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Lucas Cap. 16

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Capítulo 16

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Lucas

Versão: AS21
Progresso de leitura 0/31 versículos
1 Jesus também disse aos seus discípulos: Havia um homem rico que tinha um administrador; e este foi acusado perante ele de esbanjar os seus bens.

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2 Então, ele o chamou e disse: Que é isso que tenho ouvido falar a teu respeito? Presta contas da tua administração, pois não podes mais ser meu administrador.

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3 E disse o administrador a si mesmo: Que vou fazer, já que o meu senhor me tira a administração? Para cavar, não tenho forças; e tenho vergonha de mendigar.

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4 Mas sei o que vou fazer, para que, quando for tirado da administração, me recebam em suas casas.

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5 Então, chamando cada um dos devedores do seu senhor, perguntou ao primeiro: Quanto deves ao meu senhor?

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6 Ele respondeu: Cem batos de azeite. Disse-lhe então: Toma a tua conta, senta-te depressa e escreve cinquenta.

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7 Perguntou depois a outro: E tu, quanto deves? Ele respondeu: Cem coros de trigo. E disse-lhe: Toma a tua conta e escreve oitenta.

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8 E aquele senhor elogiou o administrador injusto por ter procedido com astúcia; pois os filhos deste mundo são mais astutos para com a sua geração do que os filhos da luz.

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9 Eu vos digo ainda: Fazei amigos por meio das riquezas da injustiça, para que, quando estas vos faltarem, eles vos recebam nos tabernáculos eternos.

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10 Quem é fiel no pouco, também é fiel no muito; quem é injusto no pouco, também é injusto no muito.

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11 Se não fostes fiéis nas riquezas injustas, quem vos confiará as verdadeiras?

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12 E, se não fostes fiéis com o que é alheio, quem vos dará o que é vosso?

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13 Nenhum servo pode servir a dois senhores, pois odiará a um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas.

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14 Os fariseus, que eram gananciosos, ouviam todas essas coisas e zombavam dele.

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15 Mas Jesus lhes disse: Vós sois os que vos justificais diante dos homens, mas Deus conhece o vosso coração; pois o que é elevado entre os homens, perante Deus é abominação.

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16 A lei e os profetas vigoraram até João; a partir de então, o evangelho do reino de Deus é anunciado, e todo homem se esforça por entrar nele.
Versículo 16
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Diego Vieira Dias em 29/11/2025

1. A Mudança de Era: O Fim do Período da Lei e dos Profetas

A questão sobre como o cristão deve se relacionar com o Antigo Testamento é um dos temas mais complexos e fundamentais da teologia bíblica. Frequentemente, a resposta padrão oferecida em muitos círculos teológicos, especialmente os reformados, envolve a tripartição da lei (divisão em leis morais, civis e cerimoniais), sugerindo que apenas a lei moral permanece vigente. No entanto, uma análise mais robusta das Escrituras, alinhada com movimentos como a Teologia da Nova Aliança e o Aliancismo Progressivo, propõe que o relacionamento com o texto antigo não se dá pelo particionamento dos mandamentos, mas pelo reconhecimento de uma mudança estrutural de era e de aliança.

Para compreender essa transição, é necessário observar o padrão estabelecido no Novo Testamento, começando pelos Evangelhos. Embora os Evangelhos tenham o propósito primário de apresentar a pessoa e a obra de Jesus Cristo, eles contêm marcadores temporais cruciais que sinalizam o fim de um regime e o início de outro.

A Divisão Cronológica em Lucas

Um dos textos mais elucidativos sobre essa ruptura encontra-se no Evangelho de Lucas. Nele, Jesus estabelece uma linha divisória clara na história da redenção:

"A Lei e os Profetas profetizaram até João. Desse tempo em diante estão sendo pregadas as boas-novas do reino de Deus, e todos se esforçam para entrar nele." (Lucas 16:16)

Esta passagem é fundamental porque estabelece dois momentos distintos na economia divina. O termo "A Lei e os Profetas" é uma metonímia comum no judaísmo para se referir a todo o Antigo Testamento. Jesus afirma que a função ministerial e profética dessa antiga administração teve validade "até João" (Batista). João Batista figura, portanto, como o último profeta da Antiga Aliança.

