Colossenses Cap. 1
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A Supremacia de Cristo e o Erro do Antropocentrismo
Um dos desvios teológicos mais sutis e devastadores da atualidade é a mudança do eixo central do cristianismo: de uma fé teocêntrica (centrada em Deus) para uma visão antropocêntrica (centrada no homem). Muitas pregações modernas tendem a apresentar Deus como um meio para um fim, onde o fim é a felicidade, a prosperidade ou a autorrealização humana. No entanto, a narrativa bíblica apresenta uma realidade diametralmente oposta: o homem existe para a glória de Deus, e Cristo é o centro absoluto de toda a criação.
Para corrigir essa visão distorcida, é fundamental voltar-se para a cristologia apresentada pelo Apóstolo Paulo na carta aos Colossenses. Este texto oferece uma das descrições mais elevadas e abrangentes sobre a pessoa e a obra de Jesus Cristo, estabelecendo Sua primazia sobre tudo o que existe.
"O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele."
(Colossenses 1:15-17)
A afirmação de que Cristo é a "imagem do Deus invisível" ( eikon ) não sugere apenas uma semelhança, mas a manifestação exata e perfeita de Deus. Deus, em Sua essência, é Espírito e invisível aos olhos humanos; contudo, em Cristo, a plenitude da Divindade habita corporalmente. Isso significa que não podemos conhecer a Deus através de especulações filosóficas ou sentimentos subjetivos, mas unicamente através da revelação concreta de Jesus Cristo.
Além disso, a passagem destrói qualquer noção de que o universo gira em torno das necessidades humanas. A Escritura declara que tudo foi criado "por ele e para ele". O propósito final de cada átomo, de cada galáxia e de cada ser humano não é a satisfação do homem, mas a glorificação de Cristo. Quando o evangelho é pregado como uma ferramenta para "melhorar a vida" de alguém, ele é esvaziado de seu poder, pois reduz o Criador a um servo da criatura.
A preeminência de Cristo se estende também à Sua função como sustentador do universo. A frase "todas as coisas subsistem por ele" indica que Ele mantém a coesão do cosmos. O universo não é uma máquina autônoma deixada por Deus para funcionar sozinha; é ativamente sustentado pela palavra do poder de Cristo a cada momento.
Não é o homem que "aceita" a Cristo para completar sua vida; é o homem que deve render-se a Cristo porque Ele é a própria vida e a razão da existência.
Reconhecer a supremacia de Cristo exige o abandono do antropocentrismo. A salvação, portanto, não é meramente sobre ser salvo do inferno para viver no céu; é sobre ser resgatado de uma vida centrada em si mesmo para uma vida inteiramente dedicada à glória dAquele que é o Cabeça da Igreja e o Senhor da Criação.
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12. A Providência de Deus: O Governo Soberano e Sustentador da História (Cl. 1:17; Hb. 1:3; Is. 38)
Definições Teológicas: A Abrangência do Cuidado Divino
Para avançarmos no entendimento desta doutrina, devemos definir com precisão o que a teologia cristã entende por "Providência". O termo não se limita apenas à presciência — o ato de saber o futuro antecipadamente —, mas envolve uma ação concreta e contínua de suprimento e controle.
Uma das definições mais belas e completas encontra-se no Catecismo de Heidelberg, na pergunta 27, que descreve a providência como:
"O onipotente e onipresente poder de Deus, pelo qual Ele sustenta, como que pela sua própria mão, o céu e a terra, e todas as criaturas, e assim os governa, de tal maneira que ervas e a relva, chuva e seca, anos frutíferos e infrutíferos, comida e bebida, saúde e doença, riqueza e pobreza, e todas as coisas, não nos vêm por acaso, mas de sua mão paternal."
Esta definição destaca a abrangência universal do cuidado divino. Diferente das concepções que limitam a atuação de Deus apenas aos eventos "espirituais" ou aos grandes marcos da história da redenção, a doutrina bíblica ensina que a soberania de Deus permeia os detalhes mais triviais da existência física e material.
A Escritura é enfática ao afirmar que a sustentação do universo é um ato ativo de Deus, e não um mecanismo automático deixado para funcionar sozinho.
"Ele é antes de todas as coisas, e nele tudo subsiste." (Colossenses 1:17)
"O Filho é o resplendor da glória de Deus e a expressão exata do seu ser, sustentando todas as coisas por sua palavra poderosa." (Hebreus 1:3)
Ao analisarmos a abrangência desse cuidado, percebemos que ele elimina, para o cristão, o conceito de "acaso" ou "sorte". O que o mundo secular interpreta como fortuna ou coincidência, a teologia identifica como a mão invisível da Providência. Nada ocorre fora do escopo do governo divino:
- Na natureza: Deus faz nascer o sol e cair a chuva; Ele alimenta as aves do céu e veste os lírios do campo.
- Na vida humana: A saúde e a enfermidade, a prosperidade e a escassez, são administradas pela sabedoria divina.
- Nos eventos fortuitos: Até mesmo o que parece aleatório aos olhos humanos — como o lançar de sortes no colo — tem sua decisão vinda do Senhor (Pv. 16:33).
Portanto, a providência não é apenas uma supervisão passiva; é o exercício ativo do reinado de Deus sobre cada átomo do universo, garantindo que a criação cumpra o propósito para o qual foi designada.
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