João Cap. 12
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A Morte do "Eu" e o Processo de Enraizamento Espiritual
O processo de recepção da semente do Reino em uma "boa terra" não é uma experiência passiva ou meramente intelectual; é um evento de ruptura e conflito interno. Quando a Palavra de Deus penetra o ser humano, ela não encontra um espaço vazio, mas um território ocupado por deformidades, vícios, orgulho e uma vontade própria centrada no "eu". Por isso, o enraizamento espiritual é descrito, metaforicamente, como um processo de morte.
Para que a vida de Cristo floresça em um indivíduo, a sua própria vida — no sentido de suas inclinações egoístas e natureza decaída — precisa retroceder. Receber o Evangelho é aceitar um conflito permanente entre os valores do Reino de Deus e a vontade humana de reinar soberana sobre si mesma.
"Em verdade, em verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto." (Jo. 12:24)
O enraizamento ocorre "para baixo", na invisibilidade do solo. Antes que o fruto apareça externamente, a semente precisa rasgar a terra e esmagar as estruturas do antigo "eu". Esse processo envolve:
- O Reconhecimento da Insuficiência: A percepção de que, por esforço próprio, o homem é incapaz de produzir justiça real.
- A Luta contra o Pecado: A "boa terra" não é aquela que não possui falhas, mas aquela que luta contra elas. É o coração que, embora imperfeito, permite que a raiz da Palavra confronte sua intolerância, seu ódio e sua vaidade.
- A Metanoia Permanente: Uma mudança de mente que leva à rendição, onde o indivíduo exclama, como o apóstolo Paulo, que já não vive ele, mas Cristo vive nele.
A verdadeira marca de um coração que se tornou solo fértil é a humildade diante da própria indignidade. Muitas vezes, aqueles que se sentem "lixos deste mundo" — os pecadores, os falhos e os marginalizados — são justamente os que oferecem a terra mais receptiva, pois não possuem a "crosta" do orgulho religioso que impede a semente de penetrar.
Em última análise, ser "boa terra" é um exercício de perseverança na graça. É entender que o Reino de Deus não é para os que se julgam santos por mérito, mas para os que, em meio às suas misérias, clamam por misericórdia e permitem que a raiz divina rasgue suas entranhas até que a vontade de Deus se torne a sua própria. O sinal de que a semente frutificou não é a perfeição absoluta, mas a persistência em morrer para si mesmo para que a vida eterna cresça.
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A Perspectiva de Jacó Armínio e os Cinco Pontos do Arminianismo
Enquanto o calvinismo se consolidava, surgiu uma voz dissidente dentro da própria igreja reformada holandesa: Jacó Armínio (Jacobus Arminius). Curiosamente, Armínio foi aluno de teólogos calvinistas e iniciou sua carreira defendendo essas doutrinas. No entanto, ao se debruçar sobre as Escrituras para debater contra opositores, ele acabou convencido de que certos pontos do calvinismo rígido estavam equivocados.
Suas ideias foram sistematizadas postumamente por seus seguidores no documento conhecido como Remonstrance (Remonstrância) de 1610. Abaixo, exploramos os cinco pontos do Arminianismo, que funcionam como um contraponto direto aos cinco pontos calvinistas.
1. Graça Preveniente (Prevenient Grace)
O arminianismo concorda com a depravação humana: o homem é pecador e não pode salvar-se sozinho. Contudo, discorda que Deus deixe a humanidade nesse estado de total incapacidade passiva.
A doutrina da Graça Preveniente ensina que Deus libera uma graça que "vem antes" (precede) da salvação, restaurando no homem pecador a capacidade de responder ao chamado de Deus. É como se o "salva-vidas" não apenas tirasse a pessoa da água à força, mas a colocasse em uma posição segura onde ela recupera a consciência e pode escolher segurar a mão do resgatador.
"E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim." (João 12:32)
"Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam." (Atos 17:30)
2. Eleição Condicional (Conditional Election)
Diferente da escolha arbitrária baseada apenas na soberania (calvinismo), o arminianismo defende que a eleição de Deus é baseada na Sua pré-ciência.
Deus, sendo onisciente, sabe desde a eternidade quem irá crer e quem rejeitará o Evangelho. Assim, Ele elege para a salvação aqueles que Ele previu que aceitariam a Cristo livremente através da fé. A condição para a eleição é a fé em Jesus.
"Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo..." (1 Pedro 1:2)
"Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho..." (Romanos 8:29)
3. Expiação Universal (Unlimited Atonement)
Em oposição direta à expiação limitada, Armínio defendia que o sacrifício de Jesus na cruz foi suficiente e intencional para toda a humanidade, e não apenas para os eleitos.
Embora o sacrifício seja suficiente para todos, ele só é eficiente (só salva de fato) aqueles que creem. A morte de Cristo abriu a porta da salvação para o mundo inteiro, tornando a redenção acessível a qualquer um que se arrependa.
"E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo." (1 João 2:2)
"O qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade." (1 Timóteo 2:4)
4. Graça Resistível (Resistible Grace)
Enquanto o calvinista crê que o chamado de Deus é irresistível para os eleitos, o arminiano sustenta que Deus, em Sua soberania, decidiu não violar o livre-arbítrio humano. Portanto, o Espírito Santo convence e chama, mas o ser humano pode, obstinadamente, resistir a esse chamado e rejeitar a salvação.