A expressão "desse tempo em diante" indica uma ruptura. O modo como Deus administra o Seu povo muda. Antes, a regência era feita sob a tutela da Lei Mosaica; agora, entra em cena a pregação das boas-novas do Reino de Deus.

A Natureza da Profecia e a Transição

Alguns leitores podem questionar a ideia de que a Lei e os Profetas cessaram sua função em João, argumentando que o Antigo Testamento profetizou sobre eventos posteriores a ele, como o ministério de Jesus, a era da Igreja e o fim dos tempos (escatologia). Contudo, a afirmação de Lucas 16 não sugere que o conteúdo das profecias se limitava ao tempo de João, mas sim que a era em que "A Lei e os Profetas" eram a voz autoritativa e mediadora central encerrou-se ali.

Eles não continuam a "profetizar" no sentido de serem a fonte contínua de nova revelação normativa para a nova era da mesma forma que eram para Israel. Ocorreu uma descontinuidade no ministério da Antiga Aliança para dar lugar à realidade presente em Cristo.

O Contexto dos Evangelhos e a Nova Realidade

É importante notar que, ao ler os Evangelhos, o leitor se encontra em um período de transição. Jesus nasceu "sob a lei" (Gálatas 4:4) e ministrou a judeus que ainda estavam sob a vigência da Antiga Aliança. Por isso, em diversos momentos, vê-se Jesus ordenando práticas cerimoniais, como a oferta de sacrifícios no Templo após a cura de leprosos.

No entanto, o ministério de Cristo preparava o caminho para a inauguração da Nova Aliança, que seria selada com a Sua morte e ressurreição. Portanto, o relacionamento do cristão com a lei não deve ser uma tentativa de retornar às sombras da administração anterior, mas sim viver à luz da realidade do Reino inaugurado. A lei antiga não é descartada como erro, mas é entendida como um período pedagógico que teve seu cumprimento e fim, cedendo lugar a uma revelação superior.

Em suma, a instrução bíblica aponta para o fato de que a Lei e os Profetas cumpriram seu propósito até o advento de João e a revelação de Cristo. A partir de então, não estamos mais sob a tutela pedagógica da lei mosaica, mas sob a realidade das boas-novas do Reino. Isso não significa que o Antigo Testamento perde seu valor; ele deixa de ser normativo em termos de lei para se tornar plenamente didático e principiológico para o cristão, servindo como testemunho da obra que Deus realizaria e realizou em Jesus.

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17 Todavia, é mais fácil o céu e a terra passarem do que cair um pequeno ponto da lei.

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18 Todo aquele que se divorcia de sua mulher e casa com outra comete adultério; e quem casa com a divorciada também comete adultério.

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19 Havia um homem rico que se vestia de roupas de púrpura e de linho finíssimo, e todos os dias se banqueteava com luxo.

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20 E um mendigo chamado Lázaro, todo coberto de feridas, foi deixado em seu portão.

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21 E desejava comer das migalhas que caíam da mesa do rico; e até os cachorros vinham lamber-lhe as feridas.

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22 Quando o mendigo morreu, foi levado pelos anjos para junto de Abraão; o rico também morreu e foi sepultado.

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23 No inferno, em meio aos tormentos, o rico ergueu os olhos e viu de longe Abraão, e Lázaro junto dele.

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24 E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim e envia-me Lázaro, para que molhe na água a ponta do dedo e me refresque a língua, pois estou atormentado nestas chamas.

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25 Abraão, porém, disse: Filho, lembra-te de que em tua vida recebeste bens, mas Lázaro, por sua vez, recebeu males; agora ele aqui é consolado, e tu, atormentado.

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26 Além disso, há um grande abismo entre nós e vós, de forma que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem os daí passar para nós.

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27 Então ele disse: Eu te imploro, ó pai, que o mandes à família de meu pai, 28 porque tenho cinco irmãos. Manda-o para os advertir, a fim de que eles também não venham para este lugar de tormento.

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29 Abraão lhe disse: Eles têm Moisés e os Profetas; que os ouçam.

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30 Ele respondeu: Não, pai Abraão! Se alguém dentre os mortos for falar com eles, irão se arrepender.

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31 Abraão, porém, lhe disse: Se não ouvem Moisés nem os Profetas, tampouco acreditarão, mesmo que alguém ressuscite dentre os mortos.

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