Gênesis Cap. 17
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1. A Justificação: O Ato Declarativo de Justiça Mediante a Fé
No estudo da Soteriologia, após compreendermos a necessidade da salvação e a obra redentora de Cristo, é fundamental analisar os efeitos práticos dessa experiência na vida do indivíduo. O primeiro e imediato benefício espiritual obtido no momento da conversão é a justificação.
Para compreender este conceito, é necessário distinguir o uso comum da palavra do seu sentido teológico paulino. No cotidiano, quando descrevemos uma pessoa como "justa", geralmente referimo-nos às suas qualidades morais: alguém honesto, íntegro e correto. No entanto, no Novo Testamento, especificamente na doutrina do Apóstolo Paulo, a justificação não se refere primariamente à condição moral intrínseca do indivíduo naquele momento, mas sim a um ato declarativo de Deus.
Ser justificado significa que Deus declara aquela pessoa como justa. Isso não implica que o indivíduo, no instante da conversão, tornou-se perfeito, infalível ou isento de erros comportamentais. Significa, antes, que ele não está mais sob condenação judicial diante de Deus. Embora a pessoa ainda tenha um longo caminho de aperfeiçoamento moral pela frente, aos olhos divinos ela já é considerada justa, pois a culpa do pecado foi removida.
"Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito." (Romanos 8:1)
A Fé como Instrumento Exclusivo
A base central da justificação é que ela é concedida mediante a fé, e não por meio das obras ou do cumprimento da Lei. Esta é a tese principal defendida por Paulo em suas cartas, especialmente aos Romanos e aos Gálatas. O apóstolo enfatiza que nenhum esforço humano ou ritual legalista é suficiente para tornar o homem justo diante de Deus; apenas a fé na obra de Jesus Cristo possui tal eficácia.
As Escrituras são enfáticas ao declarar a insuficiência das obras para a justificação:
"Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada." (Gálatas 2:16)
"E é evidente que pela lei ninguém será justificado diante de Deus, porque o justo viverá da fé." (Gálatas 3:11)
A mesma doutrina é reforçada na epístola aos Romanos, onde se estabelece que a justiça de Deus se revela de fé em fé:
"Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei." (Romanos 3:28)
Portanto, a partir do momento em que o indivíduo crê em Jesus, ainda que sua conduta moral não seja plenamente íntegra, ele é posicionalmente justo perante o tribunal divino. O sangue de Cristo o purifica, garantindo que não haja mais condenação.
O Exemplo Paradigmático de Abraão
Para sustentar a doutrina da justificação pela fé, Paulo recorre ao exemplo de Abraão, o patriarca da nação judaica. Tanto em Gálatas quanto em Romanos, o apóstolo utiliza a cronologia da vida de Abraão para provar que a justiça é imputada independentemente de rituais religiosos, como a circuncisão.
"Assim como Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça." (Gálatas 3:6)
A argumentação paulina baseia-se em dois momentos distintos narrados no livro de Gênesis:
- Gênesis 15:6: Abraão creu no Senhor, e isso lhe foi imputado como justiça.
- Gênesis 17:9-10: Deus institui a circuncisão como sinal do pacto.
A circuncisão era o símbolo máximo de obediência à Lei e de pertencimento ao povo judeu. Contudo, Paulo demonstra uma sagacidade teológica ao apontar que Abraão foi declarado justo (capítulo 15) antes de ser circuncidado (capítulo 17).
A pergunta lógica que se impõe é: em que momento Abraão foi justificado? Quando obedeceu ao rito da circuncisão ou quando creu? A resposta bíblica é clara: quando ele creu. Com isso, prova-se que a obediência à lei cerimonial não justifica ninguém, visto que o próprio pai da fé foi justificado antes de possuir qualquer marca da lei em seu corpo.
Em suma, a justificação é o marco inicial da vida cristã. É o ato soberano onde Deus, mediante a fé do homem em Cristo, declara o pecador livre de condenação, abrindo caminho para o processo de transformação que virá a seguir.
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22. A Fé que Espera Contra a Esperança: Lições de Abraão para a Vida Cristã (Rm. 4:17-25)
4. A Dinâmica da Fé Verdadeira: Fortalecimento em Meio aos Vacilos
A trajetória de Abraão nos ensina que a fé não é um estado estático de perfeição, mas um exercício contínuo de confiança que precisa vencer obstáculos. Nos versículos 20 a 22, Paulo descreve a vitória da fé de Abraão, destacando como ele lidou com a demora e as dificuldades sem perder a esperança.
A Distinção entre Dúvida e Incredulidade
Paulo faz uma afirmação que, à primeira vista, pode parecer contraditória com a narrativa do Antigo Testamento:
"Não duvidou da promessa de Deus por incredulidade, mas foi fortificado na fé, dando glória a Deus." (Rm. 4:20)
Sabemos, pelos relatos de Gênesis, que Abraão teve momentos de vacilo. Houve o episódio em que ele concordou com Sara em ter um filho com a serva Agar (Ismael), tentando "ajudar" Deus a cumprir a promessa por meios humanos. Houve também o momento em que ele riu ao ouvir que seria pai aos 100 anos (Gênesis 17:17) e quando sugeriu que seu mordomo, Eliezer, fosse seu herdeiro.
Como, então, Paulo afirma que ele "não duvidou"? A chave está na qualificação: "por incredulidade".
A incredulidade é o oposto da fé; é a rejeição de Deus e de Suas promessas, um virar as costas para o Criador. A fé verdadeira, por outro lado, pode conviver com questionamentos, angústias e momentos de fraqueza, mas ela nunca abandona a Deus. A fé pode perguntar "como?" e "quando?", pode até argumentar com Deus — como Jó ou os Salmistas fizeram —, mas ela permanece ancorada na certeza de que Deus existe e ouve.
Os vacilos de Abraão foram lapsos de impaciência ou incompreensão sobre o método de Deus, mas não uma rejeição da capacidade ou da verdade de Deus. A incredulidade diz: "Deus não vai fazer". A fé que luta diz: "Eu creio que Deus vai fazer, mas estou tendo dificuldade em entender a demora".
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