Todavia, tendes por costume que eu vos solte alguém por ocasião da Páscoa. Quereis que eu vos solte o rei dos judeus?

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40 Então todos responderam, gritando: Este não, mas Barrabás. Barrabás era um líder rebelde.

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