Mateus Cap. 10
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Dilemas Teológicos e Aplicação Prática: Predestinação, Oração e Evangelismo
O debate entre calvinismo e arminianismo não é apenas uma discussão acadêmica abstrata; ele levanta questões profundas que afetam a vida devocional, a oração e a evangelização. Ao analisarmos textos difíceis e situações do cotidiano, percebemos como cada teologia tenta resolver o mistério da vontade divina.
O Enigma de Romanos 9: Jacó e Esaú
Um dos campos de batalha mais intensos deste debate é o capítulo 9 de Romanos, onde Paulo escreve: "Amei a Jacó, e aborreci a Esaú".
- A Visão Calvinista: Interpreta este texto como uma prova cabal da eleição individual soberana. Deus, em Sua liberdade, escolheu amar (salvar) Jacó e aborrecer (deixar em condenação) Esaú, sem que nenhum deles tivesse feito bem ou mal.
- A Visão Arminiana: Argumenta que o texto não trata de salvação individual eterna (céu ou inferno), mas de eleição para um propósito histórico. Deus escolheu a linhagem de Jacó para formar a nação de Israel e trazer o Messias. "Aborrecer" Esaú seria uma expressão idiomática para uma "escolha secundária" ou não-escolha para a aliança messiânica. O argumento é reforçado pelo fato de que muitos descendentes de Jacó (israelitas) se perderam, provando que a eleição nacional não garantia salvação pessoal.
"Porque, não tendo eles ainda nascido, nem tendo feito bem ou mal... foi-lhe dito a ela: O maior servirá o menor. Como está escrito: Amei a Jacó, e aborreci a Esaú." (Romanos 9:11-13)
A transcrição destaca que nem sempre "eleição" na Bíblia é para salvação. Judas foi eleito para o apostolado (João 6:70), mas não foi salvo. Jeremias foi eleito profeta desde o ventre. Assim, a escolha soberana muitas vezes refere-se a missões e vocações específicas.
Se tudo já está definido, por que orar e evangelizar?
Uma dúvida comum surge: "Se Deus já escolheu quem vai para o céu (Calvinismo) ou se Deus já sabe quem vai crer (Arminianismo), por que eu preciso orar ou pregar?"
A resposta cristã, em ambas as vertentes, é que não possuímos o "Livro da Vida". Não cabe ao ser humano tentar fazer o papel de Deus e julgar quem é salvo ou não. A responsabilidade humana é clara:
- O Dever da Obediência: A ordem de Jesus é "ide e pregai". A nossa obediência em evangelizar gera recompensa para nós, independentemente se o ouvinte aceitará ou não.
- O Poder da Intercessão: O exemplo prático de orar por um familiar "perdido" (como no caso citado de um dependente químico) ilustra que não devemos desistir. A oração pode clamar pela misericórdia de Deus, inclusive pedindo que Deus use circunstâncias difíceis (disciplina) para levar a pessoa ao arrependimento, como na oração de Habacuque: "Na ira, lembra-te da misericórdia" (Hc 3:2).
- O Limite da Insistência: Baseado em Mateus 10:14 ("sacudi o pó dos vossos pés"), entende-se que há um momento em que, se a rejeição ao Evangelho for total e hostil, o cristão pode redirecionar seus esforços para outros que precisam ouvir, sem carregar a culpa daquela rejeição.
Conclusão: O Solo Comum da Graça
Apesar de séculos de debate, calvinistas e arminianos concordam nos fundamentos essenciais que definem o cristianismo ortodoxo. Ambos rejeitam heresias extremas:
- O calvinista sério rejeita a ideia de que, por ser eleito, pode viver no pecado (antinomismo).
- O arminiano sério rejeita a ideia de que é salvo pelo mérito de sua própria escolha ou obras (pelagianismo).
No fim, ambos concordam que:
- A salvação é pela graça, mediante a fé.
- Só Jesus Cristo salva.
- O arrependimento é necessário.