"Homens de dura cerviz, e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim vós sois como vossos pais." (Atos 7:51)
"Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!" (Mateus 23:37)
5. Possibilidade de Perda da Salvação (Falling from Grace)
Este é o ponto de maior divergência prática. O arminianismo clássico ensina que é possível que um crente verdadeiro, que já experimentou a regeneração, se desvie da fé, deixe de perseverar e, consequentemente, perca a salvação. A segurança da salvação está condicionada à permanência em Cristo.
"Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito Santo... E recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento..." (Hebreus 6:4-6)
"Porque melhor lhes fora não terem conhecido o caminho da justiça, do que, conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado." (2 Pedro 2:21)
Representantes Notáveis:
Historicamente, John Wesley (fundador do Metodismo) foi o grande propagador da teologia arminiana. No cenário contemporâneo, destacam-se o teólogo Roger Olson e a grande maioria das denominações pentecostais, como as Assembleias de Deus.
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A Plenitude da Revelação Trinitária no Novo Testamento
Se o Antigo Testamento tinha como foco primordial a singularidade de Deus para preservar o monoteísmo em um contexto pagão, o Novo Testamento traz à luz a plenitude da triunidade divina. Nesta nova fase da revelação, as três pessoas — Pai, Filho e Espírito Santo — são descritas possuindo o mesmo poder, honra, glória e atributos, recebendo adoração e atuando conjuntamente na história da redenção.
A evidência bíblica no Novo Testamento não deixa margem para dúvidas quanto à divindade distinta e simultânea das três pessoas.
Manifestações Simultâneas e Fórmulas Trinitárias
Um dos momentos mais emblemáticos onde a Trindade se revela de forma clara ocorre no batismo de Jesus. Neste evento, as três pessoas se manifestam simultaneamente, cada uma de maneira distinta:
"Assim que Jesus foi batizado, saiu da água. Naquele momento, os céus se abriram, e ele viu o Espírito de Deus descendo como pomba e pousando sobre ele. Então, uma voz dos céus disse: 'Este é o meu Filho amado, em quem me agrado'." Mateus 3:16-17
Aqui vemos o Filho sendo batizado, o Espírito Santo descendo corporalmente e o Pai falando do céu, demonstrando que não são meras "máscaras" ou modos de um mesmo ser, mas pessoas distintas interagindo no tempo e espaço.
Além disso, a instrução de Jesus na Grande Comissão reforça a unidade essencial dessas três pessoas. Ao ordenar o batismo, Ele utiliza uma gramática singular muito específica:
"Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo." Mateus 28:19
Jesus não diz "nos nomes" (plural), mas "no nome" (singular). Há um único Nome divino — o Deus único — que subsiste nas pessoas do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Essa igualdade também é verificada na bênção apostólica, que coloca as três pessoas no mesmo nível de fonte de graça e comunhão:
"A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vocês." 2 Coríntios 13:14
A Divindade Absoluta do Filho
O Novo Testamento é categórico ao afirmar que Jesus Cristo é o próprio Deus (Yahweh do Antigo Testamento). Os autores neotestamentários frequentemente aplicam a Jesus textos e títulos que pertenciam exclusivamente a Deus.
Um exemplo notável é o uso do termo grego Kyrios (Senhor). Este termo era utilizado na Septuaginta (tradução grega do Antigo Testamento) para substituir o nome sagrado hebraico YHWH (Yahweh). Ao chamar Jesus de Kyrios, os apóstolos estavam identificando-o como o Deus de Israel.
Ainda mais explícito é o apóstolo João ao relacionar a visão de Isaías com Jesus. Em Isaías 6, o profeta vê a glória de Yahweh no templo. Em João 12, o apóstolo afirma que Isaías viu, na verdade, a glória de Jesus:
"Isaías disse isso porque viu a glória de Jesus e falou sobre ele." João 12:41
Outros textos reforçam essa identidade divina, chegando a utilizar expressões impactantes como o "sangue de Deus", evidenciando a união hipostática (duas naturezas, divina e humana, na mesma pessoa):
"...pastorearem a igreja de Deus, que ele comprou com o seu próprio sangue." Atos 20:28
"Enquanto aguardamos a bendita esperança: a gloriosa manifestação de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo." Tito 2:13
A Pessoalidade e Divindade do Espírito Santo
Assim como o Pai e o Filho, o Espírito Santo é revelado como Deus. Ele não é uma energia impessoal, mas uma pessoa divina contra quem se pode pecar.
A prova mais contundente de sua divindade encontra-se no episódio de Ananias e Safira. Ao confrontar Ananias sobre sua mentira, o apóstolo Pedro intercala os termos "Espírito Santo" e "Deus" como sinônimos absolutos:
"Então perguntou Pedro: 'Ananias, como você permitiu que Satanás enchesse o seu coração, a ponto de você mentir ao Espírito Santo...? [...] Você não mentiu aos homens, mas sim a Deus'." Atos 5:3-4
A conclusão lógica do texto bíblico é inegável: mentir ao Espírito Santo é mentir a Deus, pois o Espírito Santo é Deus.
Em suma, o Novo Testamento consolida a revelação: Deus é um em essência, mas três em pessoas — Pai, Filho e Espírito Santo — dignos da mesma adoração e glória.
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