- A Igreja tem a missão urgente de pregar o Evangelho a toda criatura.
O debate, embora útil para aguçar o entendimento bíblico, não deve obscurecer a verdade maior de que a salvação é um presente imerecido de um Deus que é, acima de tudo, Santo e Amoroso.
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A Universalidade do Plano Divino: Do Destino das Nações aos Detalhes Cotidianos
Uma das implicações mais impressionantes da doutrina dos decretos é a sua abrangência. A soberania de Deus não se restringe a eventos "espirituais" ou a grandes marcos da história da salvação; ela permeia cada átomo do universo e cada segundo da existência temporal. A teologia reformada sustenta que o decreto de Deus é universal, cobrindo desde a ascensão e queda de impérios até os aspectos mais triviais da vida cotidiana.
O Controle sobre a História e as Nações
Em um nível macroscópico, a Bíblia apresenta Deus como o Senhor da história. Ele determina os tempos designados para as nações e os limites de sua habitação. Impérios não surgem pelo poder inerente de seus governantes, nem caem apenas por erros estratégicos; tudo ocorre sob a supervisão direta da providência divina.
"De um só homem fez todas as nações para habitarem sobre a face da terra, havendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os limites da sua habitação; 27 para buscarem Deus se, porventura, tateando, o possam achar, ainda que não esteja longe de cada um de nós;" (Atos 17:26)
Esta verdade é ilustrada vividamente no livro de Daniel, onde é declarado que Deus "remove reis e estabelece reis" (Dn 2:21). Nabucodonosor, o grande monarca da Babilônia, foi levado a reconhecer que o domínio de Deus é eterno e que Ele age como quer no exército dos céus e entre os habitantes da terra. Nenhuma decisão política, guerra ou tratado de paz ocorre fora do decreto soberano.
A Soberania sobre a Vida Humana
Descendo do nível geopolítico para o individual, os decretos de Deus determinam a duração exata da vida de cada ser humano. A existência não é uma questão de sorte biológica. O nascimento, as circunstâncias da vida e o momento da morte estão todos escritos no livro de Deus antes mesmo de acontecerem.
"Visto que os seus dias estão contados, o número dos seus meses está contigo; fixaste-lhe limites que não passará." (Jó 14:5)
"Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe; e no teu livro todas estas coisas foram escritas; as quais em continuação foram formadas, quando nem ainda uma delas havia." (Salmos 139:16)
Isso oferece um profundo conforto diante da fragilidade da vida: o ser humano é imortal até que se cumpra o propósito de Deus para ele. Nem doenças, nem acidentes podem abreviar o tempo determinado pelo Criador.
O Controle sobre o "Acaso" e os Detalhes Mínimos
Talvez o aspecto mais desafiador para a mente humana seja aceitar que Deus governa sobre o que chamamos de "acaso" ou "sorte". Em um mundo regido por leis físicas e variáveis complexas, eventos aleatórios parecem escapar de qualquer controle. No entanto, a Escritura afirma que até mesmo o resultado de um sorteio é determinado pelo Senhor.
"A sorte se lança no regaço, mas do SENHOR procede toda a determinação." (Provérbios 16:33)
Além disso, Jesus ensinou que a providência divina se estende ao reino animal e aos detalhes anatômicos de nossos corpos. Nem um pardal cai no chão sem o consentimento do Pai, e até os cabelos da nossa cabeça estão contados.
"Não se vendem dois pardais por uma moedinha? Entretanto, nenhum deles cairá no chão sem o consentimento do Pai de vocês." (Mateus 10:29-30)
Portanto, não existem "acidentes" no sentido teológico estrito. O que percebemos como coincidência ou aleatoriedade é, na verdade, a mão invisível de Deus operando dentro de uma complexidade que nossa mente finita não consegue rastrear. Desde a trajetória de uma partícula subatômica até o movimento das galáxias, tudo está sustentado e direcionado pela palavra do Seu poder e pelo conselho da Sua vontade.
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